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Negócios
Por que a Microsoft não teme o Google
Em entrevista, Stephen Elop, responsável pela unidade de negócios da Microsoft, apresenta as armas da empresa na batalha com o gigante da internet.
IDG News Service
A unidade de negócios Microsoft Business tem sob seu guarda-chuva um dos produtos mais bem-sucedidos e lucrativos da gigante na área de software empresarial, o Office. Mas assim como todo o mercado mundial, sofreu com os efeitos da recessão provocada pela crise americana, levando a divisão a uma queda de 13% na receita global do último trimestre, encerrado em junho passado.
Em entrevista ao IDG News Service, nos Estados Unidos, o responsável pela área, Stephen Elop, disse, no entanto, que apesar do mau desempenho está confiante na recuperação da economia, o que contribuirá para a empresa enfrentar a concorrência no mercado de software de colaboração, com aplicações baseadas em web. Hoje, uma das grandes tacadas do Google, que anunciou, recentemente, sua ofensiva para fisgar clientes da Microsoft.
Diante do novo desafio que se impõe, a gigante tenta sair na frente e mostra-se pronta para oferecer versões online dos programas Word, Excel, PowerPoint e OneNote já como parte do Office 2010, previsto para ser lançado no início do próximo ano. Passo que representa a transição para o modelo de licenciamento de “software como serviço", o conhecido SaaS.
A ideia é colocá-lo disponível na suíte Business Productivity Online - que inclui o Exchange Online, SharePoint Online, Office Live Meeting e Office Communications Online.
De acordo com Elop, o pacote Office 2010 para o mercado corporativo vai chegar com inúmeros recursos, os quais possibilitam integrar os programas com aplicativos web. Leia abaixo a entrevista em que o executivo afirma também que Microsoft não tem medo de enfrentar o Google.
IDG News Service – Quais os impactos da crise na divisão Microsoft Business?
Stephen Elop - Para entender melhor, precisamos entender os vários mercados que atuamos. Atualmente, 60% da nossa receita vêm de médias e grandes empresas, que tendem a tomar decisões estratégicas sobre o que vão comprar em TI a longo prazo. Enquanto as pequenas representam cerca de 20%, embora sejam nosso maior potencial para aquisição de novos PC.
Também há um terceiro público, o de usuário doméstico ou de profissionais autônomos, que compram os produtos para seus pequenos escritórios. Se olharmos para cada uma dessas três categorias, as coisas vinham muito diferentes do que acontece agora. Em geral, os consumidores estavam comprando muito menos PCs tradicionais, o que por tabela significava que adquiriam menos cópias do Windows e menos cópias do Office.
Isso levou a um declínio nas receitas do segmento de consumo.
As pequenas e médias empresas também tinham situação semelhante. Prova disso é que a venda de PCs para esse segmento caiu em 30. Agora, quando falamos das grandes companhias, o cenário é outro. Apesar de não ser um crescimento emocionante e, sim, modesto, enxergamos um interesse de novos investimentos, em tempos econômicos difíceis.
IDG News Service – Enquanto alguns produtos já funcionam no modelo de computação em nuvem, o Office 2010 parece ainda correr em separado. Onde estaria essa integração?
Elop - Ao contrário do que as pessoas pensam, nosso esforço tem sido em permitir que os sistemas funcionem em conjunto, interagindo de forma que um reforce o outro. Então, quando se estiver usando o Office 2010, será possível trabalhar no Word 2010 e dizer: "Tanto posso guardar documentos em rede, quanto colocá-los em ambiente baseado em nuvem do SharePoint ou publicá-los na web.
Conseguimos garantir o valor dos nossos produtos e no caso do Office 2010, pensamos em oferecê-lo no modelo de "software como serviço”, baseado no conceito de computação em nuvem (cloud computing). Diante dessa perspectivas, os clientes contarão com uma relação custo x benefício bastante interessante.
IDG News Service - Com a versão online do Office 2010, que desafios vocês acreditam ter frente ao Google Apps?
Elop - A combinação das aplicações no ambiente do navegador fará toda a diferença para nós. A única coisa que realmente reconheço é que muitos olham para o Google e dizem: “Ah, eles têm aplicações livres”. Por outro lado, temos clientes que usam sem custo versões do Word, Excel, PowerPoint ou Outlook.
Das 500 milhões cópias do Office em uso hoje, metade foi paga, a outra metade não. Obviamente, estou derrubando um algumas barreiras para que as pessoas possam adquirir o programa como aluguel.
Acredito que os 250 milhões de pessoas que estão familiarizadas com o Office, ao usá-los para as aplicações web, em vez de baixar algo por aí via internet, vão preferir ir ao nosso site e fazer uso dessas aplicações.
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