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Corinto Meffe é gerente de inovações tecnológicas da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI) do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

O software público e suas qualidades extrínsecas

A experiência do software público brasileiro apresenta um alinhamento com o que diversos autores têm escrito sobre a economia do futuro.

29 de janeiro de 2010 - 18h40
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Os fenômenos da tecnologia digital e da Internet geraram um novo contexto histórico em torno do ano 2000: a Revolução Tecnológica e Informacional - uma definição trabalhada nos últimos anos por Manuel Castells. O que sabemos é que ainda nos encontramos no início das descobertas que vão transformar as relações sociais, culturais e os atuais modelos econômicos.

Alguns fenômenos já foram identificados e conceituados por autores de livros como a Cauda Longa, de Chris Anderson; A Riqueza das Redes, de Yochai Benkler; e o Mundo é Plano, de Thomas Friedman. Todos exploram, à sua maneira, um cenário comum: o emergir da economia dos bens intangíveis e a produção coletiva e colaborativa em rede.

O Brasil, com a experiência do software público brasileiro (SPB), apresenta um alinhamento com o que os autores acima têm abordado sobre a economia do futuro. Entretanto, alguns elementos diferenciais, em especial por conta da evolução e do aprendizado com o modelo do SPB, vêm desenhando uma nova etapa para a iniciativa.

Tal fase vem das qualidades extrínsecas proporcionadas pelo bem software. Embora o termo seja de pouco uso na língua pátria, ele trata de uma das maiores transformações que ocorrerão na economia. Mesmo correndo o risco de ser redundante, como veremos mais adiante, o extrínseco seria uma espécie de lateralidade do ambiente externo.

Os bens sempre foram tratados pensando em suas qualidades internas, externas e extrínsecas. Contudo, estas duas, em grande parte, são incorporadas às internas ou têm baixo nível de interferência no ambiente lateral.

Efeito em cadeia

A influência que o modelo imprime surge desse reflexo no ambiental lateral. Dentre os bens intangíveis um dos que tem gerado mais riqueza direta - relacionada ao bem in natura - e se transformado com extrema rapidez, é o software. Isto significa que o potencial do bem software para dar sustentação a uma base de funcionamento para economia dos bens intangíveis tem maior probabilidade e contundência.

A qualidade extrínseca do bem software poderá impulsionar a cadeia de produção e expansão do bem e também pressionar a formação de um ecossistema decorrente do crescente atendimento da demanda reprimida por soluções informatizadas. Estas demandas surgem como consequência do aumento do número de computadores, maior oferta de conexão e quantidade de soluções informatizadas ofertadas.

A qualidade extrínseca se sobrepõe em alguma medida à externa. Algo que gera confusão em primeira análise. Mas vejamos o que acontece quando eu produzo um software para a área de saúde. Ao oferecer livremente tal solução, crio um impacto interno imediato no bem in natura, o que verificamos nesse caso como a qualidade interna, ou seja, o código.

O usuário, que representa a demanda, poderá contratar serviços para melhorar o software. E quando o software é utilizado por uma base maior de usuários significa que posso aumentar a quantidade de serviços prestados pela área de TI, o que seria assim um impacto externo. Um software da área de saúde chegando mais rápido a centenas de prefeituras pode gerar uma qualidade extrínseca ao bem, decorrente da melhoria do serviço de saúde prestado para o cidadão. Entendemos, neste caso, o serviço de saúde como o ambiente lateral, aquele que gera um impacto extrínseco.

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