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Data center: o eterno desafio de ganhar espaço e cortar custos

A avalanche de dados estratégicos que precisam ser gerenciados e armazenados, incluindo cada vez mais os não estruturados, aquece o setor.

Edileuza Soares, da Computerworld

03 de maio de 2011 - 07h30
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Um fator que está contribuindo para que as empresas avaliem os serviços de data center é a falta de local adequado para manter a infraestrutura de TI dentro de casa. Por outro lado, mesmo quem tem data center como negócio, também sente a mesma dificuldade para expandir. Uma das alternativas para otimizar espaço são com os servidores blade, contudo consomem mais energia, exigem investimentos em sistemas de refrigeração e trazem desafios para as companhias.

“Muitos CIOs estão buscando saídas para o problema dos gastos com energia, que é um dos custos mais altos da TI”, constata o responsável pela área de Serviços de Data Center da IBM, Flávio Duarte de Oliveira. O executivo relata que os centros de processamento das companhias têm hoje entre sete e dez anos de idade e que estão defasados para suportar as novas tecnologias com eficiência.

Oliveira revela que existem empresas adquirindo servidores sem planejamento. “Depois da compra é que avaliam a infraestrutura e descobrem que o espaço não oferece energia e ar-condicionado adequados”, diz o executivo.

Com esses problemas, algumas tentam e estender a vida útil do data center. Outras terceirizam. No caso da IBM, o foco são as grandes companhias que contratam serviços de host gerenciado ou outsourcing total da infraestrutura de TI. 

Duarte observa que ultimamente a Big Blue tem recebido demanda de empresas médias de outros países que estão chegando ao Brasil e que não querem investir em data center próprio. Elas mantêm sua TI na matriz e usam infraestrutura terceirizada para suportar a operação local. 

Estudos da IDC constatam que apenas 18% das médias e grandes empresas brasileiras utilizam alguma aplicação de cloud computing em rede pública. Entretanto, esse índice deverá subir e chegar entre 30% e 35% até 2013. 

“Cerca de 98% das companhias consultadas acreditam que essa tecnologia veio para ficar, embora muitas delas apontem riscos, como segurança e precificação”, declara o presidente da IDC Brasil, Mauro Peres.

Atentas a essa tendência, os data centers e grandes estão-se preparando para ganhar presença na nuvem. Entre eles estão IBM, HP, Telefônica e Unysis. Boa parte dos serviços está prometida para o segundo semestre.

O grupo espanhol Telefônica definiu que cloud computing é uma das áreas estratégicas em cinco dos 20 países em que está presente. Um deles é o Brasil, onde funciona um dos sete data centers que a operadora possui ao redor do mundo.

O centro de armazenamento de dados da companhia está localizado na região de Alphaville, na cidade de Barueri. Este ano, a unidade receberá investimento de 35 milhões de reais. No próximo, o aporte deverá ser de 50 milhões de reais. O local está recebendo duas salas novas para processar serviços na nuvem.

Segundo o diretor de Marketing da Telefônica Empresas, Maurício Azevedo, o lançamento da primeira oferta de serviços na nuvem está previsto para o segundo semestre. Será a venda de infraestrutura de TI como storage e backup para pagamento, conforme a demanda dos clientes. Para 2012, estão planejados processamentos de plataforma e de software.  

“A Telefônica está colocando muita expectativa em cloud computing por conseguirmos entregar uma oferta completa para os clientes”, afirma Azevedo, acrescentando que a operadora levará vantagem frente aos concorrentes que não contam com serviços de comunicação. 

A HP Corporation vai investir globalmente 1 bilhão de dólares em data center entre 2011 e 2012. De acordo com o diretor de operações da subsidiária local, Tim Cardoso, uma parcela desse valor virá para o Brasil. Ele não revelou a quantia, mas garante que o País é um dos mercados estratégicos para a companhia.

A empresa, que incorporou o data center da EDS, traçou um plano para consolidar as duas unidades que possui na cidade de Barueri. Juntamente com esse projeto, a HP está estruturando um pacote de serviços de cloud computing. Cardoso explica que já está disponível para os clientes soluções de infraestrutura e que planeja para o segundo semestre ofertas de comunicação.

Trabalho semelhante está sendo realizado na IBM. O responsável pela unidade de data center da Big Blue, Flávio Duarte de Oliveira, anuncia que a empresa irá entregar serviços por cloud computing aos seus clientes, mas prefere manter as ofertas em segredo. O executivo também não revelou data de lançamento dos produtos. 

Apesar de ainda não explorar esse mercado diretamente, a IBM vende soluções na nuvem para pequenas e médias empresas por meio da loja de aplicativos do UOL Host, unidade de do UOL Diveo. 

O acordo foi fechado em março último. Inicialmente, estão sendo oferecidos software de banco de dados IBM DB2, os servidores de aplicação WebSphere Aplication Server e a plataforma para desenvolvimento e manutenção de aplicações IBM Rational.

Assim como seus concorrentes, a Unisys não está parada. A empresa vai ampliar o data center de São Paulo, localizado em seu prédio, no bairro de Santo Amaro, para explorar o mercado de cloud computing. O diretor de da companhia, Paulo Roberto Carvalho, explica que a empresa poderá prover serviços na nuvem global com outros data centers do grupo. Porém, ele reconhece que ainda é alto o custo dos links de comunicação para uso de redes dedicadas.

Os provedores focados nas PMEs também estão atentos às oportunidades na nuvem. A Locaweb foi uma das pioneiras a lançar ofertas de cloud computing. Atualmente, a empresa conta com 3,9 mil clientes, utilizando esses serviços para permitir o crescimento dos sem a necessidade de fazerem grandes investimentos em TI. Hostlocation e Alog  não estão de fora desse modelo de . 

Provedores segmentados 
O potencial de crescimento dos serviços de data centers no Brasil estimulou duas prestadoras de serviços de outsourcing de TI a ingressarem nesse mercado. A CPM Braxis Capgemini e a Sonda IT. Ambas vão atender seus próprios clientes com a proposta de entregar uma oferta completa. 

O data center próprio da CPM Braxis Capgemini entrou em operação no começo do ano, localizado na sede da empresa em Alphaville, na cidade de Barueri. 

O empreendimento é também o primeiro da empresa brasileira após a chegada do sócio francês, Capgemini, que em setembro último comprou 55% do seu capital. Entretanto, a entrada nesse mercado faz parte de uma ação que foi planejada há dois anos.

A CPM Braxis Capgemini já tinha três data centers (dois em São Paulo e um em Salvador), para suportar suas operações. Brecha conta que a novidade agora é que a companhia vai oferecer hosting e colocation para complementar o portfólio de serviços.

Até agora, empresa atuava com a venda de licenças de software, equipamentos e implementação de sistemas. Cuidava também da gestão da infraestrutura das contas atendidas no Brasil e no exterior, que somadas são 230. 

A prestadora de serviços tomou a decisão de prestar serviços de data center para terceiros porque os clientes começaram a pedir para que a companhia assumisse também o processamento das aplicações para se livrar desse trabalho.

O diretor de serviços de infraestrutura da CPM Braxis Capgemini, Carlos Alberto Duke, relata que o serviço já atraiu cinco clientes. Essas empresas tinham data center em casa e terceirizaram a operação. 

“O plano é atuar na base de clientes que já atendemos. Já prestamos outros serviços a eles e agora incluímos na nossa oferta o data center”, diz Duke. Com a nova unidade, a CPM Braxis Capgemini passa a suportar também os clientes globais do seu novo sócio, localizados no Brasil. 

Data center próprio
A proposta da CPM Braxis Capgemini é parecida com a do grupo chileno Sonda IT. A companhia investiu 14 milhões de reais Brasil para colocar em operação um data center próprio para atender à demanda dos clientes por serviços de infraestrutura. 

A unidade vai funcionar na nova sede do grupo, localizada em Tamboré, no município de Santana do Parnaíba, em São Paulo. O data center estava previsto para ser aberto em janeiro, mas o presidente da Sonda IT, Carlos Henrique Testolini, informa que as obras atrasaram e que a inauguração ficou para o final de abril.

O local já nasce preparado para oferecer soluções por meio de cloud computing. As primeiras ofertas serão soluções fiscais, voltadas a empresas que precisam cobrir principalmente as demandas do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) a partir deste ano.

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