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Associações querem que governo pare de desenvolver software

Presidente da Abes diz que empresas públicas de desenvolvimento de aplicações competem com iniciativa privada. Entidades apresentarão propostas para o setor

Fabiana Monte, do COMPUTERWORLD

21 de maio de 2008 - 19h38
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Associações da área de software apresentarão um documento ao governo federal solicitando que empresas e órgãos públicos deixem de desenvolver e importar aplicações. “Queremos que o governo pare de fazer software e de concorrer com a iniciativa privada”, defende José Curcelli, presidente da Abes (Associação Brasileira das Empresas de Software). “Serpro, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal montaram empresas de desenvolvimento de software”, enumera.

Curcelli discorda que este tipo de iniciativa tenha surgido para cobrir um possível lapso do mercado brasileiro e defende que há anos o país está bem posicionado na área de desenvolvimento de aplicações. “É claro que é diferente no caso de um software para uma necessidade muito específica que nós não oferecemos”, pondera.

A reivindicação faz parte de uma iniciativa conjunta da Abes com outras três entidades – Assespro (Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet), Softex (Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro) e Sucesu (Associação dos Usuários de Informática e Telecomunicações). As quatro uniram forças para apresentar ao governo federal uma proposta de políticas de desenvolvimento para o segmento.

Curcelli, no entanto, garante que a idéia é anterior à Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), anunciada no dia 12/05. De acordo com ele, desde janeiro, as quatro associações vêm discutindo temas de interesse comum que possam ser apresentados em conjunto para o governo – estadual ou federal -, com o objetivo de simplificar a abordagem junto ao governo.

Segundo o presidente da Abes, os aspectos da PDP ligados à exportação de software foram baseados em trabalhos desenvolvidos pelas associações. “Não estamos pegando carona na política, inclusive, participamos ativamente para que ela fosse lançada”, garante. “Nossa proposta é completa, abrange aspectos tanto para importação quanto para exportação”, completa.

A nova proposta que as associações querem apresentar ao governo inicialmente terá foco em dois aspectos: compras públicas e formação de capital humano. A reivindicação ligada à suposta concorrência do governo no desenvolvimento de software faz parte do tema compras públicas.

Para Curcelli, as novas regras para contratação de serviços de TI anunciadas pelo governo não trazem impactos negativos ou positivos para o setor. “Queremos apenas que o governo use a lei 8666 (que institui normas para contratos e licitações de órgãos públicos), não doe software e não concorra conosco”, ressalta.

Já o assunto capital humano tratará de questões ligadas a investimentos em formação, com a realização de trabalhos junto a universidades para preparar estudantes para o mercado de trabalho - assuntos abordados também no PDP. O documento com as propostas das associações será apresentado na próxima quinta-feira (29/05), em Brasília. "O trabalho é extenso. Vamos apresentá-lo e traçar planos para que as propostas aconteçam", finaliza Curcelli.

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