Negócios
Lenovo quer mercado corporativo para provar que produtos chineses têm qualidade
Yang Yuanqing, chairman da Lenovo, quer desafiar a percepção de que as empresas chinesas fabricam, principalmente, produtos low-end baratos.
Por IDG News Service, Cingapura
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Para mudar este cenário e demonstrar sua maestria tecnológica, a Lenovo está
promovendo modelos high-end, como o ultra-thin X300 e o IdeaPad, repleto de
recursos em mercados internacionais.
Isso não significa, contudo, que seja a única estratégia da empresa. A Lenovo ainda tem que lançar uma série de produtos low-end fora da China.
Por enquanto, esta estratégia significa que a Lenovo está
perdendo oportunidades no segmento low-end do mercado internacional de PCs,
onde volumes de fornecimento mais altos podem contrabalançar preços mais
baixos. Mas Yang não está preocupado e promete que, quando a Lenovo se firmar como
fornecedora de computadores high-end e mid-range, vai se expandir para
segmentos de produtos low-end.
Recentemente, em entrevista ao IDG News Service, Yang abordou os esforços
contínuos da companhia para ampliar seu negócio fora da China. Leia a entrevista.
IDG News Service: O X300 e o IdeaPad são produtos high-end. A Lenovo tem planos
de enfocar o mercado de PCs low-end fora da China?
Yang Yuanqing: Considero o X300 um produto muito inovador. Ele prova que temos
espírito de inovação. É assim que desejamos nos posicionar. Não queremos que o
público veja a Lenovo como uma companhia que fornece produtos low-end, baratos.
Queremos que as pessoas identifiquem a Lenovo como uma companhia inovadora.
IDGNS: Ao visar os mercados high-end e mid-range, você perde a oportunidade de
fornecer volumes mais altos de sistemas low-end?
Yang: Queremos que a Lenovo seja uma companhia capaz de oferecer uma gama
completa de produtos, de cima a baixo. Mas devemos adotar estratégias
diferentes em mercado diferentes. Fora da China, uma vez que nossa participação
no mercado ainda é muito baixa, precisamos escolher o segmento certo de
produtos para começar. Na China, onde nosso market share é muito alto, podemos
cobrir uma vasta gama de segmentos, de ponta a ponta.
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IDGNS: Quanto tempo a Lenovo vai levar para expandir sua linha de produtos fora
da China e atuar no segmento de produtos low-end?
Yang: Até termos alcançado sucesso na primeira etapa. Vamos começar com
produtos mainstream e topo de linha, depois de termos êxito nestas áreas podemos
considerar outros segmentos.
IDGNS: Isso vai acontecer rápido?
Yang: Espero que sim.
IDGNS: Fala-se cada vez mais em laptops baratos, impulsionados pelo sucesso do
Eee PC da Asustek Computer. A Lenovo vai trabalhar junto com a Intel para lançar
um laptop barato baseado no processador Atom que vem por aí, seja na China ou
em outro lugar qualquer?
Yang: Em uma primeira etapa, vamos trabalhar em parceria na China. Depois que
tivermos êxito na China e, fora da China formos bem-sucedidos nos segmentos
high-end e mainstream, então vamos considerar os produtos low-end fora da
China.
Mesmo se tivermos sucesso com os produtos low-end fora da China, não trará,
realmente, sucesso no longo prazo. As pessoas verão a Lenovo como uma companhia
low-end. É uma preocupação especialmente importante para uma marca chinesa.
Precisamos mudar este pré-conceito que algumas pessoas têm de que a China só é
capaz de produzir produtos baratos. É difícil, mas temos que mudar esta
pressuposição.
IDGNS: Neste momento, a IDC coloca a Acer à frente da Lenovo em termos de
market share mundial de PCs. Até que ponto é importante, para a Lenovo,
recuperar a terceira posição?
Yang: O ranking é apenas o resultado natural do desempenho de uma companhia.
Você não deve estabelecer este tipo de meta. Peço à equipe para enfocar nossas
principais competências e crescer acima da média do setor. Se você sempre
conseguir crescer acima da média, então, definitivamente, você ganhará market
share. E, passo a passo, subirá no ranking.
Nunca estabeleci uma meta de ranking para a equipe. Em primeiro lugar, temos
que nos concentrar mais em criar nossas competências core, em vez de apenas
crescer mais rápido. Isso é mais importante, é o crescimento sustentável.
IDGNS: A Lenovo quase adquiriu a Packard-Bell, mas a negociação fracassou. A
Lenovo tem outras aquisições em vista?
Yang: Aquisições são uma oportunidade de crescimento para nós. Além disso,
temos muita experiência neste tipo de crescimento. Essa se tornou uma das
nossas principais competências, integrar novas empresas e diferentes culturas.
Sem dúvida, vamos explorar esta vantagem para dar aos nossos acionistas um
retorno melhor, mas tem que ser uma boa oportunidade. Se há uma oportunidade
lá, vamos agarrá-la.
IDGNS: Você vislumbra alguma boa oportunidade de aquisição neste momento?
Yang: Não.
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