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Setor de TI perde espaço na Zona Franca de Manaus

Participação do setor de informática no faturamento total do Pólo Industrial de Manaus cai quase pela metade em cinco anos, de 24% em 2003 para 13% em 2008.

Por Rodrigo Caetano, do COMPUTERWORLD

12 de janeiro de 2009 - 07h00
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O Pólo Industrial de Manaus (PIM) deixou de ser atrativo para as empresas de TI. Dificuldades logísticas e incentivos fiscais pouco interessantes, principalmente por conta do dólar baixo dos últimos anos, estão fazendo com que o setor de bens de informática caia vertiginosamente em participação no faturamento do pólo.

Em 2003, o segmento era responsável por quase 24% da receita total de todas as empresas com produção em Manaus. A partir de 2004, este porcentual foi caindo gradativamente e deve ficar em cerca de 13% em 2008. A produção de computadores no pólo deve ficar estável este ano, em comparação com o ano passado. Resultado que contrasta com os 20% de crescimento registrado pelo mercado de PCs em geral, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica (Abinee).

Para Humberto Barbato, presidente da Abinee, o movimento reflete algumas escolhas feitas pelos estados em relação ao tipo de indústria que pretendem incentivar. “Cada estado tem o direito de ter a sua indústria”, afirma o presidente. “Os investimentos vão acontecer onde o setor está. Não acredito que haverá novas razões para investir em Manaus”, completa.

Um dos motivos para o setor ter perdido o interesse em Manaus está na desvalorização do dólar, que se manteve abaixo de 2 reais até setembro, quando teve início a crise financeira que abalou os mercados do mundo inteiro. “Esta queda barateou muito as importações. Com isso, os incentivos para produzir em Manaus não compensavam as dificuldades de logística e infra-estrutura”, explica Julio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI).

O setor de TI é muito dependente de importações, principalmente de semicondutores. Segundo dados da Abinee, a importação de chips cresceu 28% este ano, em comparação com 2007. A importação de componentes de informática, em geral, aumentou ainda mais: 40%. Também de acordo com a associação, o setor nacional de componentes foi um dos poucos que registraram queda no faturamento (5%) este ano.

Em 2007, o faturamento das empresas de informática presentes no PIM foi de 7,58 bilhões de reais, valor que representa uma queda de quase 20% em comparação com o ano anterior, segundo dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). No mesmo período, o setor de informática como um todo, segundo dados da Abinee, cresceu quase 7%. Este ano, o crescimento da indústria de TI deve ser de 11%, com receitas previstas de 34,89 bilhões de reais. No pólo, o segmento faturou, até setembro, 5,46 bilhões de reais. 

Compensação

Ao mesmo tempo, outros setores da indústria ganharam força na região, principalmente o de motocicletas. De acordo com dados da Suframa, de 2006 para 2007 o faturamento do setor duas rodas subiu quase 27%, chegando a 11,54 bilhões de reais e uma participação de 27,21% na receita total do pólo. Este ano, o segmento já faturou 10,95 bilhões de reais.

A indústria eletroeletrônica ainda representa a maior parte do faturamento, com 28,74% do total. Mas, este porcentual está em queda acelerada. Em 2005, o valor chegou a ser de 35,57%. Por outro lado, o setor de duas rodas, que há três anos era responsável por 16% das receitas, hoje já responde por 27,21%.

Hugo Valério, diretor da área de informática da Abinee, afirma que Manaus não deixou de ser atrativa. “Nós vivemos em um país bastante plural. Cada estado tem seus anseios e direito a ter sua indústria, não podemos impor nada”, afirma.

Com a crise e a desvalorização da moeda brasileira, a perspectiva é que haja mais investimentos por parte do setor eletroeletrônico, principalmente das empresas de TI, por conta da maior competitividade que o país ganha em termos de custos e exportações. Mas, Manaus ainda deve seguir fora da rota. “É cedo para afirmar, o câmbio ainda está muito volátil, e talvez caiba rever alguns incentivos para o setor”, afirma Almeida.

Para o PIM, ver as empresas de TI perdendo participação não representa queda no faturamento. Pelo contrário. Até setembro, a receita total do pólo foi de 40,26 bilhões de reais, o que representa alta de 11,5% em comparação com o mesmo período do ano passado. Se as projeções do Conselho de Administração da Suframa (CAS) de faturar 30 bilhões de dólares este ano forem realizadas, será um novo recorde na história da indústria manauara.

Agora, para o setor de TI, os incentivos fiscais são uma demanda antiga. Mas, ao que parece, a força do segmento não é suficiente para fazer o governo colaborar. Se o texto proposto pela Comissão Especial da Reforma Tributária da Câmara dos Deputados for aprovado, em votação que deve ser realizada em março do ano que vem, a carga de impostos para o setor de software pode aumentar em até 16%, já que inclui a cobrança de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre a comercialização de programas de computador.

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