Negócios
Resultados ruins e menos IPOs: os impactos iniciais da crise na TI
Faturamentos que desapontam investidores e redução no número de IPOs são dois sinais de que a crise está atingindo pesado o setor de tecnologia.
Por Network World, EUA
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Dois dos maiores impactos da crise financeira nos Estados Unidos na indústria de TI estão na diminuição dos ganhos dos fornecedores do setor e na redução de empresas abrindo capital.
A gigante de software SAP disse que a preocupação com o mercado de ações culminou em uma "queda muito rápida e inesperada nos negócios," o que resultou em ganhos menores do que o esperado pela empresa alemã. Já a empresa de CRM RightNow falou que perdeu dinheiro nas suas despesas operacionais por que os clientes estão levando mais tempo para pagar as suas contas.
Os IPOs são menos freqüentes do que em 30 anos. Isto é péssimo para a tecnologia, tipicamente o setor que faz mais IPOs do que qualquer outro.
Como se não bastasse, clientes devem gastar menos com novos produtos em uma economia fraca. A pergunta é quanto tempo a instabilidade vai continuar.
"Não está claro se este é o fundo do poço. Quanto mais piorar, mais tempo vai levar a recuperação," disse Charles King, analista da Pund-IT.
Alguns analistas financeiros diminuíram as previsões de ganhos para companhias como IBM, HP, Dell, Sun e EMC.
Mas a IBM, que antecipou a divulgação de resultados, relatou uma alta de 20% na receita do terceiro trimestre e garantiu que a previsão de lucro segue inalterada.
O setor de storage está indo relativamente bem nesse período. É difícil evitar comprar storage quando não pára de crescer a quantidade de dados para ser armazenados, apontou King. A virtualização também deve seguir forte por reduzir custos dos clientes, acrescentou.
Mas, para ele, empresas como a SAP e Sun devem continuar a sofrer porque têm muitos clientes no setor financeiro – o foco da atual crise nos EUA. “Há muita incerteza no setor financeiro. Acredito que as compras vão diminuir dramaticamente”, disse.
A SAP anunciou que seus ganhos no terceiro trimestre, ainda que maiores do que os do mesmo período do ano passado, ficarão em 2,6 bilhões de dólares, menos do que o estimado inicialmente. A notícia derrubou as ações da SAP em 15%.
"Nós tivemos um bom desempenho durante todo o quartil. A predicabilidade desapareceu quando a crise financeira se acelerou dramaticamente, tendo um forte impacto na nossa capacidade de fechar novos contratos. Diversos clientes deixaram clara a necessidade de se focar em preocupações mais de curto prazo e colocaram os investimentos de TI em espera por enquanto", disse o co-CEO Henning Kagermann.
A SAP não é a única com esse problema. Para David Mitchell, da Ovum, várias empresas de TI tiveram "contratos cancelados ou rejeitados [nas duas últimas semanas de setembro] por conta do atual clima do mercado”.
A Ovum afirma que as empresas devem tentar sobreviver à tempestade econômica diversificando os produtos e serviços, além de buscar outras regiões como Europa, Oriente Médio e Ásia-Pacifico.
A maior rival da SAP, a Oracle, aparentemente está indo bem, aponta relatório do Goldman Sachs.
A Oracle está se beneficiando de um "fluxo de receita perene e de alta margem, de uma capacidade acima da média de vender seus próprios produtos para os mesmos clientes, de banco de dados para middleware e aplicações," define o Goldman Sachs no relatório.
Resta saber se, com as condições macroeconômicas cada vez mais degradadas, a resistência da empresa vai continuar por muito tempo.
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