Negócios
Datasul mira crescimento com novas aquisições
Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD*
Compartilhe:
CW – Quanto à economia brasileira, e o real forte, quais as oportunidades e desafios que a Datasul tem enfrentado?
STEFFENS – Não temos do que reclamar da situação atual. A Lei do Bem barateou os computadores, o que é bom para o setor corporativo de forma geral. Quanto ao real fortalecido, podemos dizer que afeta, mas não redefine nossa estratégia de atuação internacional, na Argentina, México ou América Latina.
CW – Recentemente a Datasul divulgou a parceria com a Salesforce para o modelo de software como serviço. Como a companhia tem visto oportunidades nessa área?
STEFFENS - Precisamos analisar o software como serviço pelo lado financeiro e pelo modelo tecnológico. Quando você analisa do ponto de vista financeiro para o cliente, a melhor alternativa com certeza é o SaaS. Mas quando falamos com os clientes, normalmente o pessoal de TI não gosta desse modelo. Quando falamos com o pessoal de negócios, esses gostam, já que não é necessário investir antes e também porque o custo é menor. Para quem vende, porém, existem duas dificuldades no modelo. O primeiro é o caixa, que, se a empresa não tiver, não consegue sustentar o modelo. E o outro é o reconhecimento de receitas, caso a empresa seja aberta. No modelo antigo, vamos supor que eu vendi um milhão de licenças de uso. Dessa forma, eu vou lá e contabilizo diretamente. No outro modelo, eu vou precisar contabilizar apenas a primeira parcela. Isso tem sido o grande dilema das empresas que capital aberto e isso vale para Oracle, Microsoft e para a própria SAP. Mas de forma geral, acredito que o que vai acontecer é que o modelo antigo vai morrer. Não sei se vai demorar cinco anos, dez anos, quinze, mas vai morrer.
CW – Em quanto tempo você acha que o modelo de software como serviço vai superar o formato tradicional?
STEFFENS – Acredito que ao longo dos próximos três a cinco anos, as receitas se invertam. No entanto, acho também que as empresas que já implantaram determinado software, continuem com esse modelo, enquanto mais da metade das novas licenças tende a ser procedente dão modelo software como serviço.
CW – E como estão as operações de gerenciamento de frotas baseadas na plataforma sob demanda da Salesforce.com?STEFFENS – Lançamos algumas semanas atrás comercialmente o produto, que vai sair em inglês, português e espanhol. Estamos procurando pilotos para usar. O objetivo era lançarmos esse projeto todo em setembro de 2008, mas antecipamos a primeira fase, que engloba a gestão básica do veículo, para setembro desse ano. A segunda fase, que pretendemos oferecer até o final do ano, prevê funções mais avançadas, como gestão de IPVA e manutenção preventiva.
CW – Na segunda quinzena de outubro vocês anunciaram o novo data center na matriz, em Joinville (SC), com a intenção também de abrigar operações de clientes. Como ficam as relações com a IBM diante dessa estratégia?
STEFFENS – A relação com a IBM permanece normal para a hospedagem das operações. A diferença é que, a partir de agora, perguntaremos aos nossos clientes o nível de funcionamento que ele precisa. Se precisa de algo do tipo 24x7, continuaremos indicando a IBM. Caso aceite algum funcionamento do tipo 16x5 podemos prover por aqui. Ele que irá definir o preço e o nível de serviço que precisa. A idéia é atingir com nosso data center – de 700 metros quadrados – médias empresas, o que, segundo seguimos pelos parâmetros da IDC, contemplam entre 100 e 500 funcionários. A intenção é oferecer para essas companhias um nível de serviço mais barato que o da IBM, mas mais completo do que elas fariam em casa.
CW – A Datasul mantém parceria com a Cisco para o Datasul In a Box, solução combinada de hardware e software para médias empresas. Após o escândalo envolvendo a companhia, a parceria será mantida?
STEFFENS – Fomos surpreendidos tanto quanto o mercado com a situação. Acredito que eles vão sanar a situação assim que possível. Mas por enquanto é cedo para definir.
CW – No ano que vem, a Datasul completa 30 anos. Qual o balanço é possível fazer desse período e o que você vê como tendência para o futuro?
STEFFENS – Ao longo desses 30 anos, foram muitas as mudanças tecnológicas, de moedas e o Brasil se destacou muito tem tecnologia. Em alguns aspectos, somos referências internacionais, como nas eleições eletrônicas, na contabilização do Imposto de Renda. No entanto, acho que poderíamos ter feito mais coisas, se não fosse a miopia do governo, que ainda não viu tecnologia como ferramenta estratégica. Para o futuro, posso dizer que vejo como desafio para as empresas de tecnologia, a criação de soluções e softwares com melhor ergonomia, digo, mais fácil para os usuários. Fora isso, como tendências tecnológicas, vejo especialmente RFID, a tecnologia touchscreen e a web 2.0.
Conheça os 100 melhores CIOs do país
60 melhores empresas de TI e Telecom para trabalhar
A elite do RH de TI e Telecom no Brasil
Computerworld e Instituto GPTW apresentam as Melhores Empresas de TI e Telecom para Trabalhar 2009.
Veja o Especial


