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Crise nos EUA: Abrir código de sistemas de risco aumenta a transparência

Ainda é desconhecido o grau de envolvimento da TI na profunda crise de Wall Street, mas uma maneira de evitar que isso aconteça de novo é o código aberto.

Computerworld, EUA

10 de outubro de 2008 - 17h41
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Erik Gerding, professor-assistente de direito na Universidade do Novo México, EUA, e  pesquisador sobre mercado de ações e bolhas financeiras, criticou a confiança da SEC (Órgão regulador do mercado financeiro equivalente à CVM brasileira) na TI.

Segundo ele, essa confiança significou uma "terceirização" na regulamentação das instituições financeiras, já que a gestão de riscos era feita por programas proprietários de análise de risco dos próprios bancos.

Como resolver isso? Com código aberto. O professor afirma que abrir os códigos dos sistemas de análise de risco - de maneira semelhante ao software open source - melhora a transparência nos serviços financeiros.

Os modelos de risco em finanças têm centenas de variáveis e são tão complicados como os modelos para análise meteorológicas, além de precisar de uma capacidade gigantesca de processamento.

A confiança da SEC nestes sistemas ficou tão grande que a organização modificou a regulamentação do sistema financeiro.

No dia 28 de abril de 2004, a SEC - sob pressão dos bancos - relaxou as regras de gestão de riscos, concordando em confiar apenas nos modelos computacionais das instituições financeiras em gerenciar riscos. Esta decisão, que teve pouca atenção na ocasião, voltou aos holofotes por conta de reportagem do The New York Times.

O professor Gerding escreveu em ensaio que o órgão regulador ficou mais confortável com os níveis crescentes de riscos assumidos pelos bancos por acreditar que os próprios bancos seriam aqueles responderiam pelo prejuízo. 

"As instituições financeiras, diversos órgãos reguladores presumiram, já tinham eficazmente gerenciado o risco graças aos modelos avançados de gestão - um tipo de sistema – que eles usavam," escreveu Gerding.

Confiança na tecnologia
A SEC decidiu pela tecnologia em um momento em que a confiança em TI estava alta. O discurso de Allan Greenspan, o antigo chairman do Banco Central dos Estados Unidos, em 2005, não dava margem à desconfiança. Ele disse que a tecnologia e os novos modelos de avaliação de crédito deram aos bancos meios de “eficientemente estender o crédito para um espectro maior de consumidores.”

O que fazia parte deste “maior espectro” de consumidores? As pessoas que não tinham condições de assumir uma hipoteca (o chamado subprime). "Se antes o interessado teria o seu pedido de hipoteca negado, os bancos agora são capazes de julgar com eficácia o risco representado por esses interessados e colocar um preço apropriado nesse risco," discursou Greenspan, que deixou o cargo em 2006.

Mas a idéia de Greenspan de que os bancos estavam com capacidade tecnológica para analisar o risco estava errada. Estimativa da RealtyTrac acredita que mais de 1 milhão de pessoas perderam as suas casas apenas em 2008. Em 2007, 400 mil pessoas perderam as suas casas.

O impacto financeiro dos empréstimos ruins se alastrou por todo sistema financeiro. Conforme as hipotecas ‘podres’ foram vendidas e passaram a ser combinadas com outros investimentos, o entendimento sobre o risco real foi ficando cada vez menor, parte de responsabilidade dos modelos de risco.

O professor Gerding acredita que a solução é abrir os códigos financeiros, o que permitiria que os bancos e as agências de avaliação de risco vejam o código real para modelos que são usados para gerenciar os riscos.

"Assim como software open source, outros usuários seriam capaz de copiar e modificar esses modelos para o próprio uso," acrescentou Gerding, que disse também que o open source diminui a possibilidade de bugs.

Ao contrário dos Estados Unidos, as agências reguladoras da Europa auditam os modelos de risco para aumentar a transparência e a confiança, afirma Lisa Cash, vice-presidente da DFA Capital Management. Quanto mais transparência, "fica melhor para o nosso mercado," ela disse. Os reguladores europeus analisam os códigos, mas não revelam.

Outros especialistas não acreditam que melhorar a transparência será resultado de simplesmente abrir o código. Peter Teuten, presidente da Keane Business Risk Management, acredita que não resolve padrões comuns em gestão de risco ou algo como "um teste de stress universal" para mais do que testes básicos.

Teuten questiona o open source como modelo por ter a capacidade de liderar a desenvolvimento não-centralizado. Ele acredita, no entanto, que vão surgir padrões da atual crise.

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