Negócios
Corinto Meffe é gerente de inovações tecnológicas da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI) do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
O software público e a riqueza nacional
Pensar no software como riqueza nacional não é mero tecnicismo ou simples modismo. Na Era da Informação trata-se de uma necessidade estratégica para o País. Por Corinto Meffe
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Pensar no software como riqueza nacional não é mero tecnicismo, pressão de interesses do mercado ou um simples modismo. Na Era da Informação trata-se de uma necessidade estratégica para o País. A linha de defesa do software como riqueza pode ser encontrada desde 2000, quando o governo brasileiro definiu o conhecimento, a informação, a criatividade e a inovação como fatores de riqueza [1]. O software se insere em todos esses fatores o que pode configurá-lo como um bem passível de se tornar uma riqueza nacional.
O primeiro desafio posto ao País é como transformar as intenções expressas nos documentos oficiais do governo em resultados palpáveis, evitando que a distância entre a intenção e a efetividade da ação possa conduzir ao esquecimento de determinada política estratégica.
No livro "A Riqueza e Pobreza das Nações: por que são algumas tão ricas e outras tão pobres" [2], apesar dos estudos de David S. Landes serem considerados pouco científicos para alguns críticos do meio acadêmico, verifica-se de forma direta um recado em seu título: algumas nações conseguem acumular e distribuir riquezas, enquanto outras não. Neste contexto, a decisão pela forma de utilização do software por algum país será determinante na formação e distribuição de sua riqueza no futuro.
Em sua obra, Landes chega a arriscar um fator sobre a desigualdade: “Há 250 anos a diferença entre o mais rico e o mais pobre seria de 5 para 1, mas hoje entre Suíça e Moçambique é de 400 para 1”. Isto significa, segundo o autor, que desde os estudos da economia clássica até o preponderante estágio neoliberal, a humanidade não foi capaz de inverter a freqüente concentração de riqueza.
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