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Corinto Meffe é gerente de inovações tecnológicas da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI) do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Software público e as contribuições para a informatização

O conjunto de softwares disponibilizados no Portal Software Público Brasileiro vem atendendo demanda reprimida do País por soluções informatizadas. Estão beneficiados governo e sociedade. Por Corinto Meffe

02 de julho de 2007 - 11h52
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O recente lançamento do portal do Software Público Brasileiro, em abril deste ano, demonstra que a experiência tem potencial para apoiar um novo ciclo econômico no Brasil. Dois meses após o lançamento, os sinais dessa possibilidade já são evidentes: existem mais de seis mil pessoas cadastradas no portal, as instituições governamentais interessadas em disponibilizar soluções ultrapassam de quinze e a rede de prestadores de serviços do sistema de inventário CACIC alcança a marca de quatrocentos e oitenta cadastros.

Um dos grandes aprendizados da iniciativa do software público foi integrar as necessidades dos usuários com a rede de atendimento da respectiva solução. O que na economia significa aproximação da demanda e da oferta. Uma espécie de mercado público virtual. Quando esse fenômeno acontece, em tese, pode ocorrer a aceleração do desenvolvimento e da utilização das ferramentas, o aumento de serviços prestados e a movimentação da economia em torno de cada software.

Uma matéria da revista Computerworld[1], em que o modelo de negócio do sistema de inventário CACIC foi retratado, demonstra que essa primeira solução estruturada com base no conceito do software público já gerou receita para 21% dos prestadores que realizaram qualquer serviço relacionado com a ferramenta.

A matéria foi fundamentada em uma pesquisa realizada no mês de novembro de 2006, junto aos duzentos e setenta prestadores cadastrados naquele período. Na pesquisa houve a participação de 30% da rede CACIC e os resultados a seguir ilustram a relevância do modelo de negócios proposto:

•       A rede privada de prestadores possui oitenta e dois clientes diretos. O que significa que existe demanda reprimida por esse tipo de solução na sociedade.

•       As empresas que trabalham prestando serviços são em sua maioria pequenas empresas. Fato que indica oportunidade de negócios no mercado.

•       Nenhum dos clientes da rede privada instalou o CACIC para substituir uma outra solução similar em uso. Uma demonstração de que houve um crescimento absoluto do mercado no segmento de inventário.

Os resultados da pesquisa acima e os recentes números do Portal do Software Público Brasileiro nos trazem ensaios de um novo ciclo econômico sustentado em bens intangíveis e com base em tecnologias públicas, onde algumas características já podem ser observadas:

i) o conjunto de softwares disponibilizados no Portal vem atendendo demanda reprimida do país por soluções informatizadas.

ii) em menos de um ano a solução de inventário CACIC formou uma rede de prestadores de serviços que nenhuma outra solução do segmento conseguiu alcançar.

iii) o setor público vem se beneficiando diretamente pelo modelo, em função da quantidade de código que retorna da comunidade e pelas ações de compartilhamento entre os entes públicos

iv) o tão sonhado modelo de negócios para o software livre vem se fortalecendo com a inserção do conceito de co-produção de bens públicos.

v) por último, a Administração Pública vem encontrando mais conforto jurídico para disponibilizar suas soluções para sociedade, o que possibilitará o aumento do acervo, em pouco espaço de tempo.

Agora, com pouco mais de dois meses do lançamento do Portal, já é possível verificar que o conceito vem se estruturando com o apoio da sociedade e que os resultados apontam para um futuro otimista no setor de tecnologia da informação, em função da expansão da demanda por serviços, da organização da oferta no chamado “mercado público virtual” e do aumento da competição no mercado de prestação de serviços em TI.

Uma primeira análise dos avanços do software público asseguram que iniciamos o desenho de uma linha de desenvolvimento econômico com base no bem software[2]. Os números de crescimento previstos pelo Programa de Aceleração do Crescimento-PAC para o PIB de mais de 5% ao ano tem deixado o mercado otimista. Neste ano, podemos verificar que esse novo tratamento dado ao bem software pelo Estado brasileiro poderá ser mais uma contribuição para que a aceleração da economia nacional seja ainda maior no futuro.

Notas:
[1] “Negócios em software público”, pág.12, Computerworld, 11 de abril de 2007, nº 472, Editora IDG Brasil.
[2] “A Teoria econômica afirma que os ciclos econômicos são flutuações nas atividades econômicas da era industrial, ou seja, alternância de períodos de expansão e de contração econômica”. pág.16, Economia Brasileira, autores diversos, 2001, Editora Saraiva.

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