Java é cada vez mais ameaçada por novos métodos de desenvolvimento

(http://computerworld.uol.com.br/negocios/2008/02/28/java-e-cada-vez-mais-ameacada-por-novos-metodos-de-desenvolvimento)
Por Computerworld
Publicada em 28 de fevereiro de 2008 - 07h15
Atualizada em 11 de maio de 2009 - 15h12

Linguagens de scripting e novas metodologias de desenvolvimento de aplicações estão executando trabalho antes dominado por Java.

Será que Java está caindo para o segundo lugar no espaço de desenvolvimento de aplicações? É a impressão que pode dar, diante de toda a atenção que seus rivais vêm recebendo.

Com quase 13 anos de existência, a linguagem e plataforma Java gerada pela Sun Microsystems agora compartilha os holofotes do desenvolvimento de software com linguagens de scripting como PHP (Hypertext Preprocessor) e Ruby, bem como tecnologias .Net, da Microsoft.

Muito festejada por funcionar em múltiplas plataformas por meio da JVM (Java Virtual Machine), o Java ocupou as manchetes durante anos antes de ser seriamente desafiada por .Net e variantes de scripting open source. Hoje, estas alternativas a Java já têm muitos adeptos. A SugarCRM, fornecedora de CRM open source, por exemplo, escolheu desenvolver sua aplicação em PHP, em vez de Java. “Quando começamos, pensávamos que íamos criar uma aplicação Java sobre Oracle”, diz Clint Oram, co-fundador da empresa. A SugarCRM, no entanto, viu PHP amadurecer e achou-a “mais acessível do que Java para uma pessoa comum”.

A Microsoft, porém, fez da sua plataforma .Net um player sério no cenário corporativo. Um relatório da Info-Tech Research Group datado de novembro de 2007 apontou que .Net estava se tornando mais popular do que a plataforma Java nas empresas.

Mas ainda é cedo para considerar Java uma carta fora do baralho. “Para qualquer lugar que você se vire, esbarra em Java. É utilizada em bancos de dados, é utilizada para acionar os sistemas Web de grandes empresas como o eBay”, observa Rick Ross, presidente da comunidade de desenvolvedores DZone e fundador da Javalobby,  comunidade Web para desenvolvedores Java. Ele mesmo é um desenvolvedor Java.
 
De acordo com Ross, a indústria Java continua muito grande. “Toda ela junta equivale literalmente a bilhões e bilhões de dólares”, contabiliza, ressaltando o uso de Java por todos, de IBM a Oracle e sua última grande aquisição, BEA Systems.
 
Microsoft .Net está atraindo grande número de pequenos desenvolvedores
O Tiobe Programming Community Index, que classifica a popularidade de linguagens de programação, traz Java em primeiro lugar no mês de fevereiro, a mesma posição que detinha um ano atrás. Em seguida vêm C, Visual Basic, PHP, C++, Perl, Python e C#. Mais abaixo na lista estão Delphi, JavaScript e Ruby. (Os números da Tiobe se baseiam na disponibilidade mundial de engenheiros qualificados, cursos e fornecedores e na utilização de ferramentas de busca populares para calculá-los.)

A Info-Tech, no entanto, descobriu que a Microsoft tem um ponto forte: a capacidade de oferecer uma única pilha composta de .Net, o sistema de e-mail Exchange e o banco de dados SQL Server. “As empresas querem apenas uma garganta para estrangular”, diz George Goodall, analista sênior de pesquisa da Info-Tech e autor do relatório da empresa em novembro.
 
“Não somos especialmente obcecados pela tecnologia .Net em detrimento da tecnologia Java, mas a diferença é que .Net é boa o suficiente para a maioria das aplicações”, explica.

A Info-Tech fez uma amostragem com 1,9 mil empresas, a maioria do mercado de médias companhias com receita anual inferior a 1 bilhão de dólares. O estudo apontou que 12% das empresas se concentram unicamente em .Net, em comparação a 3% centradas exclusivamente em Java.  Além disso, 49% se dedicam principalmente a .Net, contra 20% a Java.

Apesar do foco no mercado de médias, Goodall observa que até mesmo as empresas com receita anual superior a 1 bilhão de dólares apresentaram preferência semelhante por .Net. Ainda assim, a pesquisa descobriu que a popularidade de .Net diminui muito gradualmente à medida que o tamanho das empresas aumenta. Mas Goodall adverte que em tais empresas este declínio de popularidade não se origina de um aumento do uso de Java, mas de uma preferência por outras plataformas de desenvolvimento em ambientes heterogêneos.


Mesmo confrontada com maior concorrência de congêneres de .Net, Java está longe do fim de sua vida útil, conclui o relatório da Info-Tech. A plataforma tem aliados incrivelmente fortes e imensa base de código. Assim como há instalações que tendem obrigatoriamente a código Cobol legado, eles vão tender obrigatoriamente a muito código Java no futuro. ”Java não vai desaparecer”, sentencia Goodall. 


O criador da metodologia Rails, David Heinemeier Hansson, também compara Java a Cobol. “Acho que Java ainda é relevante no sentido de que as linguagens nunca morrem. Haverá sistemas rodando em Java daqui a 20 anos”, justifica, “assim como ainda existem muitos sistemas Cobol”, diz.

Novos frameworks ganham tração entre desenvolvedores

“Ruby, PHP, Python e plataformas similares, definitivamente, abocanharam uma grande parcela dos brilhantes profissionais de Java”, afirma Hansson. “Temos um grande ‘eleitorado’ de usuários Rails que são refugiados de Java”, conta. 

Novos frameworks, como PHP e Ruby on Rails, “apropriaram-se de uma vasta extensão do território que antes pertencia a Java e .Net”, revela Tim Bray, diretor de tecnologias Web da Sun, enfatizando que .Net tem o mesmo problema. “Absolutamente não acredito, com base no que vejo, que .Net ainda usufrua o mesmo tipo de crescimento que alcançou durante alguns anos a partir de fins da década de 90. Tudo indica que, embora  Java não apresente o crescimento ‘mais quente’, ainda é o maior ecossistema único que existe”, acrescenta.

.Net também é ameaçada por novos frameworks, concorda Hansson, mas parece estar roubando mindshare (a marca que vem à cabeça) de Java em instalações predispostas a usar tecnologia Microsoft.

Segundo um gerente de programa de uma agência governamental que pediu anonimato, soluções como o Adobe Flex e produtos Microsoft estão proporcionando alternativas a Java. “No lado do servidor, Java sempre terá um espaço para alinhavar as coisas e personalizar, mas, para disponibilizar rapidamente boas aplicações que possam ser mantidas, vejo outras ferramentas começando a assumir esse espaço”, diz ele.

Sun vislumbra um mundo onde Java talvez não reine

Na Sun, o CEO Jonathan Schwartz continua sendo um defensor convicto de Java, mas reconhece que não é a única linguagem no páreo atualmente. Na conferência SugarCon 2008 para usuários do SugarCRM, no início deste mês, Schwartz falou sobre o projeto Da Vinci Machine para ampliar a JVM de forma a acomodar outras linguagens. “A intenção é dizer, 'Olha, Java é uma linguagem, não é um martelo para todos os pregos. Acontece que é um martelo realmente bom’.”

Bray admite que a linguagem Java “está começando a ficar um pouco tediosa para os jovens agitadores da comunidade”. Ele considera a linguagem Java “substituível, mas argumenta que a plataforma Java – JVM, API e bibliotecas – veio para ficar. JVM é “insanamente popular” e é consenso que as bibliotecas são praticamente as melhores que existem, explica Brian..

Na expectativa de um mundo menos centrado em Java, a Sun está arregaçando as mangas para abraçar as novas tecnologias. Um bom exemplo é a iniciativa  JRuby para possibilitar que Ruby execute aplicações Rails na plataforma Java, diz Bray. Enquanto isso, existe trabalho em andamento para aprimorar a linguagem Java com closures e outras funcionalidades. (Closures permitem que porções de código sejam passadas e utilizadas em outro lugar sem a necessidade de declarar uma sub-rotina.)

Hansson, criador do Rails, concorda com o rumo que a Sun está tomando. Para ele, a mentalidade “Java é a resposta, qual era mesmo a pergunta?” já não existe. “Até a Sun percebe isso agora, o que considero saudável. Há muitos domínios nos quais Java é um ambiente pesado e desajeitado demais”, finaliza.