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Vagner Diniz é presidente do Instituto Conip – Conhecimento, Inovação e Práticas de TI na Gestão Pública.

Coração conectado

Nem aproveitamos o potencial do governo eletrônico e já estamos vivendo a nova era do governo com mobilidade. Por Vagner Diniz

28 de março de 2006 - 12h47
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Já que estou me aproximando celeremente dos 50 anos, adotei como boa prática um check-up médico anual. Feito os exames e agendada a consulta com a cardiologista, eis que, para minha surpresa, na véspera do retorno, recebo uma mensagem SMS em meu celular: “HCor informa – SR. VAGNER consulta confirmada para 31/01/2006 às 18h30. Para cancelar responda <código> ou ligue para <telefone>”.

Surpresa pelo Hospital do Coração alcançar-me na rua, onde eu estava no momento da mensagem, e pela utilidade do aviso, uma vez que estava para esquecer da boa prática de ouvir as mesmas recomendações sobre colesterol, glicemia etc. Trata-se de um serviço relevante, de interesse público, e sem ser estatal. Fico a imaginar o quanto idéias simples como essa são aplicáveis na esfera pública, podendo melhorar a qualidade e quantidade de serviços entregues pelos governos.

Ainda nem aproveitamos as potencialidades do governo eletrônico (e-gov) e já estamos vivendo a nova era do governo com mobilidade (m-gov). Já imaginaram a diferença em relacionamento se o cidadão comum pudesse marcar consulta em um Posto de Saúde por telefone e recebesse um lembrete por mensagem SMS? Ou se os pais fossem avisados pelo celular que teve início o período de matrícula de seus filhos nas escolas públicas e que só com um clique no celular é possível resolver a questão? Ou ainda se pudesse saber com uma simples consulta pelo celular qual o status de seu processo na Prefeitura? A esses serviços o Instituto CONIP chama de Cidadania Móvel (M-gov) e sintetiza a idéia em “serviço público que cabe no bolso”.

Tecnologias para tanto já estão disponíveis. Se a relação com o governo já pode acontecer por meio do mundo eletrônico, atualmente grande parte da população se vê excluída do processo e com o acesso aos serviços do governo dificultado. Ousar na forma de entregar serviços públicos trata-se de Cidadania. E ele toma forma por meio de serviços como os já disponíveis no Paraná, Pará ou Bahia, nos quais o celular é usado para avisar o cidadão de oportunidades de trabalho, enviar alertas ao agricultor sobre geadas e até fornecer informações sobre teatro ou blocos carnavalescos aos turistas. Outras aplicações já funcionam e estão cadastradas no site do Conip como Banco de Iniciativas.

Prover novas formas de entrega de serviços é mais do que benefício. É respeito ao cidadão. Estar atento às inovações tem a ver com a existência do Instituto CONIP - Conhecimento, Inovação e Práticas de TI na Gestão Pública, organização sem fins lucrativos que eu presido e cujo objetivo é ser um observatório das práticas bem sucedidas de uso da tecnologia da informação na gestão pública em todo o Brasil. Ele congrega em seu conselho importantes figuras com história na informática pública e que têm em comum a missão do instituto: desenvolver e disseminar conhecimento e práticas no uso inovador e alternativo das tecnologias de informação e comunicação com ênfase em democracia, cidadania e eficiência do serviço público.

É com este intuito e sobre estes assuntos que passo a contar novidades, aplicações práticas e histórias de mercado neste espaço a partir de agora. Até mais!

P.S.: a propósito, a cardiologista me garantiu: “para sua idade até que você está muito bem”. Não sei se presto atenção no início da frase ou no fim. Bem, estou indo para o Estádio do Morumbi. Não seria interessante se eu tivesse agora, via celular, indicações de congestionamentos ou alerta sobre temporais típicos de São Paulo  e probabilidade de enchentes? Como não existe o serviço, vou preparado para emoções fortes, confiando no parecer da cardiologista.

Vagner Diniz  é presidente atual do Instituto Conip – Conhecimento, Inovação e Práticas de TI na Gestão Pública. Trabalhou como consultor em Tecnologia da Informação para o  BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social); Instituto Pólis e IDETI Eventos em Tecnologia da Informação. Graduado em engenharia eletrônica, o profissional é também pós-graduado em administração pela FGV e em Ideologia e Educação pela Universidade de Genebra (Suíça).

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