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Negócios
Pagamento eletrônico aposta em segurança e gestão de riscos
Empresas responsáveis pelas plataformas investem em equipes de investigação e em tecnologia para diminuir fraudes e vencer desconfiança do brasileiro.
Guilherme Felitti, para a Computerworld
Não bastam as ferramentas de pagamento eletrônico oferecerem
funcionalidades além do acerto de contas com lojas online: as empresas
responsáveis pelas plataformas no Brasil têm que investir em segurança
para vencer a desconfiança dos consumidores.
Para ajudar na
popularização, serviços que atuam no Brasil, como PagSeguro, MoIP,
Mercado Pago e Pagamento Digital, investem em servidores dedicados,
parcerias com grandes revendedores e equipes de analistas que coíbem
fraudes como forma de atrair novos clientes.
> PayPal prepara operação e movimenta setor
“O
brasileiro pouco a pouco vai se acostumando com este pagamento. O
grande tabu ainda é a questão a segurança, e não apenas para o
pagamento eletrônico”, explica o cofundador e diretor geral do MoIP,
Igor Senra, parceira de desenvolvedoras de solução de e-commerce como
Jet, EZ Commerce e Tray Sistemas.
Da mesma forma como é
prejudicado pela desconfiança do consumidor, o sistema de pagamento
eletrônico pega carona na crescente popularização do comércio
eletrônico no Brasil. Este ano, as vendas natalinas devem ser 30%
maiores do que as registradas em igual período de 2008, alcançando 1,63
bilhão de reais, de acordo com a consultoria e-bit.
O
avanço do comércio eletrônico brasileiro fica ainda mais evidente se
considerarmos que, em cinco anos, o setor cresceu seis vezes – em 2004,
foram movimentados 1,75 bilhão de reais.
A
maneira como pequenos e médios comerciantes na internet se apoiam nos
sistemas para que seus produtos sejam vendidos com um risco menor de
fraude por parte do consumidor faz com que a segurança seja necessária
não apenas para o usuário final.
Isso implica no risco das
empresas de pagamento eletrônico assumirem potenciais prejuízos quando
é o consumidor que lesa o lojista, como explica o diretor de projetos
especiais do UOL, Ricardo Dortas, responsável pelo PagSeguro.
Verifica
A
preocupação do UOL em investigar as causas que levam a problemas nas
compras online levou à formação de um grupo, composto com cerca de 30
pessoas, que foi “emancipado” do PagSeguro e, como empresa
independente, recebeu o nome de Verifica.
“Todo pagamento recebe
‘score’ de alto, médio ou baixo risco e, dependendo da classificação,
tomamos ações como cancelar a conta, entrar em contato e pedir mais
informações para garantir que a pessoa que está pagando é quem fala que
está pagando”, detalha ele.
O cuidado é uma forma de diminuir a
incidência do que o mercado de pagamentos eletrônicos se acostumou a
chamar de “chargeback”: após receber o produto o comprador malicioso
cancela o pagamento, repassando o prejuízo para o lojista.
“Fazemos
monitoramento e não repassamos (o “chargeback”). Tentamos ir atrás, mas
se não conseguimos, assumimos o prejuízo. Nossos índices de perda estão
abaixo dos índices de perda do mercado”, afirma Dortas, sem citar
explicitamente a porcentagem de fraudes no total de transações pelo
PagSeguro.
A pluralidade da equipe envolvida na operação do
PagSeguro prevê ainda funcionários que tenham contato constante com os
bancos, resolvendo possíveis problemas de conexões com as instituições
financeiras, e responsáveis pela área técnica que cuidam dos servidores
dedicados para a plataforma.
O Mercado Pago, sistema de
pagamento eletrônico do Mercado Livre usado apenas para transações
dentro do portal de leilões, opera, pelo menos no quesito técnico, em
sistema semelhante, com servidores dedicados e técnicos que cuidam da
infraestrutura.
O Mercado Livre, porém, não detalha
especificamente sua organização interna relativa à segurança da
plataforma, afirmando apenas que o setor emprega cerca de 200
funcionários na América Latina, com estratégia mais voltada para “a
prevenção que para a ação”, segundo a empresa.
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