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Sobreviventes do BI buscam novos caminhos

Quase um ano após a última grande compra de uma empresa de BI, as “independentes” alinham suas estratégias para concorrer com IBM, Oracle e SAP e, ainda, superar a crise financeira.

Por Rodrigo Caetano, do COMPUTERWORLD

12 de dezembro de 2008 - 07h00
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Como um castelo de cartas, as companhias independentes de Business Intelligence foram caindo em aquisições bilionárias. Primeiro, foi a Hyperion, comprada pela Oracle em março do ano passado por 3,3 bilhões de dólares. Em seguida, sucumbiram Business Objects, levada pela SAP (6,7 bilhões de dólares), e Cognos, adquirida por 5,5 bilhões de dólares pela IBM em novembro de 2007.

Em menos de um ano, o cenário para os competidores neste mercado havia mudado drasticamente. E mais, a capacidade competitiva dos fornecedores remanescentes foi colocada em xeque. Na época, Donald Feinberg, analista emérito do Gartner, dava o veredicto: somente o SAS Institute teria condições de concorrer em um ambiente fortemente consolidado.

“Os 30 anos do SAS, seu faturamento e a sua grande base instalada garantem certa tranqüilidade”, disse o analista ao COMPUTERWORLD em dezembro de 2007. “Uma das maiores, a Microstrategy, por exemplo, vai sofrer sim com as ofertas casadas dos gigantes e seus preços agressivos”, definiu Feinberg.

Quase 12 meses após a última grande aquisição, as sobreviventes começam a compreender o cenário que se formou e a traçar suas estratégias. E como se não bastasse, além de enfrentar a nova concorrência, o mercado “independente” de BI encara uma crise financeira sem precedentes na história do mundo globalizado.

Pouco se sabe sobre as conseqüências que uma recessão nos Estados Unidos poderia gerar, mas uma coisa é certa: as empresas já começaram a rever seus orçamentos de TI e qualquer projeto, neste momento, está parado. Mais um fator a ser levado em consideração na hora de repensar estratégias e posicionamentos.

Mas o que as independentes estão fazendo é focar os esforços em determinados mercados, mais complexos, nos quais as empresas têm grandes necessidades de ferramentas de análise, e oferecer novos modelos de comercialização e entrega, principalmente baseados nos conceitos de software como serviço (SaaS) e web 2.0.

“Não adianta oferecer os sistemas para empresas que não precisam de muita análise, mesmo que seja uma grande indústria. O que as grandes querem é fazer vendas cruzadas. Para companhias com baixa complexidade, elas acabam oferecendo um BI quase de graça para ganhar com o ERP”, afirma Flávio Bolieiro, vice-presidente da Microstrategy para a América Latina.

Mesmo com a crise, Bolieiro não teme que o mercado de BI seja impactado. Para o executivo, as empresas, em momentos como este, sentem ainda mais necessidade de contar com ferramentas analíticas.

Ou seja, se tiver de gastar com algum sistema, que seja com um que vai ajudar a fugir da crise. Outra estratégia que está sendo adotada pela companhia é apostar em vendas mais consultivas. “Queremos dobrar o tamanho da área de consultoria”, diz Bolieiro. Em relação ao SaaS, o executivo afirma que a empresa vem trabalhando em uma oferta.

Para o SAS Institute, Business Intelligence faz parte do passado. “O BI está obsoleto”, define Jim Davis, vice-presidente sênior e CMO da companhia. De acordo com o executivo, as empresas não querem ferramentas para analisar o passado, querem meios para prever o futuro.

Esta aposta do fornecedor em desassociar seus produtos do BI vem desde antes da consolidação. A empresa, que tem 42% do seus negócios no mercado financeiro, ainda aposta no modelo de entrega como serviço para driblar a crise. “Nós sempre apostamos em SaaS. O que vamos fazer é criar uma infra-estrutura local para oferecer os serviços”, disse Davis.

O modelo, de acordo com o executivo, pode funcionar como uma porta de entrada para os clientes. Por não precisar de investimentos em infra-estrutura, é mais simples de implantar e mais barato. À medida que a solução passa a ser mais utilizada, as empresas devem optar por trazer os sistemas “para dentro de casa”.

BI 2.0
O novo modelo de comercialização vem acompanhado, também, de mudanças profundas na interface das ferramentas. E as empresas independentes já começaram a prestar atenção no chamado BI 2.0, uma mistura de sistema de análise com plataformas de web 2.0.

Essa é a aposta da Information Builders. “Estamos desenvolvendo gadgets que vão permitir aos usuários montar seus próprios portais com as informações que eles quiserem”, afirma David Fernández, diretor de novos negócios da InfoBuild Brasil, representante do fornecedor no País.

A idéia é criar mashups que dão aos usuários a possibilidade de combinar seus dados com informações externas. Por exemplo, um profissional de marketing poderia combinar informações de vendas com os mapas do Google Maps para definir regiões de atuação. Para isso, basta um browser, uma conexão de internet e um pouco de paciência.

Fernández também está apostando no SaaS, principalmente para atacar o mercado de médias e pequenas empresas. “Os valores neste mercado são muito menores. Além disso, os benefícios oferecidos para as grandes companhias, como capacidade de lidar com milhões de registros, não significam nada para companhias de menor porte. Mas, é um mercado no qual apostamos muito”, afirma o executivo.

O BI 2.0 também é o caminho para a QlikView, empresa sueca que chegou há três anos no Brasil. A companhia é especializada em “in-memory analytics”, sistemas em que os dados ficam armazenadas em memória RAM, eliminando a necessidade dos chamados “cubos”, utilizados pelos sistemas tradicionais.

Segundo Tony Ferreira, diretor de desenvolvimento de negócios para América Latina da companhia, a QlikView adota uma estratégia departamental, ou seja, procura atender áreas específicas das empresas. “Somos mais fortes entre os departamentos de vendas, marketing e logística”, relata o executivo.

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