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Lenovo quer mercado corporativo para provar que produtos chineses têm qualidade

Yang Yuanqing, chairman da Lenovo, quer desafiar a percepção de que as empresas chinesas fabricam, principalmente, produtos low-end baratos.

Por IDG News Service, Cingapura

07 de abril de 2008 - 07h30
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Para mudar este cenário e demonstrar sua maestria tecnológica, a Lenovo está promovendo modelos high-end, como o ultra-thin X300 e o IdeaPad, repleto de recursos em mercados internacionais.

Isso não significa, contudo, que seja a única estratégia da empresa. A Lenovo ainda tem que lançar uma série de produtos low-end fora da China.

Por enquanto, esta estratégia significa que a Lenovo está perdendo oportunidades no segmento low-end do mercado internacional de PCs, onde volumes de fornecimento mais altos podem contrabalançar preços mais baixos. Mas Yang não está preocupado e promete que, quando a Lenovo se firmar como fornecedora de computadores high-end e mid-range, vai se expandir para segmentos de produtos low-end.

Recentemente, em entrevista ao IDG News Service, Yang abordou os esforços contínuos da companhia para ampliar seu negócio fora da China. Leia a entrevista.

IDG News Service: O X300 e o IdeaPad são produtos high-end. A Lenovo tem planos de enfocar o mercado de PCs low-end fora da China?

Yang Yuanqing: Considero o X300 um produto muito inovador. Ele prova que temos espírito de inovação. É assim que desejamos nos posicionar. Não queremos que o público veja a Lenovo como uma companhia que fornece produtos low-end, baratos. Queremos que as pessoas identifiquem a Lenovo como uma companhia inovadora.

IDGNS: Ao visar os mercados high-end e mid-range, você perde a oportunidade de fornecer volumes mais altos de sistemas low-end?

Yang: Queremos que a Lenovo seja uma companhia capaz de oferecer uma gama completa de produtos, de cima a baixo. Mas devemos adotar estratégias diferentes em mercado diferentes. Fora da China, uma vez que nossa participação no mercado ainda é muito baixa, precisamos escolher o segmento certo de produtos para começar. Na China, onde nosso market share é muito alto, podemos cobrir uma vasta gama de segmentos, de ponta a ponta.

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 IDGNS: Quanto tempo a Lenovo vai levar para expandir sua linha de produtos fora da China e atuar no segmento de produtos low-end?

Yang:
Até termos alcançado sucesso na primeira etapa. Vamos começar com produtos mainstream e topo de linha, depois de termos êxito nestas áreas podemos considerar outros segmentos.

IDGNS: Isso vai acontecer rápido?

Yang: Espero que sim.

IDGNS: Fala-se cada vez mais em laptops baratos, impulsionados pelo sucesso do Eee PC da Asustek Computer. A Lenovo vai trabalhar junto com a Intel para lançar um laptop barato baseado no processador Atom que vem por aí, seja na China ou em outro lugar qualquer?

Yang: Em uma primeira etapa, vamos trabalhar em parceria na China. Depois que tivermos êxito na China e, fora da China formos bem-sucedidos nos segmentos high-end e mainstream, então vamos considerar os produtos low-end fora da China.

Mesmo se tivermos sucesso com os produtos low-end fora da China, não trará, realmente, sucesso no longo prazo. As pessoas verão a Lenovo como uma companhia low-end. É uma preocupação especialmente importante para uma marca chinesa. Precisamos mudar este pré-conceito que algumas pessoas têm de que a China só é capaz de produzir produtos baratos. É difícil, mas temos que mudar esta pressuposição.

IDGNS:
Neste momento, a IDC coloca a Acer à frente da Lenovo em termos de market share mundial de PCs. Até que ponto é importante, para a Lenovo, recuperar a terceira posição?

Yang: O ranking é apenas o resultado natural do desempenho de uma companhia. Você não deve estabelecer este tipo de meta. Peço à equipe para enfocar nossas principais competências e crescer acima da média do setor. Se você sempre conseguir crescer acima da média, então, definitivamente, você ganhará market share. E, passo a passo, subirá no ranking.

Nunca estabeleci uma meta de ranking para a equipe. Em primeiro lugar, temos que nos concentrar mais em criar nossas competências core, em vez de apenas crescer mais rápido. Isso é mais importante, é o crescimento sustentável.

IDGNS: A Lenovo quase adquiriu a Packard-Bell, mas a negociação fracassou. A Lenovo tem outras aquisições em vista?

Yang: Aquisições são uma oportunidade de crescimento para nós. Além disso, temos muita experiência neste tipo de crescimento. Essa se tornou uma das nossas principais competências, integrar novas empresas e diferentes culturas. Sem dúvida, vamos explorar esta vantagem para dar aos nossos acionistas um retorno melhor, mas tem que ser uma boa oportunidade. Se há uma oportunidade lá, vamos agarrá-la.

IDGNS:
Você vislumbra alguma boa oportunidade de aquisição neste momento?

Yang:
Não.

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