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Windows 7 conquistou CIOs, diz Microsoft

Em entrevista exclusiva, gerente geral do Windows, Rich Reynolds, diz que maior aprendizado do novo SO foi perceber que é preciso fazer lançamento para ecossistema.

Fabiana Monte, da Computerworld

10 de dezembro de 2009 - 07h00
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Em seis semanas, o gerente geral do Windows da Microsoft, Rich Reynolds, visitou nada menos que 12 países, entre eles Japão, Coreia, China, França, Emirados Árabes, Estados Unidos, México, Turquia e Suíça. O objetivo era medir a aceitação do Windows 7 e entender a percepção de clientes corporativos e parceiros sobre o novo sistema operacional, lançado em outubro.

Mais de um mês depois, Reynolds diz-se satisfeito com as respostas que obteve sobre o produto, principalmente por conta da consistência das análises. Segundo o executivo, foi possível identificar três pontos de destaque em relação ao Windows 7: entusiasmo dos usuários finais, o que contagia o mercado corporativo; maior percepção dos executivos de TI sobre o valor tecnológico do novo sistema operacional e a chance de reduzir custos com o Windows 7.

Em entrevista exclusiva à Computerworld  Reynolds revela que o principal aprendizado do Windows 7 é que um sistema operacional não é lançado apenas para o mercado, mas para todo o ecossistema. O executivo também comenta sua expectativa sobre a adoção da nova tecnologia. Veja a seguir trechos desse bate-papo:

Computerworld - O senhor pode nos falar a respeito do seu trabalho?
Rich Reynolds - Nas últimas seis semanas, visitei 12 países. Tenho que ir para casa e me desculpar com minha família (risos). Nessas viagens gastei muito tempo para entender a aceitação do Windows 7, para conversar com clientes e parceiros. Estive em lugares como Cingapura, Tóquio, Coréia, Hong Kong, França, Dubai, Nova York, México, Turquia e Suíça.

A opinião dos clientes é incrivelmente consistente em todo o mundo: mas 95% dos clientes em todo o mundo me disseram que os orçamentos de TI estão menores e que eles precisam fazer mais. Tive uma reunião com um CIO de uma empresa de telecomunicações em Hong Kong que me disse que existe uma tensão entre custos e TI. Há menos recursos e é preciso fazer mais, com maiores expectativa do negócio em relação a um retorno sobre o investimento maior. Essa tensão sempre existiu, não é uma novidade. A diferença é que no ambiente atual ela está mais acurada, devido à pressão sobre custos e maiores expectativas. Os clientes estão buscando a habilidade de cortar custos de seus negócios e, ao mesmo tempo, aumentar a produtividade.

CW - Como o Windows 7 pode ajudar nesse processo?
RR - Os CIOs estão vendo no Windows 7 a chance de diminuir custos nas organizações. Fizemos três estudos de TCO [Total Cost of Ownership, ou custo total de propriedade] para quantificar o custo benefício de colocar esse sistema operacional nas empresas. Analisamos três companhias: uma do Reino Unido, com 200 funcionários; a segunda nos Estados Unidos também com 200 funcionários e outra com 15 mil funcionários na Holanda. Boa parte das economias verificadas está ligada a gastos  trabalhistas da TI.

Comparamos esse TCO antes do Windows 7 e depois. Em todos os casos, verificamos economias que variam de 111 dólares 190 dólares por PC por ano, dependendo do nível de maturidade do uso de TI. Uma das empresas verificou reduções anuais por PC de 18% com o gerenciamento dos computadores. Outra apresentou uma economia de 38 dólares por PC por ano com a funcionalidade de gerenciamento de consumo de energia.  A terceira empresa informou ter alcançado uma taxa de implantação de projetos 60% maior e também pode ver um pequeno crescimento no faturamento porque houve aumento na produtividade de seus funcionários.

CW - Que outras melhorias o senhor destacaria?
RR - Outro fato que está surgindo é que a "consumarização da TI". Os usuários têm expectativas maiores, porque usam Facebook e comunicadores instantâneos em casa e trazem essa expectativa [para o ambiente corporativo]. Então, de um lado você tem essa tensão na TI entre custos e produtividade e do outro tem a "consumarização" da TI. E há um incrível entusiasmo dos usuários finais em relação ao Windows 7 que está avançando nas corporações porque os CIOs veem no novo sistema operacional a chance de aumentar a produtividade dos funcionários.

O CIO de uma empresa na Turquia com 400 usuários do Windows 7 me disse que o sistema operacional é viral, contangiante numa forma positiva. Existe um grande entusiasmo dos usuários em relação ao Windows 7 nas organizações. O CIO de uma outra empresa turca, do setor de varejo, me informou que o processo de escolha do Windows 7 levou em conta, é claro, recursos como o BitLocker [recurso de criptografia] e outras funcionalidades do sistema operacional. Mas ele me disse que sua decisão definitivamente ocorreu quando instalou o Windows 7 na sua máquina. Ele se entusiasmou com a velocidade e os recursos do sistema operacional. Além do entusiasmo dos usuários, os CIOs estão vendo valor na tecnologia.

CW - Como está sendo a aceitação dos recursos de segurança?
RR - Nesta empresa na Turquia, o CIO precisava desabilitar portas USB nas lojas, ainda quando estava usando o Vista. Porém não tomou essa decisão para evitar o aumento de custos. Como resultado, os usuários nas lojas baixavam aplicativos que não deveriam. Abriram brechas para entrada de vírus e causaram problemas. Com o BitLocker do Windows 7, ele pode habilitar os devices USB, encriptando-os com tecnologias como AppLocker (que evita o uso de software não-autorizado), que permite restringir as aplicações que podem rodar no ambiente. O CIO me disse que está muito contente com os recursos de segurança e de gerenciamento.

Estamos certos de que os CIOs vão fazer a migração para o Windows 7, a pergunta é o quão rápido. A Forrester fez uma pesquisa com empresas em diversas regiões do mundo e 57% dos participantes disseram que pretendem adotar o novo sistema operacional no período de 12 a 18 meses. E o que temos ouvido em todo o mundo sobre isso é muito consistente.

CW - No Brasil, a tendência é a mesma?
RR - A tendência é extremamente consistente em relação à visão de todo o mundo. Eles precisam fazer testes de compatibilidade. É claro que precisam planejar, realizar testes de aplicativos, mas a intenção de migrar para o Windows 7 é muito consistente. Há clientes no Brasil que me disseram que já avaliaram que 50% de sua base de PCs é adequada para o Windows 7. Fiquei surpreso com a consistência de informações em todo o mundo. No Brasil não há tendência especial.

CW - O senhor concorda que o maior obstáculo que o Windows 7 enfrenta é o Windows XP?
RR -
 A maior parte dos PCs no mercado corporativo tem XP, mas ele é um sistema com oito anos de idade. Há oito anos os laptops eram 10% dos PCs do mundo. Nos Estados Unidos, se você fosse a uma cafeteria há oito anos e encontrasse uma rede Wi-Fi, ficaria surpreso e contente. Hoje, se você não encontra, fica desapontado e, em muitos países, ficaria desapontado se o acesso fosse cobrado. O XP vive hoje uma situação de segurança muito diferente daquela de quando foi lançado.

Pensamos no Windows 7 sob o ponto de vista do usuário final e do ambiente de TI. Os ambientes de TI tiveram de contratar terceiros ou escrever aplicações para que o XP funcionasse. Ou seja, os CIOs têm de realizar um grande esforço para fazer com que o XP funcione em seus ambientes. Acreditamos que o Windows 7 vai facilitar a vida deles, em termos de desenvolvimento e gerenciamento. O XP foi um grande sistema operacional em seu lançamento, mas os clientes estão realmente empolgados a com o desenvolvimento para o Windows 7.

Temos 15 milhões de clientes que aceitaram participar de nosso programa de aprovação. Eles nos enviam respostas e temos uma boa avaliação sobre o que os usuários finais e empresas pensam e querem do nosso sistema operacional. Constatamos que 49% dos usuários queriam melhor conexão dos funcionários com a rede corporativa; 62% deles trabalham fora da sede da empresa, por isso, provemos o Direct Acess; 56% deles procuravam maior proteção de dados; 61% queriam melhor controle para gerenciar aplicações, por isso criamos o App Locker.

CW - O Windows Vista foi lançado antes que o mercado estivesse pronto, do ponto de vista de oferta de hardware, por exemplo?
RR - Eu não diria que vemos dessa maneira. Mas certamente enfrentamos desafios com o Vista. As dificuldades surgiram porque quando lançamos o Vista promovemos mudanças significativas na arquitetura do sistema operacional, com o IPv6, ferramenta gráfica e aspectos de segurança. Fizemos mudanças fundamentais que os clientes aprovariam, mas isso significou que se havia uma aplicação que não era segura, ela não funcionaria no Vista.

CW - O que a Microsoft aprendeu com isso?
RR - Uma das coisas que aprendemos com o Windows 7 é que você não lança simplesmente um sistema operacional no mercado. Você lança um sistema operacional para a indústria, para o ecossistema. Então, com o Windows 7 realizamos um trabalho muito próximo a desenvolvedores e fornecedores de aplicações, e de hardware. A primeira vez que anunciamos o Windows 7 publicamente foi para desenvolvedores, de forma a garantir que as aplicações fossem preparadas. A segunda vez foi durante uma conferência de hardware. Então, quem produz equipamentos pode se preparar. Dedicamos muito tempo ao ecossistema.

Além  disso, o Windows 7 é construído sob a mesma arquitetura do Vista. Assim, a maioria das aplicações e hardware compatíveis com o Vista também é compatível com o Windows 7. Dessa forma, a maioria dos fornecedores de hardware e de aplicações tiveram três anos para se preparar. Acho que nosso principal aprendizado foi ter certeza de que indústria e o ecossistema estivessem prontos em termos de hardware e software.

CW - A Microsoft tem alguma estratégia especial para o mercado brasileiro de pequenas empresas?
RR -
 Uma das coisas que fizemos foi desenvolver um programa de adoção prévia para pequenas e médias empresas, o que já fazemos para as grandes corporações. Fizemos um trabalho com 130 pequenas empresas em todo o mundo para que elas aderissem ao programa. Estamos aprendendo uma série de coisas.

Um dos aprendizados foi saber como ocorre a implantação e a adesão de pequenas e médias empresas. A outra coisa é a reação desse segmento e como ele reage. Para este setor, há três benefícios proporcionados pelo novo sistema operacional: velocidade, produtividade e segurança. Tempo é dinheiro para esse nicho. Sabemos que o Windows 7 tem valor para este mercado. Estamos identificando como chegar até essas empresas e aprendendo sobre o mercado brasileiro. Reunimos recentemente com a Positivo para sabermos como podemos trabalhar este mercado com diferentes parceiros.

CW - Como o senhor vê o Brasil para o próximo ano? O Windows 7 interfere de alguma maneira nessa avaliação?
RR - O Brasil é muito importante e estratégico para a Microsoft. Estamos vendo sinais positivos em relação ao mercado de PCs. Há muito otimismo. Sempre tivemos uma boa percepção sobre o Brasil. O Windows 7 e a resposta positiva que recebemos de diversos clientes é uma boa chance para maximizarmos a oportunidade que temos para nossos parceiros e entregar valor aos clientes.

CW - Se o senhor fosse o CIO de uma grande empresa, começaria agora a migrar para o Windows 7 ou esperaria um pouco mais?
RR - Eu diria que eles estão começando agora, por duas razões: estão vendo valor no sistema operacional sob o ponto de vista de custos e da TI. Quando eles colocam o Windows 7 em suas máquinas, veem quão rápido, seguro e confiável é o sistema operacional e veem esse valor sob a perspectiva do usuário.

Estatísticas da Forrester e de outros analistas me dizem que os CIOs não vão esperar. Uma das perguntas que fiz aos CIOs que visitei foi se eles esperariam pelo SP1 ou migrariam já. A maioria disse que iria agora porque está vendo valor imediato. Embora eles gostem do XP, dizem que esse sistema  está com oito anos de idade e tiveram de se esforçar para fazer com o ambiente funcione nas empresas. Eles procuram por um sistema operacional mais fácil para a TI e para os usuários.

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