Negócios
Quais são os desafios tecnológicos dos bancos brasileiros hoje?
IDC estima crescimento médio de 9% no orçamento de TI dos bancos. Entenda quais são as prioridades tecnológicas do setor.
Por Fabiana Monte, do COMPUTERWORLD
Compartilhe:
O orçamento dos bancos para a área de Tecnologia da Informação deverá crescer, em média, 9% em 2008, segundo estimativas da IDC. Isso significa um montante de 8,5 bilhões de reais, valor contra 7,8 bilhões de reais investidos em 2007.
De acordo com Mauro Peres, presidente da consultoria no Brasil, o setor bancário tenta racionalizar investimentos, de forma a não aumentar demais um orçamento que já é grande. “Vemos muitos bancos com investimentos, mas procurando manter os valores próximos da base”, analisa.
Peres explica que as prioridades variam de banco para banco, mas alguns temas atualmente no centro das atenções são contingência, governança e revisão de arquiteturas, com foco em SOA.
Acompanhe a cobertura completa do CIAB 2008.
Em pesquisa realizada pela revista CIO, 40% dos executivos afirmaram que o assunto está na pauta deste ano. Edson Fregni, sócio-fundador da consultoria Sciere, concorda. “Não se trata apenas de trocar os sistemas, mas buscar novas arquiteturas orientadas a serviço”, esclarece o consultor, que acaba de elaborar um estudo sobre os possíveis cenários para o setor nos próximos 15 anos.
Sistemas complexos
Carlos Eduardo Correia da Fonseca, diretor de tecnologia da Febraban, ressalta que o desafio de TI para o setor bancário é sempre o mesmo: garantir a satisfação dos clientes. “A tecnologia é a base para isso. O pulo do gato é ser cada vez mais simples”, ensina.
Mas em contrapartida à exigência de soluções mais simples, as áreas de TI dos bancos têm que lidar com infra-estruturas e sistemas cada vez mais complexos, com soluções de múltiplos fornecedores e padrões.
“Há 30 anos, a área de tecnologia era muito simplória, com computadores de algumas empresas, que rodavam soluções de poucos fornecedores”, relembra Fregni. “Hoje, as soluções entram profundamente nas empresas, estão no processo decisório”, pondera.
Pesquisa feita pela IBM com mais de 1,25 mil correntistas aponta necessidade dos bancos em ouvir seus clientes para melhorar relacionamento.
Tornando ainda mais complexo um ecossistema já repleto de variáveis, surge a intensificação do uso de tecnologias como dispositivos móveis e web 2.0. O Banco do Brasil foi um dos pioneiros na oferta de produtos de mobile payment e, na lista de desafios da CIO do Banco do Brasil, Glória Guimarães, está o desenvolvimento de novas soluções de atendimento a clientes ligadas à mobilidade.
O Banco Real também está testando em algumas agências soluções de atendimento ainda consideradas inovadoras, como reconhecimento facial por biometria, oferta de financiamento imobiliário por meio de TV digital e extrato interativo.
Em entrevista por e-mail, Sergio Costantini, CIO do Banco Real, disse que um dos grandes desafios da área de TI é fornecer soluções tecnológicas que tragam diferencial competitivo para a organização.
Mais canais de atendimento exigem maior sofisticação dos recursos de segurança. O Bradesco entendeu a dinâmica e dedica de 7% a 8% de seu orçamento de TI, que soma 2 bilhões de reais, para a área de segurança.
“O banco tem quase como obrigação reduzir os impactos de segurança na casa do cliente, porque queremos que esses canais se mantenham vivos”, afirma Laércio Cezar, vice-presidente da instituição.
O desafio, que parece fazer parte das velhas metas, ganhou nova face. Agora, a questão não é simplesmente oferecer segurança, mas fazê-lo com o menor impacto possível no uso que o cliente faz do serviço. Neste cenário, a biometria aparece como alternativa.
O Bradesco tem 570 ATMs com leitor das veias da palma da mão em 267 agências. O banco acaba de adquirir outras 2 mil máquinas do tipo e prevê a aquisição de outras 4,4 mil. De um total de 27 mil ATMs, 6,4 mil terão kit biométrico. O banco tem 180 mil clientes com informações biométricas cadastradas, que realizam 120 mil transações por mês. “Nosso alvo é fazer coisas que não sejam complicadas”, defende Cezar.
CW Connect - Participe da rede social criada pelo COMPUTERWORLD para profissionais de TI e telecomunicações.
Conheça os 100 melhores CIOs do país
60 melhores empresas de TI e Telecom para trabalhar
A elite do RH de TI e Telecom no Brasil
Computerworld e Instituto GPTW apresentam as Melhores Empresas de TI e Telecom para Trabalhar 2009.
Veja o Especial


