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Brasscom: encargo trabalhista é maior barreira ao offshore

Presidente da entidade diz que governo precisa se posicionar e apresenta proposta de redução de impostos para o setor.

Por Fábio Barros, do Computerworld

10 de abril de 2008 - 09h57
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Os encargos trabalhistas são o maior entrave à conquista do mercado de offshore por empresas brasileiras. A declaração foi dada nesta terça-feira (08/04), por Antonio Carlos Rego Gil, presidente da Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Softwares e Serviços de TI), que desde o final do ano passado vem fazendo ingerências junto a diversos setores do poder público com o objetivo de solucionar o problema.

Rego Gil lembra que o mercado mundial oferece hoje uma tremenda oportunidade na área de offshore, que vem crescendo a taxas astronômicas. “Este mercado movimentou US$ 70 bilhões em 2007 e a Índia domina 70% dele”, diz o executivo, lembrando que o domínio vem fazendo com que novas alternativas sejam procuradas.

De outro lado, compara, o Brasil vem se mostrando extremamente competente nesta área – é o 8º maior mercado interno de TI do mundo. “O que nos impede de conquistar este mercado? Principalmente o custo de mão-de-obra, que é o dobro de outros mercados”, afirma. Diante disso, a entidade apresentou ao governo, em outubro do ano passado, uma proposta de redução de encargos e investimento em formação de profissionais de TI.

“De lá para cá, mantivemos contato com todos os setores públicos envolvidos na questão”, lembra. A lista inclui encontros com parlamentares, ministros (do Trabalho, da Ciência e Tecnologia, da Educação, culminando com o próprio presidente da República. “Ninguém disse ser contra, mas foram apresentadas ressalvas em se fazer isso apenas para o setor de TI”, diz Rego Gil.

De todo modo, o presidente da Brasscom defende a exclusividade, lembrando que as novas regras – se aceitas – valeriam apenas para o mercado de exportação. “Além disso, é preciso deixar claro que o setor de TI é diferente. Ele afeta a competitividade de todos os outros setores e, mais que isso, estamos falando da possibilidade de exportação sem a necessidade de estradas, portos, navios etc.”, defende.

Em favor de seus argumentos, Rego Gil vem lembrando aos seus interlocutores que, nos últimos três anos, o Brasil perdeu US$ 1,5 bilhão e 32 mil vagas para a Argentina, que tem custos trabalhistas menores e vem desenvolvendo expertise na área de serviços de TI. “O presidente Lula nos disse que vamos transformar o Brasil em um dos três maiores centros de TI do mundo. A afirmação é contundente, mas vamos ver como isso se realiza na prática”.

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