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Negócios
Vendas de Natal podem recuperar indústria de tecnologia
Otimistas com a recuperação econômica, a indústria de computadores e as empresas de serviços de tecnologia apostam que os últimos três meses do ano vão ajudar a recuperar prejuízos do começo de 2009.
Rodrigo Afonso, da COMPUTERWORLD
Há uma luz no final do túnel e não é um trem vindo em direção contrária. Os sinais de retomada econômica estão animando os fabricantes de computadores e as empresas de serviços, que projetam vendas recordes nos últimos três meses de 2009. Com isso, a forte desaceleração do começo do ano
pode ser recuperada.
A consultoria IT Data está projetando vendas de 3,34 milhões de PCs entre outubro e dezembro de 2009, número 26% superior ao mesmo período do ano passado. No ano completo, no entanto, a empresa estima uma queda de 3%. A Positivo, principal fabricante de computadores do Brasil, investiu 10 milhões de reais para aumentar a capacidade produtiva de sua fábrica em Curitiba (PR). Com isso, será capaz de produzir 330 mil máquinas por mês. Antes, fabricava 240 mil.
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) estima que boa parte da recuperação do setor de computadores virá da venda de notebooks. A expectativa é que sejam comercializadas 5 milhões de unidades, 16% a mais do que em 2008. Bem menos do que os 125% do ano anterior, mas ainda assim um crescimento.
“Estamos trabalhando com a expectativa de vender a mesma quantidade do ano passado”, afirma o diretor de informática da Abinee, Hugo Valério. “Se as previsões dos economistas estiverem corretas, no próximo ano já podemos esperar voltar a um ritmo de crescimento de 15% a 20% nas vendas”.
Há fatores que ajudam a este crescimento que vão além dos sinais de recuperação econômica. Um deles é o câmbio. No começo do ano, a desvalorização do real fez com que as máquinas ficassem mais caras. Atualmente, com o dólar na casa de 1,8 real, os preços retomaram as patamares antes da crise. Além disso, o crédito voltou.
Na empresa brasileira Itautec, o sentimento de recuperação já é bem forte. De acordo com o diretor-comercial da fabricante de equipamentos de informática, Maurício Guizelli, todos os mercados estão mostrando fôlego, inclusive o de automação comercial, um dos mais resistentes a se recuperar.
Um dos exemplos do efeito da crise está no varejo, que afeta diretamente as soluções de automação comercial da Itautec. O setor não chegou a enfrentar enormes turbulências, mas ficou mais cauteloso e reduziu investimentos ao mínimo possível para focar a operação. “Somente a partir de agora os varejistas partirão para um movimento de renovação de parque de máquinas”, diz Guizelli.
Otimismo para 2010
A perspectiva dos economistas para o produto interno produto (PIB) brasileiro é de crescimento de até 3,5% no ano que vem, retornando a um patamar pré-crise. Segundo o gerente-geral da IDC Brasil, Mauro Peres, isso já é um indicativo que o ano de 2010 tende a ser bem melhor, tanto no segmento de consumidor quanto no corporativo.
O mercado corporativo, aliás, vinha apresentando médias de crescimento nos investimentos de TI acima dos 10% desde 2004, no mesmo ritmo da economia brasileira. Isso só foi quebrado em 2009. “As empresas estavam num dilema: não podiam perder funcionários em um mercado com mão-de-obra qualificada escassa, mas se viram forçadas a reduzir investimentos. Sobrou para todos os fornecedores de tecnologia. Redução de custos foi a expressão de ordem do ano”, diz Ivair Rodrigues, diretor de pesquisas da IT Data.
A esperança para o setor corporativo, agora, é de que os serviços e as tecnologias associadas a tendências como virtualização e sustentabilidade, ajudem na recuperação. Segundo Guizelli, na retomada dos investimentos, o mercado voltou a buscar novas tecnologias que o excesso de cautela deixou para trás.
O novo perfil do consumidor corporativo
A crise ensinou muito para o mercado sobre como ajustar as contas e fazer compras e contratações de maneira mais criteriosa. Com os CIOs não foi diferente: eles tiveram um longo trabalho renegociando contratos, soluções, reduzindo custos e segurando todo tipo de investimento.
Para Ivair Rodrigues, os projetos de longo prazo ainda vão ficar mais um tempo em espera. “Em 2010, os líderes vão investir sim, mas só colocarão dinheiro naquilo que trará retorno garantido e em projetos de curto prazo”.
Segundo Mauro Peres, o ano que vem deve ser bom, mas as empresas ainda gastarão tempo tateando o mercado e terão menos margem e dias úteis para fazerem investimentos com a eleição presidencial. “Em um cenário como o do ano que vem, o governo se concentra em campanhas e tende a dar uma reduzida em alguns investimentos. Os anos de 2011 e 2012 sim, prometem ser anos fantásticos para a indústria de tecnologia”, afirma.
Para o analista, não é só o novo presidente e as perspectivas de novos investimentos que trarão esse ambiente. Nestes anos, a redução de juros finalmente vai chegar à ponta, aos consumidores, aquecendo a economia como um todo. “O cenário positivo reflete diretamente em tecnologia”, afirma.
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