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Compra da BEA pela Oracle deve elevar adoção de software em Java

Aquisição da BEA Systems dará vantagens competitivas à Oracle no setor de middleware, onde a companhia deve rivalizar com a Microsoft e popularizar alternativas de código aberto.

Por Computerworld, EUA

17 de janeiro de 2008 - 10h07
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Larry Ellison, CEO da Oracle, participou na manhã desta quarta-feira (16/01) de uma conferência onde forneceu detalhes sobre a aquisição da BEA por 19,375 dólares por ação, ou aproximadamente 8,5 bilhões de dólares. O executivo projeta que o acordo, aprovado por unanimidade pelo board da BEA após meses de negociações, deve ser fechado em outubro.

O acordo acontece três meses após o fornecedor de middleware recusar uma oferta de 6,7 bilhões de dólares, ou 17 dólares por ação, depois de considerá-la baixa.

Na conferência, tanto Ellison quanto o CEO e co-fundador da BEA, Alfred Chuang, reafirmaram aos clientes da BEA que a Oracle vai manter o suporte e os investimentos nos produtos de middleware da companhia.  Entretanto, os dois executivos não responderam perguntas de investidores e da imprensa durante a conferência.

“O acordo reflete a excepcional complementação estratégica entre as duas companhias. Mesmo que as duas empresas tenham vários produtos de middleware, a linha de produtos e soluções verticais da BEA é complementar ao nosso middleware Fusion. Nós acreditamos que esta transação vai acelerar a adoção de middleware Java baseados em padrões abertos como alternativa à arquitetura fechada da plataforma .NET da Microsoft”, disse Ellison.

Sendo mais específico, Ellison disse que a BEA vai agregar produtos de messaging e softwares verticais a setores como telecomunicações, ajudando a Oracle a suprir uma lacuna em sua própria linha de middlewares. “Esta aquisição também dá escala aos nossos negócios de middleware, onde é crítico ampliar a inovação”, afirmou Ellison.

O CEO da Oracle lembrou ainda que muitos clientes da BEA são usuários do banco de dados e de aplicativos da Oracle, e que um número crescente deles utiliza middleware das duas companhias. “Nosso plano é dar suporte agressivo aos produtos BEA, da mesma forma que fizemos em nossas recentes aquisições”, afirmou.

Enquanto afirmava que a linha Fusion permanecerá no centro das ofertas de middleware da Oracle, Ellison lembrou que a linha WebLogic e outras tecnologias da BEA terão importância crescente nas ofertas futuras da empresa.

Yefim Natis, analista do Gartner, ressaltou que a BEA tem hoje cerca de 15 mil companhias utilizando sua tecnologia. “Seria suicídio para a Oracle fazer algo como descartar esta base de clientes. É natural que a Oracle queira oferecer suporte a todos eles”, afirmou. Em longo prazo, ressaltou o analista, é provável que a Oracle adote alguns dos produtos da BEA no lugar de seus próprios.

“Por exemplo, o servidor WebLogic é uma versão de Java EE muito melhor que a da Oracle e possivelmente será adotada. A perspectiva é que alguns produtos da BEA serão adotados e outros ficarão obsoletos com o tempo, mas todos serão suportados”, avalia.

James Kobielus, analista do Forrester Research, disse que sua expectativa é que as duas companhias tenham ofertas complementares de produtos em muitas áreas. Por exemplo, a BEA não tem ofertas de data warehousing, uma área forte para a Oracle. Ao mesmo tempo, os middleware da BEA para integração de aplicativos on-demand e real time são complementares ao data warehouse batch-oriented da Oracle.

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Kobielus também lembrou que a Oracle desenvolveu alguma tradição na preservação de tecnologias vindas de outras aquisições, como a da PeopleSoft. Como exemplo, ele cita o tempo gasto pela companhia para pensar na integração e na sinergia dos produtos vindos da Hyperion, adquirida em abril do ano passado.

Neste caso, a companhia não descontinuou ou anunciou planos para descontinuar qualquer ferramenta e permitiu que a Hyperion mantivesse o desenvolvimento de produtos planejado antes da aquisição.

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