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Entrevista: como será a parceria IBM-Google

Steve Mills, da IBM, fala sobre o Google cliente da IBM, o crescimento na China, software como serviço e Microsoft.

Por Redação do COMPUTERWORLD

13 de março de 2008 - 13h45
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IBM e Google podem parecer concorrentes, mas têm uma parceria embrionária para cloud computing (computação em nuvem) que busca combinar os melhores recursos da computação corporativa e da internet. Steve Mills, vice-presidente sênior da divisão de software da IBM, explicou os objetivos da parceria. Mills também abordou novas oportunidades na China, o impacto do software como serviço no mercado de TI e os prós e contras do diversificado portfólio de software da IBM.

A IBM se uniu ao Google em outubro passado em uma iniciativa de cloud computing que, nas palavras da IBM, promoverá padrões abertos e novos métodos de software “que vão impulsionar o crescimento da próxima geração da internet”. O que, exatamente, você está tentando alcançar?

Vamos tentar definir um pouco isso. De um modo geral, esta “nuvem” da internet à qual conectamos possui um determinado conjunto de atributos relacionados ao modo como as aplicações são distribuídas nela e como as acessamos. O Google, certamente, é uma destas empresas que as pessoas identificam no contexto da internet. Ele dá às pessoas um ambiente, em grande parte, sem preservação de estado. A questão é se este tipo de ambiente de implementação altamente dinâmico pode se tornar mais rico, mais gerenciável, e se funcionalidades mais significativas de aplicações podem ser agendadas dinamicamente. Além de ter que manter o estado da transação ou da atividade de alguém, você tem que persistir seus dados. Por fim, você precisa agendar estes recursos com flexibilidade para extrair alguns dos atributos deste ambiente extremamente dinâmico tipo Google e, ainda assim, garantir que você está executando as coisas da forma que deseja, o que é típico do ambiente de data center corporativo.

Como você espera conseguir esta fusão de capacidades da internet e da computação corporativa?
Obviamente, você precisa catalogar suas configurações com mais cuidado. Você precisa ter uma visão abrangente dos seus recursos para poder pensar em quanto armazenamento é necessário, quanta conexão de rede é necessária, quanta computação é necessária. Você precisa pensar com mais especificidade em para que você está implementando a aplicação porque a aplicação não se presta realmente a ser dividida e distribuída. A aplicação precisa ter um lugar para ir e, para que funcione bem, seus dados precisam estar próximos a ela. É com isso que você lida no mundo corporativo.

O Google não se preocupa muito com isso. Ele armazena as coisas em cache para acelerar a desempenho, mas nada é muito permanente.

No ambiente de computação corporativa, você precisa assegurar que está mantendo a integridade dos dados. Portanto, precisa ter um conjunto muito restrito de regras de agendamento, saber exatamente quais recursos está alocando para aquela aplicação e manter a integridade da aplicação. Ao mesmo tempo, quero poder utilizar os recursos para obter o máximo de benefício, o que significa que eu gostaria de utilizar aplicações conforme a necessidade e empurrá-las para o segundo plano quando não estiverem sendo usadas no mesmo grau – algo semelhante ao modelo Google no qual há um tópico “quente” que invade a web, mas depois se dissipa.

Todo mundo quis saber sobre a Britney Spears na semana passada, mas só metade das pessoas se importa com ela esta semana. Ou as pessoas se esqueceram totalmente da Britney Spears e, neste caso, você não tem que armazenar mais nenhum dado em cache sobre ela.

Não é o que acontece no mundo do processamento corporativo. Minhas aplicações rodam durante anos e anos, mas tenho necessidades e requisitos de capacidade que aumentam e diminuem. Será que posso agendar tudo isso dinamicamente, por assim dizer, na “nuvem” de processamento? Será que posso maximizar em maior grau o valor dos recursos e ativos físicos ao capturar algumas das características dinâmicas existentes em um ambiente Google e, ainda assim, ter as características de integridade e as características de certeza do data center corporativo típico?

O conceito é: como aplicar atributos cloud à computação corporativa.

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Qual será a abrangência da sua parceria com o Google?
É difícil prever que rumo as coisas vão tomar. Cada um de nós ganha dinheiro de uma maneira diferente. Todo mundo quer escrever sobre as coisas que o Google poderia fazer no futuro, o que cria esta aura de possibilidades do Google. Mas, como todos nós sabemos, o negócio é quase cem por cento alicerçado no modelo de gerar receita através de publicidade, e muitos dos serviços e capacidades incrementais que eles estão disponibilizando são voltados mais para o consumidor do que para o comprador corporativo.
 
Este tipo de agendamento dinâmico de aplicações corporativas é um campo onde a tecnologia IBM é aplicável no contexto da infra-estrutura do Google para, potencialmente, dar-lhes mais poder sobre onde querem levar o Google. Vemos o Google como um cliente neste sentido, eles são um cliente em potencial da nossa tecnologia. Se incorporarem maior capacidade de entrega às empresas, principalmente pequenas empresas, poderá haver uma oportunidade de negócio na qual trabalharmos juntos.

O Google enquanto concorrente, com seu foco em facilitar a vida dos usuários finais, está afetando o modo como você faz negócio e desenvolve software?
Não, porque não me posiciono como concorrente diante do Google. O modelo de negócio é muito diferente. Não temos nenhum conflito com o Google no mercado no dia-a-dia. Assim como não temos com o Yahoo e nem mesmo com o MSN, quanto a isso. Já o que eles fornecem nestas plataformas, potencialmente em uma visão de longo prazo, pode gerar um relativo conflito.

Você fala em mudar a internet. O que vai mudar para o usuário comum?
O usuário comum, obviamente, vai prestar atenção ao que é possível fazer na internet, que tipos de serviços de aplicação estão disponíveis, quão mais confiável e seguro este ambiente se torna para seus dados e suas informações. Todo mundo está empolgado com as capacidades da Web 2.0 e de mashup. Esta idéia de que uma aplicação não tem que existir em um único lugar, podendo ser um composto de vários elementos provenientes de vários lugares, é um modelo muito poderoso promovido pela Web 2.0. 

As limitações de velocidade e desempenho da internet são os principais problemas que você está tentando resolver?
Até certo ponto. Todas estas técnicas fantásticas, toda esta composição visual, feeds chegando de lugares diferentes, só faz sentido no contexto da desempenho. Eu poderia ter feito isso há 10 anos. Mas teria funcionado para todo mundo? Não.

A popularidade crescente do software como serviço está afetando seu próprio desenvolvimento de software?
O software como serviço é um pequeno subconjunto do mercado de terceirização de processos de negócio. Existem empresas que se autoproclamaram empresas de software como serviço e outras que se autoproclamaram empresas de execução de processos. Às vezes não dá para perceber a diferença entre os dois. Costumo pensar que tem a ver com a existência ou não de significativo capital de risco por trás da empresa para chamá-la de software como serviço ou outra coisa qualquer. Se você tiver mais capital de risco, é software como serviço. É mais excitante e misterioso ser chamada de software como serviço.

A tendência de software como serviço traz desafios para a IBM?
Impõe um desafio para nós no seguinte contexto: no que nosso cliente está se transformando? Não no atacado, mas continua a mudar. Ele caminha para um outsourcer de processos, que, então, se torna nosso cliente na prática. Precisamos saber quem são estes clientes. Nosso desafio é rastrear o que está acontecendo e sair e vender nossos produtos para eles. Nitidamente, eles estão ocupando o lugar do cliente tradicional para quem vendíamos e que já não precisa de software e hardware para executar aquele trabalho.

A IBM tem planos para novos produtos ou aquisições na área de software como serviço?
A IBM tem um conjunto de serviços de terceirização de processos hoje, com alguns aspectos de gestão financeira e supply chain. Compramos uma empresa chamada WebDialog que fornece conferência na web e a incorporamos às nossas ofertas de comunicação unificada Sametime. Estes são os tipos de coisas que estamos fazendo, e provavelmente faremos mais à medida que virmos o mercado evoluir e onde os clientes parecem mais interessados em modelos de operar alternativos, entregues por plataformas.

Em que outras áreas você faria aquisições ou grandes projetos de pesquisa?
Estamos gastando mais de 3 bilhões de dólares por ano em pesquisa e desenvolvimento. Portanto, você verá muita coisa. Nossas aquisições se espalharam pelos elementos importantes do nosso portfólio e isso prosseguirá. Poderá ser desenvolvimento de aplicações, gerenciamento de sistemas, administração de sistemas, segurança, processamento de transação, integração de processos, obviamente toda a estratégia Information on Demand, que tem vários elementos de tecnologia.

O grupo de software da IBM acaba de anunciar alguns aumentos de receita com Lotus, gerenciamento de informação, Tivoli, WebSphere e outros produtos. O que está impulsionando este crescimento?
Somos um negócio de software de US$20 bilhões. Para crescermos, a coisa toda tem que crescer.  Não podemos nos dar ao luxo de focar uma área e não focar outras. É o maior portfólio de software do mundo. Como empresa de software, não somos tão grandes quanto a Microsoft , mas nosso portfólio é substancialmente maior. Não ganhamos dinheiro com apenas um produto como o Windows, que é o que eles fazem. O Windows e o Office geram enorme volume de receita e lucro para a Microsoft. Não temos estas franquias.

Não é uma vantagem ser mais diversificado ou você preferiria confiar em um grande negócio lucrativo como o Windows?
A diversidade, em geral, é considerada uma vantagem. Nós achamos que é. Por outro lado, um monopólio também tem suas vantagens. O que mais se pode dizer? Eles ganham muito dinheiro com o Office e o Windows. O custo de vendas é muito baixo e o volume de desenvolvimento, relativamente modesto. É extremamente lucrativo. E essa é a característica de um monopólio, que você está autorizado a ter. Só não pode abusar.

A IBM planeja montar um centro de cloud computing para empresas de software na China. Por que a ênfase nesta parte do mundo?
O mercado na China está evoluindo rapidamente. É um mercado de tecnologia com crescimento de dois dígitos. Há muitas empresas lá envolvidas em novos modelos e ideais inovadoras. Obviamente, não é um mercado tão maduro quanto os dos países do G8. Mas, em termos de como eles estão trabalhando para dar um salto, está em franca ascensão. Portanto, existe muita oportunidade e muitos projetos interessantes.

No momento, seu crescimento maior é na China?
Certamente é um dos nossos mercados que mais cresce. No ano passado tivemos um crescimento tremendo na região Ásia-Pacífico. Mas o Leste Europeu também está crescendo rápido. O Oriente Médio, vindo de uma pequena base, teve um crescimento de dois dígitos bastante significativo. Vemos taxas de crescimento contínuas. O fenômeno de Dubai atraiu muita atenção no Oriente Médio. Está fomentando interesse em criar expectativas econômicas, centros de investimentos e coisas desta natureza à medida que estes países pensam em se diversificar em relação ao petróleo. E a África tem muito potencial no longo prazo. Ainda é muito emergente, se não pré-emergente, de uma perspectiva do mercado.

Voltando à parceria com o Google para cloud computing. De que modo ela beneficiará a IBM?
Pode até ser que nada resulte da perspectiva do negócio, mas existem lições a serem aprendidas ao fazer isso. Somos uma grande empresa de P&D. Realizamos uma série de projetos que não temos muita certeza no que vão dar em termos de oportunidades de negócio, mas acreditamos que vamos aprender muito com eles. O Google tem alguns bons engenheiros. Nós temos bons engenheiros. Você observa alguns destes problemas acontecendo com os outros e vê o que fica e o que se aplica.

Vemos o Google como um cliente. Também vemos o Google como um potencial go-to-market. E certamente colaboramos com eles em torno de padrões. Sem dúvida, existe uma gama de pontos de interseção, e alguns deles são claros porque você espera que colaboremos em padrões abertos. Outros são mais especulativos em termos de como esta atividade em torno de cloud pode se traduz em uma proposição de valor para o negócio entre vocês dois ou no mercado.

Você se surpreende com este interesse do Google pelo modelo de computação corporativa?
Não, conheço o CEO Eric Schmidt há anos. Não é surpresa. Parte do Google é muito focada no Google como você o vê hoje. Parte está trabalhando na publicidade, aquilo que gera receita para eles. Há outras pessoas com outros backgrounds e experiência, que entendem realmente os modelos de computação corporativa. Eles estão vendo como podem aumentar os negócios. Certamente vão continuar tentando crescer ao fornecer mais capacidade para os consumidores. Eles colocaram uma idéia muito simples em torno da publicidade. No início algumas pessoas viam o Google apenas da perspectiva da busca. Tratava-se de uma guerra de busca. E o Google traduziu a guerra de busca em um modelo de publicidade do século 20 muito tradicional disponibilizado através da web. Muito corriqueiro. Todos nós entendemos a publicidade. Qual é o grande negócio, então? Bem, eles descobriram uma maneira de transformar isso em um grande negócio.

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