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Negócios

Operação Persona deve estimular profissionalização dos canais

Segundo Dagoberto Hajjar, da Advance Marketing, as revendas e os integradores precisam estar preparados para um momento em que qualquer deslize na gestão das empresas pode ser fatal.

Por Por Tatiana Americano, da ChannelWorld

23 de outubro de 2007 - 09h05
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Enquanto o mercado aguarda as conclusões da Operação Persona – investigação da Polícia Federal e da Receita Federal que analisa possíveis irregularidades na importação de produtos Cisco, envolvendo a distribuidora Mude –, os canais de distribuição brasileiros devem considerar a situação como um sinal de alerta, na opinião de Dagoberto Hajjar, diretor-presidente da consultoria Advance Marketing. “Está na hora das empresas do setor se profissionalizarem”, aponta o especialista, que acrescenta: “as revendas que estavam acostumadas a dar um jeitinho para sobreviver no mercado precisam entender que esse momento acabou”.

Hajjar considera que os altos tributos praticados em território brasileiro têm exigido uma dose extra de criatividade das corporações locais, inclusive do canal de distribuição de TI e Telecom. “Com isso, muitas vezes, as companhias acham que estão usando brechas da lei para continuarem competitivas, quando, na verdade, podem estar cometendo irregularidades, mesmo sem saber”, analisa o consultor.

Um dos exemplos mais comuns desse tipo de postura perigosa de revendas e de integradores está relacionado ao modelo de contratação dos profissionais. Isso porque, como forma de driblar os altos impostos trabalhistas, grande parte dos canais busca formas alternativas ao registro profissional na carteira de trabalho. “E apesar da CLT Flex (modalidade na qual o empregador registra apenas uma pequena parte do salário em carteira e usa benefícios para complementar a remuneração dos funcionários) ser muito comum entre revendas, ela é uma prática ilegal”, avisa Hajjar, lembrando que esse tipo de irregularidade não pode ser mais admitida pelas companhias.

A atuação mais forte do poder público para coibir práticas ilegais na gestão das empresas deve ser estimulada pelos próprios players do setor, na opinião do consultor da Direct Channel. “No País, aumenta o número de integradores que estão fazendo IPO (abertura de ações na Bolsa de Valores) e, com isso, eles precisam estar totalmente dentro da lei”, detalha Hajjar, lembrando que essas empresas vão exigir dos seus demais concorrentes o mesmo grau de regularidade.

“Até para garantir uma competição saudável, a tendência é que as companhias delatem concorrentes que não estejam trabalhando de forma totalmente regular”, considera Hajjar, apontando para uma verdadeira ‘caça às bruxas’ e que pode representar o fim de muitas companhias que não estão atentas a esse novo momento de profissionalização.


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