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Sociedade pede prazo maior para adoção de medidor eletrônico
Entre as sugestões apresentadas ao governo em audiência pública está também a ampliação das funções dos medidores que permitirão a implantação de smart grids.
Verônica Couto
O aumento do prazo para implantação do novo sistema, a liberdade para que as distribuidoras possam definir as localidades prioritárias para instalação dos novos medidores, e a possibilidade de que os medidores possam ter suas funções ampliadas futuramente, foram algumas das contribuições encaminhadas ao governo por representantes de distribuidoras de energia e de entidades de consumidores, nessa quarta, 26/01, durante audiência pública promovida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para debater o modelo de medidor eletrônico de energia elétrica que deverá ser implantado em residências e estabelecimentos comerciais e industriais atendidos em baixa tensão no país.
A audiência é uma das etapas da consulta pública que trata das futuras normas para implantação dos medidores, prevista para ser encerrada amanhã, dia 28 de janeiro.
Pela proposta da Aneel, os medidores vão permitir que os consumidores tenham acesso a informações sobre o consumo e o fornecimento de energia, além de possibilitar a comunicação remota entre consumidor e distribuidora. “Com a incorporação dessas novas funcionalidades, o medidor eletrônico deixará de ser um mero registrador de consumo e será um portal de comunicação seguro e interativo entre o consumidor e a distribuidora”, destacou o diretor da Aneel André Pepitone da Nóbrega.
Segundo André, o medidor é apenas a primeira camada de um projeto completo de smart grid, mas representa 75% dos custos das redes atuais, baseadas, como ele destaca, “naquele relógio eletromecânico que vem desde os tempos de Thomas Edison”. Funciona como um HD de computador, com um software que permite várias leituras. A proposta de requisitos mínimos publicada pela Aneel para o equipamento envolve quatro dimensões: grandeza (medidas de tensão, energia elétrica consumida e reativa, frequência de interrupções e transgressões de tensões etc.); funcionalidades (ser capaz de registrar até quatro degraus tarifários, para oferecer descontos ao consumo fora de horários de pico, como acontece na telefonia); sistema de comunicação (bidirecional com um protocolo público, por exemplo, IP ); e informação ao consumidor (o display ou outra forma de interação).
A consulta e a audiência públicas buscam definir logo o medidor, para dar início à sua produção, e buscar a certificação do Inmetro. Entre a preparação, divulgação da norma e início da migração, a Aneel imagina um período de 18 meses. No segundo semestre do ano que vem, deverá ocorrer uma nova audiência pública, para estabelecer um plano de substituição dos equipamentos pelas concessionárias.
Nessa primeira audiência alguns representantes sugeriram que os medidores possam ter suas funções ampliadas futuramente, e outros pediram que os novos aparelhos não concentrem as funções de inteligência, para evitar possíveis fraudes. Também foram apresentadas sugestões para que seja assegurada a qualidade dos medidores instalados e também para que as informações dos medidores sejam criptografadas, com o objetivo de garantir a segurança dos dados.
Isso porque a segunda camada da rede, se o projeto evoluir de medição inteligente para rede inteligente, é o concentrador, que faz a leitura regional de 1,5 mil a 5 mil pontos, de um determinado bairro, por exemplo. A terceira camada é o backhaul (rede que faz a leitura dos concentradores); e a quarta, a central de informação da distribuidora, também chamada backbone.
Os principais benefícios do investimento no medidor, avisa Nóbrega, só serão obtidos se houver telemedição e os demais incrementos na gestão do sistema.A ideia é que os medidores possibilitem também a adoção de tarifas diferenciadas de acordo com o horário em que o consumidor utiliza a energia. “Com isso, o consumidor poderá optar por usar a máquina de lavar roupa à noite, quando a tarifa for mais barata, ou programar o ar condicionado para operar com menor potência quando a energia for mais cara”, exemplifica Nóbrega.
Contribuições da sociedade
Entre as contribuições apresentadas pelos participantes da primeira audiência pública sobre os medidores, o governo ouviu alertas dos sindicatos e das associações de defesa do consumidor sobre a necessidade de as distribuidoras qualificarem os empregados que trabalham atualmente na medição de energia para atuação em outras áreas da empresa e investirem em campanhas de de orientação para que os clientes entendam e saibam usar usar bem os novos medidores eletrônicos.
Já com relação à consulta, a IBM é uma das empresas que confirma estar preparando sua contribuição. Segundo Gadner Vieira, gerente de soluções para o setor de utilities, a empresa gostaria que o órgão regulador fosse mais específico no que se refere a padrões abertos e à interoperabilidade. “Está dito na proposta que devem ser abertos, mas sem detalhamento”, explica. Para ele, deve-se indicar, claramente, quais padrões serão adotados, porque já existem vários apoiados por entidades globais. “Para que o Brasil não se isole.”
Entre esses padrões, ele cita os da Instituto Nacional de Padrões e Tecnologias (Nist); os da IEC (por exemplo, o IEC 61850, para a parte de automação de rede de distribuição de energia); e o Common Interface Model (CI M). A IBM também considera importante a Aneel definir um plano e um prazo de substituição dos medidores, aspecto que influencia diretamente a capacidade de investimento para o projeto.
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) criou, em novembro, um grupo de trabalho para estudar as redes inteligentes e também pretende se manifestar na Audiência Pública. A entidade participa da comissão que define um protocolo de comunicação aberto para ser usado por todos os modelos e marcas de medidores de consumo residencial do País. Essa padronização é uma iniciativa única no mundo, segundo Roberto Barbieri, assessor do grupo de Geração, Transmissão e Distribuição (GTD) da Abinee. Atualmente, os medidores eletrônicos usam sistemas proprietários, e há cerca de dez fabricantes no País.
A definição do protocolo aberto de comunicação está a cargo de um comitê da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que a Abinee integra, e deve estar pronto até meados do ano que vem. A padronização vai cobrir a saída de dados do medidor de consumo elétrico para o equipamento de comunicação, de onde será possível fazer a “telemedição” – transmissão de dados até a central de operação das distribuidoras. Ou seja, o protocolo vai permitir ao medidor falar com o modem ou o rádio – acoplado ou externo, dependendo da tecnologia.
Em outra etapa, serão definidas tecnologias de comunicação que poderão ser adotadas para transmissão das informações (ZigBee, GP RS, PLC , Wi-FIvetc). “Não estamos padronizando a comunicação, mas a saída de dados”, diz Barbieri. O protocolo tem o nome provisório de Sistema Brasileiro de Medição Avançado (Sibma).
De acordo com o assessor do GTD da Abinee, essa é uma exigência das distribuidoras, para que possam usar e substituir medidores eletrônicos de qualquer fabricante. E também para facilitar a integração de soluções e aplicações futuras de gestão doméstica do consumo, integrando a medição inteligente aos equipamentos eletrodomésticos. O novo GTD de redes inteligentes da Abinee tem cerca de 20 participantes, de vários setores da economia (automação, comunicação etc.).
Para a Audiência da Aneel, as distribuidoras, por meio de suas entidades, devem pedir menos variáveis de medição nos equipamentos, especialmente no que se refere à qualidade da energia fornecida. Do ponto de vista dos custos, no entanto, o diretor da Landis Gyr, Ronaldo Paiva, assegura que a adaptação das funcionalidades pedidas pela agência não traz impactos expressivos.
(*) Com informações da Agência Brasil.
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