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Negócios
Esquenta a briga pelo mercado de ERP para médias empresas
Lançamento da SAP é a mais nova tentativa da empresa alemã de entrar no segmento. Mas, segundo professor da FGV, empresa precisa superar alguns desafios.
Rodrigo Caetano, da Computerworld
Para entrar no mercado de médias empresas, a SAP enfrenta dois grandes desafios: preço e peso. A afirmação é do professor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-EASP), Fernando Meirelles. Apostar em uma oferta de software com infraestrutura terceirizada, segundo o professor, é uma estratégia que faz sentido.
Meireles é coordenador da Pesquisa Anual do Uso de Informática no Brasil, que está em sua 20ª edição. Segundo o estudo, no ano passado a Totvs, com a compra da Datasul, passou a liderar o segmento de sistemas de gestão no País, em termos de base instalada, seguida da SAP e da Oracle.
O lançamento do SAP Fast Start Hosting, realizado nesta quinta-feira (22/10), configura a terceira tentativa da companhia de entrar no segmento de médias empresas, afirma o professor. As outras duas, com os produtos My Sap e All-in-One, não foram bem sucedidas. A nova oferta aposta na terceirização da infraestrutura necessária para rodar os sistemas, atuação por meio de parceiros e pagamentos por mensalidades, sem a compra de licenças.
Reduzir o preço das licenças não é uma maneira eficiente, no caso da SAP, para entrar no segmento por conta da complexidade de seus sistemas. “Para uma grande empresa, o fato do software ser ‘pesado’ e com muitas funcionalidades é positivo. Mas para empresas menores não, porque possuem infraestrutura insuficiente”, afirma o professor. Com o Fast Start Hosting o problema acaba, uma vez que o ERP fica hospedado fora do cliente, que acessa a ferramenta por meio da web.
A estratégia da multinacional coincide com os planos da sua principal rival no mercado de médias companhias, a líder Totvs. Em maio deste ano, a empresa brasileira divulgou um novo posicionamento, passando a se considerar uma operadora administrativa. De acordo com o presidente da Totvs, Laércio Cosentino, a ideia é que os clientes façam um outsourcing (terceirização) total de suas operações.
O novo posicionamento foi viabilizado, segundo Cosentino, pelas diversas aquisições feitas pela Totvs, desde 2003. A oferta de softwares da companhia foi associada a serviços de terceirização dos processos de negócios (BPO, do inglês Business Process Outsourcing), consultoria e terceirização da infraestrutura.
Com os novos modelos, a atuação dos parceiros fica mais importante. “Hoje você contrata serviços de implementação de um SAP sem adquirir a licença. Os integradores oferecem um pacote, que inclui infraestrutura, serviços e o próprio software”, diz Meirelles. O movimento tem raízes no fato das empresas estarem gastando muito mais com serviços do que com hardware ou licenças de software atualmente.
Apesar de disputarem o mesmo mercado, os desafios dos três maiores fornecedores de ERP que atuam no Brasil são diferentes, explica o professor. Para ele, a Totvs precisa gerenciar o grande número de sistemas que comprou; enquanto a SAP quer entrar no mercado de médias empresas e, ao mesmo tempo, ampliar a atuação para outros segmentos de tecnologia. "Já a Oracle pretende ser reconhecida por seus outros produtos, que não o banco de dados”, explica.
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