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Entrevista: Microsoft aposta que estará entre os grandes fornecedores de ERP

Para Klaus Holse Andersen, responsável pela área de soluções corporativas da Microsoft – leia-se sistemas de gestão – em poucos anos o setor estará restrito a três ou quatro companhias. E ele afirma que a Microsoft será uma delas.

Fabiana Monte, do COMPUTERWORLD

26 de dezembro de 2008 - 12h00
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Não é de hoje que a Microsoft tenta conquistar terreno no mercado de soluções corporativas, dominado por empresas tradicionais no segmento, como SAP e Oracle. As primeiras iniciativas da companhia na área começaram há oito anos e até agora ela não conseguiu se tornar uma das referências do mercado na oferta de soluções de CRM e ERP, mantidas sob o guarda-chuva da linha Dynamics.

De acordo com a Microsoft, atualmente, em todo o mundo, 300 mil empresas usam soluções Dynamics, das quais entre 400 e 500 estão no Brasil. Mas vale ressaltar que esses números consideram negócios de todos os portes e, inclusive, casos de uso da solução por apenas um departamento das companhias. Só para estabelecer um padrão de comparação, a SAP tem 76 mil clientes em todo o mundo, todos considerados de grande porte.

Em entrevista ao COMPUTERWORLD, Klaus Holse Andersen, vice-presidente de vendas e operações da área de soluções de negócios da Microsoft, afirma que o mercado corporativo não tem medo do fantasma da tela azul e aposta que em dez anos os players do segmento se reduzirão a três ou quatro, incluindo a própria companhia.

COMPUTERWORLD - Quando pensamos a respeito de ERP, CRM e Microsoft, geralmente não se associam estes termos, porque a Microsoft está mais relacionada a desktops. Vocês devem ter um grande trabalho com seus clientes e com o mercado para mostrar uma imagem diferente da empresa. Quais são os desafios? Vocês têm que apresentar a Microsoft como uma empresa que também desenvolve sistemas para negócios?

KLAUS HOLSE ANDERSEN: Eu concordo com você. Em muitos países, a imagem da Microsoft é de um provedor de soluções para desktops. Mas há sete anos, quando comecei na Microsoft, ninguém poderia imaginar a companhia também no negócio de servidores. Hoje, nossas soluções para servidores estão em máquinas na maioria dos data centers. Todo data center tem servidores com produtos Microsoft.

Pensamos que a mesma coisa vai acontecer com ERP e CRM no longo prazo. O desafio que as organizações de TI têm é lidar com diferentes sistemas. A equipe de TI tem que conectar todos esses sistemas, de diferentes fornecedores. Se você conversar com o pessoal de TI, eles dirão que gastam a maior parte de seu tempo juntando essas peças.

O que vemos agora como tendência entre muitas empresas de médio porte é que elas preferem padronizar, usando apenas uma plataforma, com Windows, Share Point, Active X, e quando fazem isso, dizem: bem, agora, preciso de um ERP que se encaixe nesse ambiente. E é aí que nós vimos uma grande oportunidade.

Uma segunda coisa que observamos nas empresas de médio porte é que elas enxergam os sistemas de gestão como algo muito complicado. Então, nós nos focamos na oferta de uma interface que é muito mais simples do que as outras que existem no mercado.

Nos últimos cinco anos, nós pesquisamos como as pessoas trabalham. As pessoas vão para as empresas para desempenhar funções específicas e, com o estudo, nós descobrimos 52 tipos de funções que existem em qualquer empresa. E o funcionário quer obter as informações que importam para a sua função, porque ele não pode desempenhar as outras 51.

Nos sistemas tradicionais de ERP, você tem um grande menu e é envolvido em coisas que não lhe interessam. Nós tiramos a complexidade do sistema, então ele ficou muito mais simples de ser usado, de implantar e de obter feedbacks. E se os usuários amam o sistema, as pessoas da TI também amam.

Acreditamos que a SAP estará neste mercado daqui a dez anos, mas também que haverá três ou quatro players e nós seremos um deles. Acredito que conseguiremos uma boa vantagem competitiva neste segmento.

CW - O mercado corporativo sente um pouco de temor a respeito da tela azul?

ANDERSEN - a tela azul morreu com o Windows XP, que era um sistema operacional para desktops muito mais confiável. Com o Vista, a tela azul se foi. Se essa fosse uma questão, as empresas teriam a mesma preocupação a respeito de servidores e elas adotam tecnologia Microsoft em seus data centers, pela mesma razão: é mais barato e simples. E as empresas continuam preocupadas com confiabilidade e segurança.

Acho que as pessoas sentem que nós aprendemos nossa lição sobre segurança e que isso é traduzido facilmente para os softwares de negócio. Então, essa preocupação não é algo que eu ouça.

CW - Quais são suas metas para o próximo ano?

ANDERSEN - Em geral, nós dizemos que queremos crescer três vezes a taxa de crescimento do mercado local, em qualquer país. O mercado brasileiro está crescendo cerca de 20%, então, nós queremos crescer pelo menos três vezes qualquer que seja o avanço do mercado por aqui.

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