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Microsoft aposta no Windows Server como vedete da virtualização
Para presidente mundial da unidade de servidores, nem o Google possui oferta de serviços tão abrangente quanto a gigante.
Andrea Giardino, da Computerworld
Apesar de a Microsoft ser vista como retardatária no segmento de virtualização, a empresa vem dando passos importantes na briga pelo mercado de servidores – estimado em 11 bilhões de dólares. Mas seu grande desafio tem sido enfrentar outro gigante, o Google, que inovou com o modelo de computação em nuvem, o cloud computing.
Em visita ao Brasil esta semana, o presidente mundial da divisão de servidores e ferramentas de negócios da Microsoft, Bob Muglia, conversou com exclusividade com a Computerworld. O tema foi a estratégia da companhia para desbancar os concorrentes. Confira a seguir, trechos da entrevista:
Computerworld – Qual a estratégia da Microsoft para o mercado de servidores com o Windows Server?
Bob Muglia - Trabalhamos com o objetivo de fazer do Windows Server a melhor solução para o cliente. Olhamos os workflows que eles estão utilizando, quer seja para aplicações de banco de dados ou administração de redes. Queremos nos certificar de que o Windows Server atenda às suas necessidades em relação a os outros produtos disponíveis no mercado, principalmente o Linux, nosso principal concorrente.
Sob essa ótica, temos foco na simplificação das operações, por isso a virtualização surge como uma estratégia importante. Hoje, apenas 20% dos servidores são virtualizados, mas acredito que com o tempo todos sejam.
CW – De que forma vocês vêm trabalhando a virtualização?
Muglia - Queremos assegurar que tudo funcione melhor e nesse processo vamos ganhando fatias de mercado. Prova disso é que o Windows Server detém 75% do mercado mundial de servidores, talvez um pouco mais no Brasil.
E sabem por que? Porque estamos integrando na oferta de nossos servidores a virtualização. Oferecemos uma solução de gerenciamento mais completa e abrangente do que os concorrentes, com a tecnologia de virtualização Hyper- V. De olho na questão da interoperabilidade, conseguimos gerir os ambientes físico, virtual e de aplicações.
CW – A computação em nuvem já está mudando paradigmas. Qual o cenário vislumbrado pela Microsoft?
Muglia - A evolução dos servidores permitiu às pessoas administrar grupos de máquinas e, assim, ter com a computação em nuvem ( cloud computing) a possibilidade de fechar contratos mais baratos sob o modelo de software como serviços. O que também chamo de computação elástica, que se baseia na escalabilidade.
Nossas soluções de computação em nuvem estão disponíveis tanto na forma de cloud privado ou público (oferecidas por nossos parceiros de hosting).
CW – Qual a maior demanda, computação em nuvem pública ou privada?
Muglia - Acho que teremos os dois modelos. Enquanto as grandes empresas preferem o privado, por questões de segurança, as menores vão querer o público pelo fator custo. Mas acredito que o cloud público deve predominar daqui há uns dez anos. Tudo vai depender de como as empresas vão se sentir em meio a um ambiente compartilhado.
CW – O Google revolucionou esse mercado de computação em nuvem. Como vocês enxergam seu maior rival?
Muglia – Eles têm uma oferta muito mais restrita. A infraestrututra de cloud deles é apenas compartilhada, serve apenas para poucas aplicações. O Google não têm um modelo para estender a ofertas no ambiente local, só em ambiente remoto. Nossa diferença é que oferecemos a possibilidade de escolha. Se quiser, o cliente pode trabalhar com nossos parceiros de hosting ou ter em casa.
CW – A Microsoft não teme o Google então.
Muglia – Não me entenda mal. O Google é um concorrente sério. A diferença é que temos uma base instalada muito grande de servidores e de aplicações, enquanto eles são mais restritos quanto à plataforma de aplicações que oferecem.
CW – Qual o tamanho do mercado de servidores e quais os impactos da crise?
Muglia – Esse é um mercado bem grande, estimado em 11 bilhões de dólares em 2008, fora 2 bilhões de dólares em serviços. É claro que sofreu impactos com a crise, tanto que no último ano, segundo dados da consultoria IDC, as vendas de hardware e servidores encolheu no mundo todo em 15%.
Mas já vemos para 2010 uma retomada. Nós, particularmente, sentimos pouco essa queda. Tivemos um ganho de mercado significativo, passando de 73% para 75%.
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