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Negócios

Problemas na cadeia

Descubra como a investigação de possíveis fraudes na importação de equipamentos Cisco, envolvendo a distribuidora Mude, pode afetar toda a cadeia de TI e Telecom no País.

Por Por Redação ChannelWorld

24 de outubro de 2007 - 03h00
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As investigações de possíveis fraudes na importação de equipamentos Cisco para o Brasil vão muito além das prisões e apreensões noticiadas pela imprensa nacional e internacional. Especialmente para os canais de distribuição de TI e Telecom, os desdobramentos de toda a ação da Polícia e Receita Federal devem ser muito mais nocivos do que sugere a primeira impressão. E, o pior, tendem a afetar inclusive as revendas e os integradores que não atuam com a fabricante norte-americana.

O grande efeito negativo de todo o desdobramento da Operação Persona para os canais está na própria imagem do setor. Pois, como bem lembra Pedro Roccato, diretor da Direct Channel, há uma tendência de que as notícias divulgadas no exterior sobre o suposto esquema de fraudes, envolvendo a Cisco e a Mude, acabem levando a uma generalização do setor. “E as pessoas tendem a acreditar que todo o canal brasileiro trabalha de forma ilegal”, considera Roccato, lembrando que isso independe dos resultados finais da investigação.

Com isso, de acordo com o diretor da consultoria, desde o início das investigações, as demais multinacionais de TIC que atuam no Brasil estão sendo alvos constantes de questionamentos por parte de suas matrizes, quanto às operações de vendas indiretas. “Dá a impressão de que o setor regrediu”, considera o consultor.

A própria Receita Federal deve ser mais rigorosa com toda a cadeia de distribuição de TI e Comunicações, na visão de Dagoberto Hajjar, diretor-presidente da Advance Marketing. “Por isso, está na hora das empresas do setor se profissionalizarem”, alerta o especialista, que acrescenta: “as revendas que estavam acostumadas a dar um jeitinho para sobreviver no mercado precisam entender que esse momento acabou”.

Hajjar considera que os altos tributos praticados em território brasileiro têm exigido uma dose extra de criatividade das corporações locais, inclusive do canal de distribuição de TI e Telecom. “Com isso, muitas vezes, as companhias acham que estão usando brechas da lei para continuarem competitivas, quando, na verdade, podem estar cometendo irregularidades, mesmo sem saber”, analisa o consultor.

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Impacto nos parceiros indiretos

Com a comercialização de equipamentos Cisco temporariamente paralisada pela Mude – que representa o maior distribuidor da marca no País – a Ingram Micro passou a centralizar todo o contato com as revendas e os integradores “Tier 2” (não autorizados a importar diretamente os produtos) da marca no País. O que deve gerar um gargalo de pedidos e um atraso na entrega de projetos, na visão dos canais consultados pela ChannelWorld.
 
“Mas, pelo menos, temos a garantia de atender os pedidos dos clientes”, pondera Marcos Silva, diretor da integradora Added. Ainda segundo ele, pelo menos no primeiro momento, a situação não afeta os negócios de sua empresa. “Pelo contrário, estamos em fase de fechamento de projetos envolvendo Cisco”, garante o executivo.

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