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Negócios

O fim da era Gates

Por Vinícius Cherobino, do COMPUTERWORLD

23 de junho de 2008 - 07h00
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Para Laércio Cosentino, presidente do grupo Totvs, a aposentadoria de Gates acontece no momento em que está em curso a segunda grande fase da história da TI, com foco na disponibilização, recuperação e uso das informações através da convergência digital. “Bill Gates representa o grande marco da primeira fase da história da tecnologia da informação, a da disseminação do uso do computador. Mas esta segunda fase está sob a coordenação de outros ícones. Por isso sua aposentadoria é algo que o mercado irá assimilar rapidamente”, afirma.

Além da criação, a passagem de Gates pelo mercado de TI marcou também por sua perspicácia em negócios. “Freqüentemente ele é apontado como um guru tecnológico, mas acho que se destacou mais como homem de negócios. Ele sempre atuou com muita agressividade para avançar nos mercado de interesse da Microsoft”, acredita André Fonseca, presidente da Virtus.

Horácio Fialho Moreira, consultor da Plano Tecnologia, também destaca lances do homem de negócios, “como quando a Microsoft enfrentou e superou produtos que eram melhores tecnicamente, como o Microfocus Cobol ou quando fez um acordo altamente vantajoso com a Sybase que possibilitou um desenvolvimento muito rápido do Microsoft SQL Server”.

A lista de Fialho inclui ainda a batalha incrível para tornar o Windows NT um sistema operacional para servidores, quando a mídia achava uma missão muito difícil, dizendo que “a Microsoft é boa para a interface do cliente”. Ele lembra que consultores e profissionais de alto nível técnico defendiam, à época, soluções mistas – os chamados Open Systems -, onde o Unix ocuparia o lugar do servidor e o Windows ficaria somente no cliente.

“Mas o Gates insistiu e o NT ocupou o espaço que na seqüência passou a ser do Windows Server, hoje um produto consagrado”, diz. O executivo lembra ainda de vitórias ainda mais surpreendentes, como as do Internet Explorer contra o Netscape Navigator e do MSN Messenger contra o ICQ. “Em ambos os casos, a Microsoft foi acusada de dumping, mas no fim das contas, nada ficou provado, nem a empresa ficou prejudicada em sua célere caminhada rumo ao sucesso”, afirma Fialho.

Trabalho de caridade

Dos vários milionários e bilionários que surgiram com a indústria do software e do computador pessoal, a maioria continuou na ativa, seja nas empresas que fundaram ou construindo uma carreira nas corporações do Vale do Silício. “Dessa geração, apenas o Wozniak (co-fundador da Apple) e o Allen (co-fundador da Microsoft) foram viver como milionários. O que normalmente acontece com quem enriquece assim é trabalhar até uns 40 anos e viajar pelo mundo”, comenta Coen.

O professor ressalta que os fundadores da indústria de TI que ficaram na ativa, estavam tão envolvidos com a atuação no setor que demoraram até para assumir funções tradicionais de bilionários. “Gates demorou para começar uma fundação de caridade. O Rockefeller partiu para a caridade com o seu primeiro bilhão”, comenta.

Na rede social CW Connect - a primeira comunidade do Brasil criada para profissionais de tecnologia e telecomunicações - Horácio Fialho Moreira diz em seu blog: "...mesmo com uma trajetória admirável, Bill Gates, como todo ser humano, não é infalível, e se aposenta vendo sua empresa ser superada pela Google, a empresa de tecnologia mais valorizada no mundo hoje". Acesse também e participe .

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