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Apesar da crise, Lehman Brothers mantinha investimentos em TI

No trimestre encerrado no dia 31 de agosto a instituição investiu US$ 309 milhões em tecnologia e comunicações.

Por IDG News Service, Europa

15 de setembro de 2008 - 16h22
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Apesar do processo de falência, o banco Lehman Brothers estava ampliando seus investimentos em TI. No último trimestre, encerrado no dia 31 de agosto, a instituição investiu 309 milhões de dólares em tecnologia e comunicações, mais que os 282 milhões de dólares investidos no mesmo período do ano anterior.

De acordo com o balanço do banco, os gastos com TI cresceram 18% de 2006 para 2007, chegando a 1, 145 bilhão de dólares. Ainda de acordo com o documento, o valor reflete os custos crescentes com gerenciamento de plataformas.

A instituição estava fortemente envolvida em um grande número de projetos relacionados à tecnologia em Londres e outras cidades. Há poucos meses, o banco havia anunciado uma joint-venture com a Bolsa de Valores de Londres para a criação de uma plataforma de alta velocidade para negociação de ações, chamada Baikal.

Programada para ser lançada no primeiro trimestre de 2009, a Baikal manteria o anonimato dos acionistas, permitindo que suas estratégias continuassem secretas. Uma porta voz da Bolsa de Londres disse que a instituição continua comprometida com o projeto. “A Baikal é uma solução de mercado eficiente para os negócios institucionais”, comentou.

“Desde o anúncio em junho deste ano, nós tivemos cerca de 80 reuniões com potenciais usuários da plataforma. Ela teve uma recepção muito positiva por parte de investidores institucionais e vários bancos de investimentos demonstraram interesse em ter uma parte da iniciativa, assim como em utilizar seus serviços”, disse.

Tanto é assim, que no dia 05 de setembro o Credit Suisse anunciou uma parceria com o Lehman Brothers com o objetivo de integrar a plataforma a outras existentes nos Estados Unidos – AES CrossFinder e LXSM. O banco suíço preferiu não se pronunciar sobre o impacto da falência de seu parceiro no projeto.

Para Ralph Silva, analista sênior do Tower Group, “as unidades do Lehman que atualmente vendiam tecnologia a outros bancos devem ser vendidas. Todos os bancos estão preocupados sobre a possibilidade de perder tecnologia, e querem que mais soluções sejam desenvolvidas internamente. Neste tipo de situação, eles tendem a negociar a compra dos códigos, no todo ou em parte. No caso do Lehman, as ligações telefônicas já devem estar acontecendo”.

Para Katy Ring, analista do Bathwick Group, a quebra do banco pode ter um efeito profundo na indústria de TI. “O setor de serviços financeiros é um dos que mais investe em TI. A quebra de uma instituição como o Lehman cria uma repentina queda de vendas para todo o setor”, avalia.

“Há algumas áreas de TI que têm que manter seus investimentos para atender requisitos de governança e regulatórios, como as áreas de segurança de dados ou integridade transacional. Mas há outras onde os gastos devem cair drasticamente, como projetos de atualização do Vista e o desenvolvimento de aplicativos web 2.0 para suporte a novas oportunidades de negócios, por exemplo”, compara Katy.

A analista lembra, ainda, que na área de serviços de TI, o movimento que deve ser visto em curto e médio prazo é a procura por fornecedores que tenham escala e automação que possam migrar seus clientes para plataformas padrão que permita a estas empresas operar a um custo mais baixo.

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