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Saiba como a mobilidade está mudando as redes sociais

Aposta da Nokia na rede social Ovi mostra como esses dois mundos vão atuar em conjunto.

Por Computerworld, EUA

11 de abril de 2008 - 07h30
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A maioria das pesquisas aponta que a Nokia vende 40% de todos os telefones celulares do mundo. Por isso, parece um tanto extraordinário que esteja injetando dinheiro em um portal de rede social.

Mas é exatamente o que este fabricante finlandês de equipamento móvel. está fazendo com o Ovi, lançado no começo do ano.

O Ovi sinaliza como a mobilidade mudará as redes sociais para melhor, de acordo com Randy Kerr. Ele tem uma visão privilegiada: é co-fundador do site de compartilhamento de mídia com recursos de rede social Twango, que a Nokia adquiriu em agosto do ano passado. Rebatizado de Share, o serviço é a primeira peça funcional do Ovi. Kerr e os outros quatro fundadores do Twango agora são funcionários da Nokia.

Para Kerr, a combinação de mobilidade e serviços de cunho social mudará significativamente a natureza de social networking. Em uma entrevista, Kerr debateu estas mudanças e o que ele e a Nokia consideram ser o bravo novo mundo das redes sociais.

As compras da Nokia
A Nokia fez uma verdadeira farra de aquisições no ano passado. O histórico da empresa aponta para as mudanças que podemos esperar em redes sociais móveis, observa Kerr.

Junto com o Twango, a Nokia adquiriu o Loudeye, um serviço de download de músicas, a Gate5, desenvolvedora de software de navegação, e a Enpocket, que possui uma plataforma de publicidade móvel.

A aquisição maior, por 8,1 bilhões de dólares, foi da Navteq, importante fornecedora de tecnologia de mapeamento digital e GPS. A Avvenu, outra aquisição, oferece software para acesso móvel a arquivos baseados em PC, incluindo iTunes.

A compra mais recente, em janeiro, foi a Trolltech, desenvolvedora da plataforma de software Qt baseada no Linux, utilizada para aplicações móveis e desktop como Google Earth e Skype.

Também está na lista o N-Gage, um projeto mais antigo da Nokia que estreou como um hardware híbrido de game/telefone celular, mas se metamorfoseou em uma plataforma de software para games em smart phones.

Juntando as peças em uma nova rede
O Ovi será a interface centralizada, ou portal, para estes serviços aparentemente distintos. Outros serviços também farão parte do mix, segundo Kerr. A maioria dos serviços incluirá social networking, mas esta visão não tem a ver com colocar redes sociais estilo Facebook em telefones celulares.

“Não é a rede social por si só. Acumular milhares de amigos soa falso”, observa Kerr.

Em vez disso, o futuro da rede social, vislumbra Kerr, envolve o conteúdo — e o contexto — das interações sociais. O resultado tornará a rede social mais útil e atrativa tanto para consumidores quanto para usuários corporativos.

“Ao socializar, tirar as aplicações do PC e colocar em contexto, você devolve o foco ao contato pessoa-a-pessoa”, explica Kerr.

Em especial, a rede social móvel vai se expandir para abranger presença, localização e contexto. Uma versão simples de presença há tempos faz parte de programas de mensagem instantânea, que podem informar se seus contatos estão disponíveis. O contexto capitaliza isso —  talvez você esteja disponível, mas somente para pessoas específicas ou depois que chega em um lugar específico.

“Se você está em uma reunião, talvez queira que o próprio telefone entre no modo silencioso e direcione todas as ligações para correio de voz”, diz Kerr. “Poderia ser uma configuração do calendário.” Você também poderia receber ligações de determinadas pessoas em determinadas circunstâncias e, quando o local e as circunstâncias mudassem, receberia ligações de outro grupo de pessoas.

Além disso, Kerr prevê “mashups internos” de serviços capazes, entre outras coisas, de fornecer direções baseadas em GPS para um local mostrado em uma foto no Share ou seguir tags em um vídeo de um show para downloads de músicas de uma banda em um serviço como o Loudeye.

Crescimento orgânico
Mas isso é só o começo desta nova visão de rede social. Interações sociais novas e aprimoradas poderão evoluir naturalmente deste novo tipo de conteúdo sensível ao contexto, acredita Kerr.

No mínimo, a mobilidade acrescentará agilidade à rede social porque as interações sociais vão ocorrer com maior freqüência em tempo real. Ao invés de esperar para retornar aos seus PCs desktop, os usuários poderão enviar updates para suas redes sociais a partir dos seus dispositivos móveis.

Um exemplo mais complexo deste tipo de rede social móvel em tempo real é utilizar capacidade de busca local para encontrar um restaurante em outra cidade e depois usar o GPS para localizar uma pessoa que postou uma análise do restaurante. Kerr chama isso de geo-social networking. Outro exemplo é usar o GPS para localizar amigos ou contatos profissionais nas redondezas a fim de se encontrarem no restaurante em questão.

Uma vez que este novo tipo de rede social intrinsecamente móvel evoluirá naturalmente do ato de estar em movimento, ele será natural para muitos usuários, sustenta Kerr. Melhor ainda, a Nokia e outros fabricantes de telefone vão criar dispositivos móveis que funcionam não só em redes de telefonia celular, mas também em redes Wi-Fi e WiMax. A disponibilidade dos usuários será aumentará significativamente — assim como a capacidade de se conectar com outros na rede.

Envolvendo usuários corporativos
Embora o Ovi esteja sendo desenvolvido como um serviço para consumidores, por enquanto, Kerr reconhece que a utilização corporativa será inevitável. Originalmente, o serviço Twango não tinha foco corporativo, mas isso não demorou a mudar.

“Descobrimos que as pessoas estavam usando o serviço para ampliar o contexto do negócio, além de suas vidas pessoais”, revela Kerr. “Através do telefone celular, as empresas compartilhavam fotos do andamento de um negócio com clientes que estavam de férias, por exemplo. O serviço também era usado para transferências de grandes arquivos que o e-mail não seria capaz de realizar de maneira confiável.”

Para Kerr, o serviço evoluiu tão naturalmente quanto uma ferramenta corporativa, à medida que as distinções entre as vidas pessoal e profissional dos usuários se toldaram.

O Ovi tem metas de natureza pessoal e escopo global.

“Pretendemos alcançar um grande número de pessoas ao redor do mundo que utilizam dispositivos móveis para se manter em contato com a família e se relacionar com pessoas novas para compartilhar interesses e informações — diretamente, todos os dias.”

Opinião do Leitor
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