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Cisco pode repetir escândalo da Enron

Para analista norte-americano, caso as autoridades norte-americanas também apóiem as denúncias da polícia brasileira, episódio pode ganhar dimensões desastrosas para a empresa.

Por Por Camila Fusco, do Computerworld

17 de outubro de 2007 - 10h38
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Caso as investigações da Polícia Federal comprovem o envolvimento intencional de executivos da Cisco em procedimentos de sonegação fiscal e descaminho, a companhia poderá se envolver em um escândalo com proporções desastrosas semelhantes ao da Enron, em 2001. Especialmente se as autoridades norte-americanas apoiarem as denúncias feitas pela polícia brasileira após as investigações no País.
Essa é a avaliação de Robert Enderle, presidente e analista sênior do Robert Enderle Group, consultoria norte-americana que conversou com o Computerworld após os procedimentos desencadeados pela “Operação Persona”, conduzida pela PF na terça-feira (16/10). “Acredito que se ficar comprovado que houve a sonegação fiscal de forma intencional e o governo norte-americano apoiar essas denúncias, de fato existirá um escândalo semelhante ao que vimos com a Enron, o que deverá causar grandes problemas para a imagem da empresa”, informou em entrevista por telefone. A Enron, gigante americana do setor de energia, foi à falência em 2001 depois de se envolver em fraudes contábeis.
Segundo Enderle, entretanto, investigações profundas ainda precisam ser feitas para se tirar qualquer conclusão sobre as supostas irregularidades, especialmente diante do histórico de boas práticas da companhia. “A Cisco tem uma reputação bem transparente, o que poderá ser levado em conta pelo governo norte-americano. Mas caso as denúncias se confirmem e nem esse passado seja suficiente, os investidores poderão ficar bastante nervosos”, assinala o analista sênior.
No pregão after market da Nasdaq, as ações da Cisco registravam queda na noite de terça-feira, embora ainda seja cedo para afirmar reflexos do episódio ocorrido no Brasil. Segundo Enderele, essa conclusão é precipitada especialmente pelo fato de que a notícia ainda não correu a todo o vapor na imprensa norte-americana. Às 23h, horário do Brasil, os papéis recuavam 1,52%, a US$ 32,29.
A ordem judicial cumprida na terça-feira incluiu a expedição de 14 mandatos de prisão temporária para os representantes legais da empresas Cisco do Brasil e Mude - investigados do primeiro nível da quadrilha apelidados de "Chefes".
De acordo com fontes ligadas às investigações, os executivos Pedro Ripper, presidente da Cisco do Brasil, e Marcos Sena, diretor de canais da Cisco Brasil tiveram prisão temporária decretada. Ripper foi detido em sua residência, no Rio de Janeiro, e tem prisão preventiva decretada até sábado (20/10).
Em comunicado encaminhado por e-mail à Redação do IDG, a área de relações públicas da Cisco para países emergentes afirma que empresa ainda tenta entender o que está acontecendo, mas deverá cooperar com a Polícia Federal.

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