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Análise: Oracle e MySQL não criam monopólio de mercado

Boston – Especialistas acredita que união entre os bancos de dados 11g e MySQL não teria força suficiente para dominar o mercado.

Por Computerworld, EUA

22 de abril de 2009 - 16h29
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A aquisição da Sun pela Oracle deve reunir um dos mais utilizados bancos de dados relacionais do mercado – o Oracle – com o mais popular desenvolvido em código aberto – o MySQL.

Segundo a IDC, somente entre 2005 e 2007, a Oracle obteve receita de cerca de 22 bilhões de dólares com as vendas de seu banco de dados, mais que o dobro que seu mais próximo concorrente, a IBM. No mesmo período, de acordo com a Sun, o MySQL foi baixado mais de 100 milhões de vezes.

A companhia informa realizar cerca de 70 mil downloads diários do MySQL e diz ter mais de 12 milhões de bancos de dados em produção. O produto está ativo em gigantes da web 2.0, como Google, YouTube, Craigslist, Yahoo e Digg.

Estes números deveriam deixar em alerta os órgão reguladores sobre um possível monopólio do mercado? Segundo analistas, não. “A fusão reduz a competição no mercado de banco de dados. Ela paralisa a escalada do MySQL, do mercado de aplicativos web para uma competição direta com a Oracle no ambiente corporativo”, diz Roger Burkhardt, CEO da Ingres, desenvolvedora de bancos de dados open-source. Mas o executivo acredita que esta paralisação não é forte o bastante para criar um monopólio.

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A Oracle não quis fazer comentários sobre o assunto, assim como concorrentes como a Microsoft e a IBM. De todo modo, analistas citam várias razões pelas quais o acordo não criaria um monopólio no mercado de bancos de dados.

A primeira delas: apesar de sua popularidade, o MySQL não acrescentaria muito às vendas da Oracle. Segundo a IDC, em 2007 a Oracle vendeu 8,34 bilhões em bancos de dados, o que lhe deu 37,6% do mercado global – avaliado em 22,2 bilhões de dólares (os dados de 2008 ainda não estão disponíveis).

As vendas do MySQL, no período, foram de 38 milhões de dólares, o que colocou a Sun em 19º lugar no mercado e atrás de fornecedores pouco tradicionais como Siemens, Unisys e até mesmo a Apple, cujo banco de dados Filemaker vendeu três vezes mais que o MySQL. “O MySQL tem impacto em um nicho de mercado onde não há dinheiro circulando”, avalia John Newton, CTO da Alfresco Software.

É uma situação bem diferente da que seria criada com a união das vendas de servidores Unix da IBM e da Sun – caso o negócio tivesse se concretizado – que chegaria a 11,2 bilhões de dólares.

“Os órgãos reguladores olham de perto setores que movimentam muito dinheiro. Os aplicativos open-source não estão em seu radar”, diz Kenneth Chin, analista do Gartner. Além disso, a participação da Oracle no mercado de bancos de dados não é tão dominante quanto a da Microsoft no setor de sistemas operacionais de PCs, por exemplo. Além da IBM e da Microsoft, cada uma com cerca de um quinto do mercado de bancos de dados, a Oracle enfrenta forte competição de companhias como Teradata, Sybase e um ecossistema inteiro de novas empresas.

Ao mesmo tempo, a Oracle quase não tem representatividade no mercado de bancos de dados não relacionais. Segundo a IDC, a companhia tinha apenas 0,2% deste mercado em 2007, graças ao seu banco de dados open source BerkeleyDB. O setor hoje é dominado pela IBM e pela Microsoft, com os bancos de dados IMS, para mainframe, e Access, para desktops, respectivamente.

Para Chin, do Gartner, a aquisição poderia levar a Oracle a colocar obstáculos à base de clientes do MySQL. Por exemplo, a companhia poderiam aumentar os valores para assinaturas corporativas ou exigir que os clientes comprassem suporte para todas as versões do produto, e não apenas para aquelas utilizadas. “Eu não me surpreenderia se a Oracle fizesse isso”, afirma.

Apesar disso, o analista lembra que a Oracle não se envolveu nos processos de marketing e vendas dos bancos de dados open source BerkeleyDB e InnoDB depois de comprar as empresas em 2006 e 2005, respectivamente. Outro ponto: a Oracle já comunicou que a Sun continuará operando como empresa independente. Isso significa que o MySQL deve manter sua independência, pelo menos enquanto se mantiver distante do mercado ocupado hoje pelos bancos de dados da Oracle.

Newton, da Alfresco, concorda. Ele acredita que a Oracle pode tentar desacelerar o curso do desenvolvimento do MySQL. Com menos funcionalidades e menor escalabilidade, o produto dificilmente competiria com o produto principal da companhia.

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