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Negócios

Cenário de oportunidades

O aquecimento das demandas por soluções e equipamentos de TI e Comunicações no Brasil deve compensar os possíveis reflexos da crise na economia norte-americana.

Por Por Tatiana Americano

01 de fevereiro de 2008 - 00h00
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Enquanto uma nuvem negra paira sobre a economia dos Estados Unidos, freando as expectativas de crescimento do mercado de TI naquele País, em território brasileiro todos os sinais indicam um 2008 promissor. Ou seja, mesmo com a desaceleração prevista na maior economia mundial, ao contrário do que aconteceu em outros momentos recentes da história, a maior parte dos analistas acredita que o Brasil não deve ser afetado de forma expressiva pelo cenário internacional. E, especificamente na área de Tecnologia da Informação e Comunicações (TIC), tende a seguir um ritmo ascendente de investimentos.

Fernando Meirelles, professor titular de informática da FGV-EAESP (Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas, de São Paulo), aponta que 2008 pode representar uma oportunidade ímpar para os fornecedores locais de equipamentos e de serviços de TIC. “Existe um gasto crescente com tecnologia nas empresas brasileiras”, analisa Meirelles, que descarta uma relação direta entre problemas no mercado norte-americano e os resultados gerais do setor no País.

“O impacto de uma crise internacional deve ser muito mais especulativo”, confirma Reinaldo Roveri, analista sênior da IDC Brasil. Segundo o especialista, as principais preocupações dos fornecedores de TI devem ser com uma possível retração dos aportes realizados pelas corporações multinacionais, bem como com a fuga de parte dos investimentos internacionais. Outro ponto de atenção envolve uma provável flutuação da moeda norte-americana. “Mas o aquecimento da demanda local vai compensar possíveis problemas”, contrapõe o especialista, calculando que, em 2008, o País deve repetir o crescimento do último ano, quando a área de tecnologia acompanhou um incremento de 12,8% na América Latina.

Para basear suas previsões, Roveri cita um recente estudo divulgado pela IDC e no qual a consultoria prevê que a região deve movimentar US$ 48,6 bilhões em soluções e serviços de TI, contra aproximadamente US$ 43 bilhões, em 2007. “E apesar de não ter números específicos para o mercado brasileiro, de forma geral, o País representa quase metade dos gastos totais da região”, avalia o analista sênior.

Da mesma forma, o professor da FGV-EAESP, mesmo considerando cedo para arriscar porcentagens, aponta que, em 2008, o mercado de TI brasileiro tende a ultrapassar a média histórica de 9% de crescimento ao ano. Para confirmar os bons ventos do setor, Meirelles analisa que o País começa a viver um novo ciclo de investimentos, comparável ao ocorrido no final da década de 90, durante o bug do milênio.

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