Negócios
Corinto Meffe é gerente de inovações tecnológicas da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI) do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
Software público é diferencial para o Brasil
Conceito de software público coloca na pauta questões sobre como o Estado pode compartilhar conhecimento e estratégias de inovação em TI. Por Corinto Meffe.
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Em função do investimento empregado na área da Educação nos últimos anos a Coréia do Sul e a Espanha são países que têm se destacado no cenário internacional como um exemplo de política pública a ser seguida [1]. O Estado Sul-coreano e o Espanhol estiveram presentes nesta inversão de prioridades dos investimentos, confirmam inúmeros estudos sobre o tema [2]. Tal resultado, concluem diversos especialistas, alcançou como conseqüência, a consubstanciação do salto econômico e social desses países [3].
Convivemos neste terceiro milênio com a presença constante de uma nova forma de construção de conhecimento e de riqueza: o software. Os defensores da língua pátria podem imaginar que não começamos muito bem ao adotarmos um termo "importado". Mas, vamos conviver com os sinais deste mundo globalizado sem nos furtarmos desta realidade invasiva, pois queiramos ou não, o software será cada vez mais uma das principais alavancas de desenvolvimento econômico e social no início deste terceiro milênio. O Estado, a exemplo da percepção da experiência da Coréia da Sul e da Espanha, também será essencial como base de transformação, onde o fortalecimento do conceito de software como um bem público se tornará um fundamento importante para dimensionar o papel estratégico que o Estado deve assumir atualmente frente ao assunto.
Logicamente, o momento não é de discutirmos o papel do Estado. O importante é percebermos o que representa o estímulo deste na condução estratégica de uma política pública (há dez anos atrás o Estado foi colocado como o grande vilão da economia - [4]). Tal defesa, precisa primeiro de uma contextualização do segmento software em nosso país:
• Existe um mercado consumidor emergente, mas longe de atingir a grande maioria da população. Isto pode ser comprovado em pesquisa recente organizada pela Fundação Getúlio Vargas, que realizou uma série de cruzamentos de informações sobre o consumo doméstico no setor de Tecnologia da Informação[5]. Um dos resultados da pesquisa se traduz na conformação de um quadro onde o cidadão que possui computador, normalmente, já conseguiu adquirir pelo menos um carro e um ar condicionado (afirma o estudo que "a nível nacional 98.5% dos miseráveis são sem computador").
• Uma segunda premissa estabelece que boa parte das pequenas e médias empresas, enquanto usuárias de soluções, tem dificuldade de acesso aos benefícios das tecnologias disponíveis pelos grandes conglomerados de TI[6](e o mesmo efeito se assemelha para prefeituras e órgãos públicos de menor orçamento). Trata-se de uma dificuldade imposta em grande parte pelo alto custo das soluções existentes.
• Outra questão é que o preço de um conjunto de softwares comprovadamente se torna maior que o custo do hardware, o que também dificulta a aquisição deste bem (ou serviço) por boa parte dos usuários, sejam eles cidadãos, empresas e órgãos públicos. Estes ao adquirirem o hardware, acabam surpreendidos pelo custo de aquisição de software para o ambiente.
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