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Crise financeira: empresas de capital aberto já sentem os efeitos

Turbulências no mercado geram quedas no valor das ações das empresas de TI listadas na Bovespa. Alta do dólar ainda pode facilitar aquisição por grupos estrangeiros.

Rodrigo Caetano, do COMPUTERWORLD

11 de dezembro de 2008 - 07h00
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Os impactos da crise financeira ainda no mercado brasileiro de TI ainda é uma incógnita. Mas, para as companhias listadas na Bolsa de Valores de São Paulo, já é possível ter uma idéia do estrago. Desde o dia primeiro de setembro, as empresas de TI brasileiras com capital aberto acumularam perdas significativas no valor de suas ações.

É o caso da Positivo. A fabricante de computadores líder no mercado nacional não só perdeu valor, como passou a ser alvo de aquisição por parte de grandes grupos estrangeiros. Na terça-feira (09/12), as ações da empresa tiveram forte alta com o surgimento de rumores sobre o interesse da Dell e da Lenovo em comprar a companhia.

Em entrevista ao IDG NOW!, Alan Cardoso, analista da Ágora Corretora, explicou que, com a alta do dólar, a Positivo ficou muito mais barata para ser comprada por uma multinacional. Por ser dominante no mercado de varejo e contar com uma boa rede de distribuição e assistência técnica, a fabricante se torna um alvo muito atraente, afirmou Cardoso.

As ações da companhia fecharam o pregão do dia 09/12 com alta de 46,1%. Mesmo assim, desde setembro, os papéis da empresa desvalorizaram 25%. Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários, a companhia negou que esteja negociando sua venda para um grupo estrangeiro.

Outra grande empresa brasileira de capital aberto, a Totvs também registrou redução no valor de suas ações: quase 35% desde primeiro de setembro. A companhia, que anunciou a compra da Datasul cerca de um mês antes do início da crise, ainda teve de lidar com uma queda de 32,2% no lucro líquido resultante, justamente, de despesas com a aquisição.

Para a Ideiasnet, holding que controla diversas startups de tecnologia, a queda no valor dos papéis foi de cerca de 60%.  A empresa registrou prejuízo de 1,2 milhão de reais no terceiro trimestre de 2008, ante lucro de 1,1 milhão de reais no mesmo período do ano passado.

Segundo a empresa, o resultado líquido do trimestre foi impactado, principalmente, por um resultado financeiro negativo de 4,9 milhões de reais. A variação do dólar, outra conseqüência da crise, foi responsável por perdas financeiras de 2,3 milhões de reais.

No caso da Bematech, a queda no valor dos papéis, desde setembro, foi da ordem de 30%. Mas, a companhia apresentou resultados positivos no terceiro trimestre, com recorde de receita e aumento de mais de 50% no lucro líquido.

O UOL, ao contrário, registrou queda de 18% no lucro líquido do terceiro trimestre de 2008, em comparação ao mesmo trimestre de 2007, mas suas ações tiveram alta de cerca de 6% desde primeiro de setembro.

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