Negócios
Guido Mantega assume que a crise pode ser a maior desde 1929
No documento, apresentado durante a reunião do Conselho Político, o ministro detalha a resposta do Governo à restrição do crédito e projeta um PIB de 4,5% para 2009.
Por Redação Channel World
Enquanto consultores e canais consideram que o mês de outubro deve ser decisivo para a análise dos desdobramentos da instabilidade financeira sobre o cenário brasileiro, o próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, assumiu - em uma apresentação para o Conselho Político (realizada no início desta semana) - que essa talvez seja a mais forte crise mundial desde 1929, quando ocorreu o crash na bolsa de Nova York.
Ainda segundo a apresentação do ministro, o mundo vive a fase aguda da crise. Nesse sentido, ele enfatiza que o Brasil começa a sofrer com o travamento do crédito externo e o encarecimento do crédito doméstico, bem como com perdas patrimoniais no mercado acionário, empoçamento da liquidez (movimento no qual instituições financeiras em melhor situação não emprestam recursos) e incertezas para 2009.
Entre as respostas imediatas do Governo brasileiro à restrição de crédito, Guido Mantega elenca as seguintes iniciativas: empréstimos de curto prazo em dólar para o sistema bancário; utilização das reservas e swap; redução do compulsório; aumento dos recursos do BNDES e das linhas pré-embarque; e antecipação dos desembolsos para a safra 2008/09.
O ministro também avalia que os países emergentes, como o Brasil, devem ser menos afetados pela instabilidade financeira do que os mercados desenvolvidos. Para tanto, ele cita, além da estabilidade e crescimento econômico, a própria situação das bancos brasileiros. Para tanto, Mantega apresenta um relatório da revista norte-americana 'The Bankers' e na qual a rentabilidade dos bancos brasileiros ultrapassa os 3% (retorno sobre ativos), contra menos de 1% nos Estados e no Reino Unido.
Por fim, a apresentação do ministério da Fazenda aponta que o Brasil deve manter a previsão de crescimento de 5% no PIB de 2008, caindo para 4,5% no próximo ano - quando as expectativas do Governo apontavam para a manutenção dos 5%.
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