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Negócios
Com mais investimentos, Bahia representa 40% da TI do Nordeste
Estado do Nordeste que mais cresce em investimentos de TI atrai fornecedores e provedores de serviço
Fabio Barros, do COMPUTERWORLD
Tirar do eixo Rio-São Paulo o privilégio de ser a região de
maior desenvolvimento do País depende, e muito, das ações de cada Estado.
Quando se fala no mercado de TI, a Bahia começa a se tornar um exemplo de como
a elaboração de políticas públicas de incentivo podem atrair investimentos e
empresas.
De acordo com a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e
Inovação (Secti) da Bahia, o setor de TI no Estado vem crescendo, em média, 20%
ao ano e representa hoje 40% de todo o faturamento de tecnologia da informação
da região Nordeste.
O crescimento é resultado da combinação de investimentos
feitos pelo governo estadual que, na ponta do mercado, têm atraído empresas, se
não com operações locais, para a busca de parcerias com empresas baianas.
Um bom exemplo foi o lançamento, no início do ano, do
Programa Estadual de Incentivo à Inovação Tecnológica (Inovatec) que,
juntamente com três editais também anunciados em janeiro, prometeu 100 milhões
de reais em incentivos a órgãos de pesquisa relacionados à Bahia. Somente o
Inovatec tem reservados, até 2010, 60 milhões de reais para ampliação de
infra-estrutura de base tecnológica.
Outro programa estadual, o Juro Zero, tem 20 milhões de
reais destinados exclusivamente ao financiamento de atividades de inovação em
micro e pequenas empresas. Do lado da formação profissional, a Fapesb e a Secti
também assinaram um protocolo de intenções com o Banco do Nordeste.
Com isso, as
instituições lançarão editais de interesse comum, oferecerão bolsas de mestrado
e doutorado para pesquisadores baianos e criarão linhas de crédito para
investimentos em incubadoras e empresas de bases tecnológicas da Bahia.
Parcerias
Tamanha movimentação por parte do governo estadual tem
atraído o interesse de empresas e empreendedores, que vêem no Estado
oportunidades potenciais de parcerias e negócios.
Em junho, a Red Hat assinou
com o governo estadual um protocolo de intenções, por meio da Companhia de
Processamento de Dados do Estado da Bahia (Prodeb), para a cooperação e
intercâmbio voltado à implantação de programas, projetos e atividades baseados
na plataforma open source, assim como a capacitação e aperfeiçoamento de
recursos humanos.
Na época, Alejandro Chocolat, country manager da Red Hat no
Brasil, disse já existirem algumas iniciativas conjuntas em andamento. “Todas
elas no âmbito da Prodeb”, disse, citando como exemplo uma série de workshops
para capacitação dos profissionais da entidade, especialmente em
desenvolvimento.
Um mês depois, a CPM Braxis e a Agência de Fomento do Estado
da Bahia (Desenbahia) anunciaram o desenvolvimento, em parceria, do Sistema de
Solicitação de Financiamento Web (SSF), criado em ASP.NET. Primeiro sistema web
desenvolvido por uma agência de fomento no País, o aplicativo encaminha
propostas de financiamento via internet, por meio do preenchimento de campos
eletrônicos de informações cadastrais da agência.
Em seu primeiro mês, o SSF recebeu mais de 150 propostas,
atendendo todas as linhas de crédito e programas operados pela agência, com
exceção das propostas que em geral são encaminhadas por entidades de classe ou
de parceiros.
Empreendimentos
Com o interesse do mercado, nada mais natural que a Bahia
contasse com sua própria empresa de treinamento e prestação de serviços. Este é
o objetivo do Altis (Centro de Alta Tecnologia e Inovação em Software), criado
com o objetivo de tornar-se um centro de serviços offshore de desenvolvimento
de software.
Comandado por Vanda Scartezini, ex-secretária federal de políticas
de informática do governo Fernando Henrique Cardoso, o centro tem centralizado
parcerias de treinamento e serviços com empresas sediadas na região Sudeste.
Um exemplo é a IBM, que há alguns anos utiliza o centro para
o desenvolvimento de softwares dedicados à plataforma mainframe. A parceria
prevê não apenas o desenvolvimento, mas também a formação de mão-de-obra.
“Desde 2006 formamos quase 300 pessoas na Bahia em parceria com a IBM”, afirma
Vanda, lembrando que isso permitiu que o Altis fechasse contratos de offshore
com clientes do Brasil e da Europa.
Mesmo caminho seguiu a Oracle, que no início de setembro
anunciou uma parceria com o Altis para a formação profissional e oferta de
serviços de outsourcing de gerenciamento de projetos, desenvolvimento, suporte
e manutenção a distância para o mercado brasileiro, Estados Unidos, Portugal e
Angola.
Segundo Sandra Vaz, vice-presidente de alianças e canais da Oracle para
a América Latina, a demanda gerada somente no primeiro ano da parceria deverá
exigir a formação de cerca de 250 profissionais especialistas em tecnologias
Oracle.
Para formar este contingente, os parceiros investirão cerca de 200 mil dólares em treinamento. “Isso inclui também a formação de profissionais que atenderão o mercado formado por pequenas e médias empresas”, lembra Vanda.
Na prática, o objetivo da parceria é gerar mão-de-obra especializada na linha Oracle Applications (E-Business Suite, PeopleSoft e JD Edwards) e tecnologia (banco de dados e Oracle Fusion Middleware).
O primeiro cliente dessa aliança é a Schahin Engenharia, que começou, no primeiro semestre do ano passado, contratando serviços de fábrica para seu aplicativo Oracle/JD Edwards EnterpriseOne e, desde então, vem expandindo o leque de serviços para outras tecnologias.
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