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Negócios
Nova Gradiente pode entrar no mercado de notebook
Além de estrear produção de laptops no próximo ano, empresa retomará fabricação de televisores LCD.
Andrea Giardino, da Computerworld
Após ter anunciado plano de recuperação extrajudicial nesta quarta-feira (9/12), por meio de fato relevante, a Gradiente volta à cena em 2010, de olho em produtos de alto valor agregado. De acordo com o analista da consultoria IT Data, Ivair Rodrigues, a fabricante sinalizou há dois meses intenção de estrear no mercado com a produção de notebooks, já sob a operação da nova empresa CBTD (Companhia Brasileira de Tecnologia Digital).
“Acredito que eles não devem usar a fábrica em Manaus que teve produção interrompida por quase três anos”, afirma Rodrigues. Para ele, produzir localmente eletroeletrônicos no Brasil, por exemplo, é algo proibitivo, sobretudo pela forte concorrência dos produtos importados da China.
Além de computadores portáteis, especula-se que a Gradiente pretende retomar a fabricação de televisores LCD. No caso dos laptops, o analista afirma que a companhia precisa de fôlego financeiro para brigar no mercado local e se manter competitiva. “Produzir notebooks não é algo tão simples assim quanto fabricar PCs”, ressalta Rodrigues.
No Brasil, além do custo maior de fabricação local em relação aos computadores, os notebooks têm a desvantagem de brigar com os equipamento importados (muitos, inclusive, entram sem declarar à Receita Federal).
O mercado de notebooks no País, segundo a consultoria IDC, é um dos mais promissores. A expectativa é que já no quarto trimestre deste ano os laptops superem o número de desktops vendidos no varejo nacional. No terceiro trimestre de 2009 foram comercializados 1,37 milhão de computadores, dos quais metade são portáteis.
Mesmo diante de um cenário positivo, resta a dúvida se a Gradiente de fato terá poder de fogo. A companhia possui uma dívida 385 milhões de reais com bancos e fornecedores que, segundo comunicado ao mercado, foi renegociada em sua totalidade com os credores, sem desconto e com acréscimo de juros.
Sobre possíveis danos à marca, Rodrigues não vê grandes problemas. “As pessoas sempre viram a Gradiente como marca de qualidade”, diz.
Recuperação extrajudicial
Para aproveitar os benefícios da nova Lei de Falência - que está em vigor desde 2004 e ajuda empresas em situação pré-falimentar a se reerguerem -, a fabricante de eletroeletrônicos tenta resolver o impasse de suas dívidas e, a partir da nova empresa atrair crédito.
Segundo o sócio do escritório de advocacia Leite, Tosto e Barros Advogados, Charles Isidoro Gruenberg, a estratégia de recuperação extrajudicial vai trazer maior transparência sobre os números da empresa e o tamanho de seu endividamento.
“A análise de crédito se torna mais simples nesses casos”, diz o advogado. Mas ele alerta que “o plano precisa ser homologado em juízo para ter efeito legal”. O processo de recuperação extrajudicial não contempla, entretanto, os acordos trabalhistas e prevê que tenha aceitação de 2/3 dos credores. A Gradiente anunciou que 60% deles bateram o martelo.
Crise
Desde 2007, a Gradiente enfrenta uma crise financeira que a fez desaparecer do mercado, depois de uma série de erros, muitos deles cometidos há mais de dez anos. Para tentar minimizar a situação, a empresa buscou empréstimo, no início do ano, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para retomar a produção de sua fábrica em Manaus, mas não obteve sucesso. A nova empresa nasce com aporte de 75 milhões de reais vindo de investidores.
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