Negócios
Santa Catarina protege mercado de TI local
Certificação de provedores de software é apenas a ponta do iceberg das iniciativas Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia.
Por Fábio Barros, do COMPUTERWORLD
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As empresas catarinenses Poligraph, Next Millenium/Dualline, Ilog Tecnologia e CNX/Boreste, todas de Florianópolis, conquistaram a certificação MPS.BR (Melhoria de Processo de Software Brasileiro). As quatro empresas participaram de um projeto cooperado organizado no início de 2007 pela Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE) para auxiliar as associadas – hoje 218 – no processo de conquista do MPS.BR. A Poligraph conquistou o Nível F do modelo e Dualline, Ilog e Boreste, o Nível G.
O projeto, chamado Platic (Plataforma para Tecnologia da Informação e Comunicação), que este ano entra em sua segunda fase, será remodelado para se tornar mais abrangente. De acordo com Rui Gonçalves, presidente da ACATE, existem outras cinco empresas de software em processo de certificação, mas a demanda existente é de cerca de 50 empresas.
“Há demanda de muitas empresas não associadas. Blumenau, por exemplo, tem cerca de 300 empresas de software, número similar ao existente hoje em Florianópolis”, afirma. O modelo de referência MPS.BR tem como objetivo melhorar a qualidade e a produtividade do software brasileiro e foi desenvolvido com base nas normas ISO 15504 e ISO 12207, relacionadas à qualidade de software e reconhecidas internacionalmente.
O modelo, no entanto é voltado para a realidade brasileira, oferecendo custos mais acessíveis de implantação do que outras normas e padrões como o CMMI (Capability Maturity Model Integration). Desde dezembro de 2003, quando o MPS.BR foi criado, 107 empresas foram avaliadas com sucesso no país. Em Santa Catarina as únicas empresas avaliadas foram as do projeto cooperado da ACATE.
O principal benefício do MPS.BR é a melhoria dos processos dentro das empresas. "Padronizamos e formalizamos nossos processos, a adequação das ferramentas que os suportam e, principalmente, a qualidade dos produtos de trabalho gerados em nossos projetos. Estamos motivados a avançar em nosso nível de maturidade", diz Leonardo Gomes de Oliveira, diretor da Ilog.
Outro retorno obtido com a implantação do sistema é a ampliação da competitividade das empresas. "Nosso processo em busca da excelência dos serviços de desenvolvimento de software começou com o CMMI. Quando surgiu a oportunidade do MPS.BR, embarcamos. A Dualline, ter conquistado o nível G do MPS.BR representa um novo posicionamento da empresa no mercado de software, é a garantia da excelência que pretendemos demonstrar e comprovar aos nossos clientes", declara Roberto Ricardo da Silva, sócio-diretor da empresa.
Projeto cooperado
Iniciativa da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (SOFTEX), o projeto apoiado e organizado pela ACATE, por meio do Núcleo de Desenvolvimento de Software de Florianópolis (Softpolis), ofereceu um subsídio de até 50% no valor de referência para implantação do modelo nas empresas. O primeiro grupo reuniu cinco empresas – Ilog, Dualline, Softplan, Boreste e Poligraph. A ACATE contou com a parceria da Incremental, que implementou o modelo nas empresas.
Com a formação do grupo, as empresas têm treinamentos compartilhados e dividem a contratação de outros serviços, o que reduz os custos com a implantação. "Podem participar de novos grupos, empresas que possuem interesse em melhorar e certificar seu processo de desenvolvimento de software, que sejam associadas à ACATE e com adesão ao Softpolis", afirma Demetrius Ribeiro Lima, coordenador do Softpolis. O objetivo da ACATE é organizar um novo grupo de empresas interessadas na implantação do MPS.BR.
Mas a ação da ACATE vai mais além. Criada há 22 anos, a entidade teve suas primeiras iniciativas centradas na sobrevivência das empresas. Hoje, segundo Gonçalves, o foco é a melhoria dos ambientes para os setores de hardware e software. Na área de hardware, a entidade inaugurou recentemente, também como parte do projeto Platic, um laboratório para certificação de placas, o que antes tinha que ser feito em Campinas.
De acordo com Gonçalves, o Platic foi reconhecido como arranjo produtivo pelo governo federal, o que vai facilitar a busca de verbas. “Nosso foco agora é a formação de mão-de-obra, porque as incubadoras existentes hoje no estado criam de 30 a 40 novas empresas por ano e há uma imensa dificuldade de contratação”, explica.
A dificuldade é tanta que, quando procurada por empresas interessadas em se estabelecer em Santa Catarina, a associação as desestimula. “Hoje faltam de 400 a 500 profissionais e a isso se soma uma demanda vegetativa de 120 profissionais ao ano. Se uma nova empresa inicia atividades por aqui, abrindo 200 vagas, por exemplo, ela não vai criar empregos, mas desestabilizar os já existentes”, afirma o presidente.
Para mudar esta situação, o objetivo da nova versão do Platic é a formação anual de algo entre 200 e 300 profissionais, o que atenderia à demanda interna e abriria a possibilidade para novos empreendimentos. Até lá, o foco da ACATE continuará sendo a preservação do mercado para as empresas locais.
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