
A central de whitepapers de tecnologia da COMPUTERWORLD
Negócios
Oracle aumenta valor da indenização contra Google
Processo de infração de propriedade intelectual do Android pode resultar em reestruturação da máquina virtual do sistema.
Matt Hamblen, da Computerworld/US
Após quase um ano do início da disputa de patentes movida pela Oracle contra o Google sobre a propriedade intelectual do Android, um novo documento sugere que a Oracle aumentou os valores sobre os danos contra o Google.
De acordo com o blogueiro e especialista na questão de patentes, Florian Mueller, os danos devidos à Oracle, se concedidos pelo juiz federal do Distrito dos EUA do norte da Califórniva William Alsup, “excedem em muito o valor que o Google já ganhou com o Android” e podem levar a uma reconfiguração da máquina virtual do Android, a Dalvik Virtual Machine. O sistema é utilizado por fabricantes de Android em todo o mundo e por milhares de desenvolvedores de aplicativos baseados no sistema operacional.
Os atuais danos que a Oracle busca não são claros, uma vez que muitas partes do último documento composto por cinco páginas, liberado ao público e enviado ao tribunal federal na segunda-feira (6/6), contém tarjas pretas.
A Oracle iniciou o processo em agosto do ano passado, alegando que o sistema operacional Android violava patentes e direitos autorais do Java, que a companhia herdou após a compra da Sun Microsystems. O Google nega as acusações e alega que esse é um caso de ataque ao open source.
O advogado do Google no caso, Scott Weingaertner, do escritório de advocacia King & Spaulding de Nova York, apresentou o documento em resposta ao parecer que um perito deu sobre o protocolo que o advogado da Oracle, Iain Cockburn, realizou. Cockburn, professor de economia da Universidade de Boston School of Management, apresentou prova pericial de outros casos de patentes em que a valorização da propriedade intelectual está em questão.
O relatório não se tornou público, mas a resposta do Google traz indicações sobre o que ele diz.
Weingaertner disse que Cockburn encontra dificuldades em afirmar que as receitas de publicidade que o Google recebe a partir de pesquisas em dispositivos móveis baseados em Android devem ser sujeitas a royalties pagos à Oracle.
O Google afirma que não recebe qualquer pagamento ou taxa do Android, que é amplamente conhecido por ser um software de código aberto.
O advogado do Google diz ainda que Cockburn encontrou uma taxa “sem precedentes” de pagamento de 50% do royalty devido à Oracle, e que Cockburn falha ao estipular uma taxa para a tecnologia patenteada.
Weingaertner também afirma que Cockburn calculou a perda da Oracle alegando violação de patentes com base em todo o software Java da Oracle, “embora as características patenteadas são apenas uma pequena parte do Java."
Mueller, que se autodenomina como um blogueiro ativista, criticou o Google por tirar o Android da receita gerada com publicidade baseada no sistema operacional. "Sobre esse ponto eu concordo 100% com a Oracle e 0% com o Google", comentou. “Não importa o quanto eu não goste das patentes de software da Oracle, não posso apoiar a posição do Google sobre os royalties." Ele acrescentou que as representações do Google "desafiam a lógica e negam a realidade".
Ainda segundo Mueller, o Google optou por disponibilizar o Android para os desenvolvedores e outros sem cobrar royalties “mas não faz isso por caridade. Existe um modelo de negócio claro e a maior parte de suas receitas vem de publicidades relacionadas às buscas e outros serviços on-line”. Ele também observou que a avaliação de Cockburn sobre o pagamento de 50% de royalties pode ser triplicada de acordo com as leis dos EUA.
Levando esses pontos em consideração e os 44 processos de patentes que correm na justiça relacionados a possíveis infrações no Android, Mueller avalia que “o ecossistema Android fica, diante dessas situações, fino como gelo”.
Na avaliação de Mueller, a Oracle deve sustentar prejuízos enormes em cima do Google. Um julgamento pode ser realizado em cinco meses.
"Uma derrota no tribunal exigiria que o Google realizasse mudanças em sua máquina virtual Dalvik, alterações que provavelmente afetariam muitos, senão todos os que usam o sistema", afirma Mueller. "Mas mesmo em termos financeiros, há sérias dúvidas quanto ao fato de o Google ser capaz de atender às exigências da Oracle, continuando a disponibilizar o Android sem cobrar por licença”, completa.
Google e Oracle não quiseram comentar sobre o caso.





