Negócios
Alta do dólar já afeta indústria de PCs no Brasil
Fabricantes de computadores aumentam preços dos equipamentos, bem como interrompem as vendas até que seja estabelecido um novo valor para o dólar.
Por Rodrigo Caetano, do COMPUTERWORLD
A valorização do dólar levou muitos fabricantes nacionais de computadores a rever os preços dos equipamentos e, em casos mais graves, até mesmo, interromper as vendas até que seja estabelecido um novo patamar para a moeda norte-americana.
A Semp Toshiba Informática, por exemplo suspendeu a entrega de equipamentos para o varejo por não conseguir definir um preço para os produtos. Com 70% dos custos relacionados à produção de computadores dolarizados, a indústria espera para ver até quando a moeda americana vai ficar oscilando de maneira tão brutal.
Leia a cobertura completa da crise para o canal de distribuição
Na terça-feira (08/10), o dólar chegou a bater em 2,40 reais. Após duas intervenções do Banco Central, a moeda americana caiu um pouco, fechando cotada a pouco mais de 2,30 reais. Valor bem acima dos cerca de 1,70 real registrados até pouco tempo. Ontem, o BC resolveu agir mais uma vez e garantiu uma queda de mais de 3% do dólar, que fechou em 2,20 reais.
Outra empresa que precisou tomar uma decisão foi a Positivo. A fabricante de computadores aumentou entre 10% e 15% o valor de seus produtos. Segundo Ariel Leonardo Szwarc, vice-presidente financeiro e diretor de relações com investidores da companhia, o porcentual representa um acréscimo próximo de 100 reais no valor dos produtos.
“Temos cobertura cambial, o valor do nosso inventário não é impactado pelo preço do dólar no dia. Mas, tivemos de tomar uma decisão, porque nossos revendedores não podem esperar o dólar estabilizar”, afirmou o executivo.
Por conta dessa cobertura, segundo o diretor, a empresa pode repassar o aumento de custos relacionados ao câmbio de forma gradativa, sem ter de ficar refém do sobe e desce diário da moeda americana.
Ainda não é possível saber se o aumento chegará ao consumidor final, uma vez que cabe aos varejistas repassarem, ou não, o acréscimo. De acordo com Szwarc, no entanto, os pedidos de novas máquinas não foram afetados. “O computador continua como o bem preferido da população e estamos entrando em um período muito importante para as vendas”, afirmou o executivo, fazendo referência ao natal que se aproxima.
Segundo Szwark, o dólar subiu além do que devia. “Para os fundamentos econômicos atuais, a alta foi muito grande”, diz o diretor. De acordo com o executivo, as oscilações diárias da moeda americana levam certo tempo, dependendo da linha de produtos, para afetar o preço dos insumos.
De qualquer forma, existe um impacto grande, já que 70% dos custos de fabricação dos computadores são em dólar. “Obviamente, continuamos de olho no dólar”, enfatiza o diretor. Segundo Szwark, a Positivo tem hoje uma posição sólida, de liderança no mercado, e não deve ter muitos problemas com a situação cambial.
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