Negócios
Vagner Diniz é presidente do Instituto Conip – Conhecimento, Inovação e Práticas de TI na Gestão Pública.
O exemplo dos pequenos
Para garantir que serviço público não significa serviço ruim, mesmo cidades menores podem e devem implementar serviços para facilitar a vida do cidadão. Por Vagner Diniz.
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Toda vez que eu preciso usar um serviço público como lavrar um boletim de ocorrência, ir até uma agência bancária ou a um posto da receita federal, retirar uma certidão ou atualizar um documento, a primeira imagem que me vem é fila, tempo de espera, sistema fora do ar e um bocado de mau humor.
O hábito de um passado recente ainda persiste na memória e leva um certo tempo até eu me dar conta de que grande parte desses serviços já posso encontrar disponíveis na internet, pelo menos os de menor complexidade.
As cenas de martírio da espera em pé, sob sol forte ou chuva torrencial, já começam a fazer parte do passado. Alguns podem dizer que esses tempos não voltam mais, que programas como o Poupatempo já corrigiram essas distorções. É até possível considerar que pela aceitação da população esses programas são irreversíveis. Entretanto, também seria razoável pensar que essas melhorias não estão acessíveis a qualquer município, apontando a condição financeira do Estado de São Paulo como principal motivo catalisador da viabilização dos projetos – e o Poupatempo seria um desses exemplos.
Pois é! O bom disso tudo é que essa premissa está equivocada. Embu, cidade de aproximadamente 240 mil habitantes na região metropolitana de São Paulo, conseguiu implementar um sistema baseado em Praças de Atendimento, muito semelhante ao Poupatempo paulistano. E, o mais impressionante, é que a primeira unidade exigiu apenas R$ 50 mil de investimento inicial para sua implantação, um valor quase irrisório em relação aos orçamentos de boa parte das prefeituras brasileiras.
O projeto, que teve início em 2002, já conta com duas Praças de Atendimento, e deve inaugurar a terceira até o final do ano. Segundo estimativas da Prefeitura de Embu, são realizados por ano mais de 50 mil atendimentos dos mais diversos, entre eles emissão de documentos e regularização ou parcelamento de dívidas com o município. Tudo isso sempre apoiado por serviços que também são disponibilizados na Internet, uma ferramenta poderosa, mas nem sempre acessível às classes de mais baixa renda.
Alguns números impressionam. Por exemplo, a redução no tempo de atendimento ao cidadão. Antes, para um simples atendimento uma pessoa gastava, em média, três horas. Com a Praça de Atendimento – e toda a infra-estrutura física e tecnológica disponível – esse tempo necessário caiu para 15 minutos. Isso mesmo, 15 minutos!! Uma redução de quase 92% no tempo que cidadão despendia em filas de espera torturantes e burocráticas.
É claro que um trabalho desses não pode ser realizado da noite para o dia. Exige uma refinada organização das informações existentes na prefeitura a respeito da população. Também a escolha certa por equipamentos e sistemas que suportarão o dinamismo que o novo patamar de qualidade almejado irá demandar. A tecnologia, e a capacitação dos funcionários para tirar dessa tecnologia o melhor que ela tem para oferecer, são fundamentais.
O exemplo de Embu é emblemático, por mostrar que até municípios menores têm total condição de realizar e, melhor ainda, ampliar projetos com níveis de serviços jamais vistos. Certamente a população agradece.
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