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Negócios

O que o canal espera de 2009?

Estudo exclusivo da Channel World mostra que os canais brasileiros, apesar das expectativas de uma queda na demanda do mercado de TI, projetam bons negócios para este ano.

Por Tatiana Americano, da Channel World

08 de janeiro de 2009 - 19h52
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Oscilação do dólar, dificuldade de obter crédito no mercado e, o mais preocupante, clientes menos abertos a comprar solução e serviços de TI (Tecnologia da Informação). Dez em cada dez especialistas em tecnologia concordam que a conjunção desses fatores tem virado um complicador importante para os negócios de toda a cadeia de distribuição. Contudo, o cenário parece ainda não ter afetado o bom humor dos canais, conforme revela um estudo inédito da Channel World, intitulado Panorama de 2009.

O levantamento ouviu os principais executivos de revendas e integradores de TI de todo o País, com o intuito de detectar as principais estratégias de negócio para o próximo ano. Entre os resultados, o estudo mostra que 72% dos entrevistados, apesar da crise financeira internacional, esperam um faturamento maior do que o obtido neste ano em 2009. Em outras palavras, os planejamentos dos canais parecem não ter sido afetados pelas perspectivas de que, a curto prazo, exista uma desaceleração nas vendas de produtos e serviços de tecnologia, graças à instabilidade econômica mundial.

“Esse estudo confirma a sensação de que os revendedores brasileiros, de forma geral, estão com dificuldades para entender as reais dimensões da crise”, analisa Pedro Luiz Roccato, diretor-presidente da consultoria Direct Channel. “Acredito que falta aos canais obter informações concretas sobre as perspectivas do mercado. Mas, para isso, eles precisam ouvir os próprios clientes”, alerta o especialista, o qual prevê que a desaceleração das demandas por produtos de TI, nos próximos 12 meses, tende a refletir diretamente no faturamento de toda a cadeia de distribuição.

Um levantamento do Gartner confirma a perspectiva conservadora do especialista da Direct Channel. Isso porque, por conta da crise mundial, o instituto reduziu de 5,8% para 2,3% as previsões dos gastos mundiais com tecnologia, em 2009.

Da mesma forma, um recente relatório divulgado pela IDC sinaliza para a retração dos investimentos como um dos principais efeitos da crise financeira global na área de TI. Para tanto, além de uma análise do cenário econômico da América Latina, o estudo da consultoria leva em conta o comportamento de empresas e usuários finais.

Com base no panorama, assim como o Gartner, a IDC reviu suas projeções iniciais – que tinham sido anunciadas no início do segundo semestre de 2008 – de gastos com tecnologia para o próximo ano. Assim, a consultoria acredita que o mercado de TI da região deve ter um incremento de 7,8%, nos próximos 12 meses, contra 13,7% previstos anteriormente.


Mesmo com um corte de quase 50% nas expectativas, Ricardo Villate, vice-presidente de pesquisas e consultoria da IDC para América Latina, ressalta que o cenário ainda é melhor do que em países desenvolvidos. “A região segue entre as de mais rápido crescimento global na área de TI”, cita Villate, lembrando que, nos Estados Unidos, as previsões são de um aumento de apenas 0,9% nos gastos com tecnologia.

Especificamente no Brasil, a IDC projeta que os cortes devem ser menores do que a média para outros países latino-americanos. Assim, a consultoria espera que o mercado nacional de TI mantenha um índice de 9,1% de incremento, no próximo ano, contra 14,4% previstos anteriormente.

“Além disso, os executivos brasileiros aparecem como os mais otimistas da região (América Latina)”, destaca o vice-presidente de pesquisas. Para chegar a essa conclusão, a IDC realizou um levantamento com 164 profissionais responsáveis pela área de TI em empresas localizadas no Brasil, México e Argentina, com o intuito de entender como a crise financeira afeta os orçamentos de tecnologia das organizações.
No levantamento, mais de 35% dos entrevistados no País acreditam que a crise não vai impactar em cortes nos budgets de TI. Um número bem acima da média dos dois outros territórios consultados (México e Argentina), onde esse índice cai para cerca de 20%.

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