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Alta do dólar começa a afetar fabricantes de hardware

Fabricantes de computadores já setem os efeitos da crise e tomam decisões estratégicas. Positivo aumentou os preços em até 15%.

Por Rodrigo Caetano, do COMPUTERWORLD

10 de outubro de 2008 - 07h00
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A crise econômica já começa a afetar as vendas de hardware no Brasil. Com a alta do dólar, os fabricantes nacionais de computadores estão tendo de rever as estratégias de preços e alguns, inclusive, não estão vendendo até terem uma noção melhor do quanto cobrar.

É o caso da Semp Toshiba Informática. A empresa suspendeu a entrega de equipamentos para o varejo por não conseguir definir um preço para os produtos. Com 70% dos custos relacionados à produção de computadores dolarizados, a indústria espera para ver até quando a moeda americana vai ficar oscilando de maneira tão brutal.

Na terça-feira (08/10), o dólar chegou a bater em 2,40 reais. Após duas intervenções do Banco Central, a moeda americana caiu um pouco, fechando cotada a pouco mais de 2,30 reais. Valor bem acima dos cerca de 1,70 real registrados até pouco tempo. Ontem, o BC resolveu agir mais uma vez e garantiu uma queda de mais de 3% do dólar, que fechou em 2,20 reais.

Outra empresa que precisou tomar uma decisão foi a Positivo. A fabricante de computadores aumentou entre 10% e 15% o valor de seus produtos. Segundo Ariel Leonardo Szwarc, vice-presidente financeiro e diretor de relações com investidores da companhia, o porcentual representa um acréscimo próximo de 100 reais no valor dos produtos.

“Temos cobertura cambial, o valor do nosso inventário não é impactado pelo preço do dólar no dia. Mas, tivemos de tomar uma decisão, porque nossos revendedores não podem esperar o dólar estabilizar”, afirmou o executivo.

Por conta dessa cobertura, segundo o diretor, a empresa pode repassar o aumento de custos relacionados ao câmbio de forma gradativa, sem ter de ficar refém do sobe e desce diário da moeda americana.

Ainda não é possível saber se o aumento chegará ao consumidor final, uma vez que cabe aos varejistas repassarem, ou não, o acréscimo. De acordo com Szwarc, no entanto, os pedidos de novas máquinas não foram afetados. “O computador continua como o bem preferido da população e estamos entrando em um período muito importante para as vendas”, afirmou o executivo, fazendo referência ao natal que se aproxima.

Segundo Szwark, o dólar subiu além do que devia. “Para os fundamentos econômicos atuais, a alta foi muito grande”, diz o diretor. De acordo com o executivo, as oscilações diárias da moeda americana levam certo tempo, dependendo da linha de produtos, para afetar o preço dos insumos.

De qualquer forma, existe um impacto grande, já que 70% dos custos de fabricação dos computadores são em dólar. “Obviamente, continuamos de olho no dólar”, enfatiza o diretor. Segundo Szwark, a Positivo tem hoje uma posição sólida, de liderança no mercado, e não deve ter muitos problemas com a situação cambial.

Opinião do Leitor [1 comentários]

A velho e sempre presente causa e efeito

Bom, apesar de sempre comentado, continuamos com o mesmo problema recorrente. As empresas continuam repassando os custos de seus produtos de maneira que estes custos, cedo ou tarde, cheguem ao consumidor final. Sendo assim, voltamos a velha história, tentamos corrigir os sintomas e não as reais causas dos problemas. Qual a % de imposto que pagamos ao adquirir um bem, neste caso, de tecnologia? E por que é mais fácil ou comodo simplesmente repassar aumentos ao invés de trabalhar junto a outras empresas e instituições na quebra das barreiras tributárias que temos hoje? Esta mesma situação não se aplica somente as empresas de TI, claro, mas afeta diretamente a produtividade de lucratividade das mesmas que, enquanto não fizerem nada para quebrar este círculo vicioso, continuarão a atacar somente os já comentados efeitos e não suas causas.

Vale lembrar que o aumento dos custos dos produtos, em um momento de crise como este, pode ser um tiro no pé. Ou vocês acreditam que as pessoas vão deixar de comprar comida e outros bens de necessidade pra comprar um PC? A não ser que se esteja fabricando PCs comestíveis agora.
Chris - 13 Out 2008, 13h56
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