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Para empresas brasileiras, política de desoneração do governo deveria ir além de exportação

Companhias brasileiras de ERP reconhecem o esforço do governo, mas acreditam que incentivar o mercado interno traria resultados ainda maiores.

Por Vinicius Cherobino, do COMPUTERWORLD

13 de maio de 2008 - 07h30
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Em resposta ao conjunto de políticas anunciadas pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, que pretende quadruplicar as exportações de software ao criar benefícios fiscais para desonerar a indústria, as empresas brasileiras de ERP Datasul, Totvs e Virtus tiveram resposta semelhante: elogiaram as medidas, mas acreditam que desonerar a exportação é só parte do problema.

Laércio Consentino, presidente do grupo Totvs, é o mais crítico. Para ele, o governo ainda precisa resolver o ponto de diminuir os impostos no desenvolvimento de software para o mercado interno. Atualmente, a Totvs tem 5% do seu faturamento vinculado com exportação.

Na versão atual da política de desenvolvimento produtivo, afirma o executivo, a empresa ainda tem que continuar trabalhando com o ‘custo Brasil’ para ter resultados no mercado externo - e assim conseguir os benefícios. “Extrapolando, essa situação pode levar a uma conta que prestar serviços do Brasil para o Brasil pode ser mais caro do que importar de outros países”, disse.

Segundo Paulo Caputto, diretor de desenvolvimento de novos negócios da Datasul, a nova política gera ganhos restritos para a Datasul, “não significa uma diferença fundamental”. “Já faço desenvolvimento no Brasil e sou competitivo no mercado interno. Talvez se não tivéssemos um mercado interno tão relevante, a exportação teria um papel maior para as empresas consolidadas”, comentou. A Datasul possui 9,5% da sua receita vinculada com exportação.

O diretor da Datasul ressaltou, contudo, que o movimento é importante para o setor e vai incentivar a formalização das relações de trabalho. “É um primeiro passo para a indústria e mostra o governo reconhecendo a importância do setor”. E completou: “Agora é a hora das empresas exportarem para colaborar nessa via de duas mãos”.

André Fonseca, presidente da Virtus (recém-formada empresa brasileira de software com a combinação de sete empresas como Automatos e Dedalus), foi o executivo que mais elogiou o projeto.

Fonseca destaca como ponto positivo do programa o fato da desoneração crescer na medida em que a empresa aumenta as exportações. “É um ponto claro: os benefícios surgem conforme as empresas produzem resultados alinhados com os interesses estratégicos do País”.

Para o presidente da Virtus, que tem 10% do seu faturamento vinculado com a exportação e o objetivo de aumentar essa taxa para 25% em três anos, a nova realidade facilita atingir a meta. “Ficou mais fácil chegar aos 25% da receita com exportação, podemos chegar antes”. Ele, contudo, termina com uma ressalva: “Resta saber se a política vai, de fato, virar realidade”.

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