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Silvio Genesini afirma que dois terços das aquisições da Oracle serviram para atuar contra a SAP

Presidente da Oracle Brasil comenta as 40 aquisições da companhia e afirma que a estratégia é ganhar clientes nos setores em que os concorrentes são fortes.

Por Luiza Dalmazo, do Computerworld

27 de maio de 2008 - 09h28
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Silvio Genesini sabe de cabeça quantos "filhos adotivos" tem. Nos últimos três anos, desde que se tornou o presidente da Oracle Brasil, a empresa adquiriu 40 companhias.

Aliás, essa é a estratégia da organização, liderada por Larry Ellison. O presidente da unidade nacional acredita que a Oracle atingiu sua meta de completar os produtos nas áreas de infra-estrutura (arquitetura orientada a serviços, banco de dados e sistemas de gestão), para ser mais eficaz na atuação em verticais que considera vitais: varejo, telecomunicações, finanças e utilities.

Cada uma das aquisições foi importante para que a empresa tivesse uma base instalada mais expressiva onde os concorrentes eram mais fortes, segundo Genesini. "Dois terços dos negócios fechados serviram para atuar contra a SAP", afirma.

O que mais explica as aquisições, no entanto, não são as compras de empresas de sistemas de gestão. Genesini explica que os produtos que se integram ao ERP receberam atenção. "Nós sabemos que os clientes não vão comprar tudo o que precisarem de TI da Oracle. Então nos preocupamos em ser eficientes na integração", explica.

O executivo avalia que os sistemas de gestão atendem 80% das necessidades dos clientes, principalmente se forem empresas que atuem em áreas de manufatura diferente da discreta – para quem os ERPs foram criados.

Por isso, uma das apostas da Oracle de mais destaque é SOA. "As empresas gastam muito com integração. E algumas dessas integrações são antigas, anteriores ao SOA. Nossa intenção é evitar que a TI continue sendo vista mais como um problema do que uma solução", define.

Para isso, Genesini acredita que a arquitetura orientada a serviços será a forma como as empresas vão se preparar para o futuro – já que "o mundo será formado por arquiteturas de soluções complexas". Em função disso, ele apóia cada uma das aquisições anunciadas por Larry Ellison e diz que recebe muito bem "os filhos adotivos".

Aquisição em vez de desenvolvimento interno
A estratégia da Oracle é simples e direta. Com as aquisições, a empresa espera fortalecer seus produtos, acelerar a inovação, aumentar a base de clientes mais rapidamente e expandir também a oportunidade de parcerias.

"É louco pensar que há quem defenda que só se pode crescer com inovação. É bizarro que exista um estigma de comprar algo ao invés de construir isso por conta própria", afirmou o CEO da empresa, Larry Ellison, em um artigo publicado no New York Times. A companhia defende que atualmente as empresas estão mais baratas do que na época da bolha da internet.

De acordo com uma pesquisa recentemente divulgada pela Forrester Research, para os fornecedores de software corporativos, o raciocínio por trás de aquisições pode ser dividido em três partes: aumentar a base de clientes, comprar novas linhas de produtos e aumentar a capacidade do negócio.

Havia um tempo em que a Oracle, por meios próprios, poderia construir produtos inovadores internamente, diz um dos analistas responsáveis pela pesquisa, Ray Wang. Mas a compra da PeopleSoft no final de 2005 mudou isso para sempre. A Oracle estava caminhando para o mercado de aplicativos e precisava evoluir rapidamente. Isso aconteceu com a compra de pequenas empresas iniciantes e de grandes competidores.

"Eles precisavam comprar mais do que clientes, porque não estavam no páreo com a SAP no setor de aplicativos de mercado e procuravam um meio de fazer uma reviravolta. A parte mais lucrativa do negócio é a manutenção de software", afirma Wang.

Mas é claro que a Oracle não é a única empresa que está chamando atenção com aquisições ultimamente. A SAP comprou a BO, a Oracle comprou a Hyperion, IBM a Cognos e a Microsoft pelo menos tenta comprar o Yahoo. Os dados do Forrester mostram que essas quatro grandes empresas detêm 35% do mercado global de software. Até o final de 2008, o número pode alcançar 39%, conforme as previsões do estudo.

Portanto, a estratégia da Oracle faz sentido, "agora e no futuro", destaca Wang. Para o analista, a companhia tem sido capaz de alcançar margens de lucro de 50% e tem também mantido clientes, além de estar em boa posição para competir com a SAP em curto prazo e contra a IBM em longo prazo, na medida em que acrescentam integração de componentes de software.

O gongo já soou. Basta aguardar o resultado dos próximos rounds.

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