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Segurança

A teoria da colaboração

Apesar de antigo, o conceito supply chain se mantém mais na teoria do que na prática. A cultura é a maior barreira. Mas a Internet pode quebrar paradigmas, trazendo o B2B colaborativo para o País.

Por Ceila Santos

24 de junho de 2002 - 11h57
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Faça tudo com quase nada. A célebre frase, citada por dez entre dez analistas de gerenciamento de cadeia de suprimento, começa a sair do âmbito utópico com a chegada da Internet, as novas versões dos ERPs (Enterprise Resource Planning) e as ferramentas especializadas de APS (Advanced Planning System).

“A Web diminuiu o tempo e o espaço entre as empresas, facilitando a regra de transformar o estoque em informação na cadeia de suprimentos da indústria”, destaca Reinaldo Yocida, gerente de soluções da IBM. Há, no entanto, poucas implementações de supply chain via Web, mas estudos e projetos prometem uma autêntica explosão no mercado brasileiro.

Na trilha online está a Petrobras, que estuda a iniciativa de supply chain em conjunto com o projeto de e-commerce. “A nossa visão é que um efetivo B2B influencia e depende muito da gestão integrada da cadeia de suprimento, principalmente no modelo colaborativo, como é o projeto Canal Cliente (portal de venda para os distribuidores)”, informa Rodolpho Sivieri, gerente de comércio eletrônico da companhia.

O executivo cita a Manugistics e a AspenTech como os potenciais fornecedores desse projeto. “A idéia é eleger uma empresa para a implantação e a integração com outros sistemas, além de adotar a implantação por fases. Isso porque acreditamos que este modelo é mais efetivo do que comprar a ferramenta de um, contratar a integração de outro e depois deixar os problemas na mão do grupo interno de TI”, explica Sivieri.

Mais adiantada, a Fiat do Brasil já implementou a solução. A conexão entre os parceiros pode ser feita via intranet ou extranets. No entanto, a montadora busca também a Internet para gerenciar toda a cadeia de suprimentos desde a especificação para os fornecedores e a logística do fornecimento até a gestão do relacionamento comercial e do pagamento. Virgílio Santos, diretor de arquitetura tecnológica da divisão ITS-LA da montadora, explica que a busca pela Web acontece devido à redução de custos – um dos requisitos da gestão da cadeia de abastecimento.

Nova onda

Há também o movimento inverso: os portais independentes aproveitam a amplitude que envolve o conceito de supply chain para a oferta de serviços específicos via Web. É o caso do portal Multistrata, que aposta na venda da informação logística. Não importa se a carga é do fornecedor para a indústria, ou da indústria para o varejo. O diferencial é a informação.

Questões como qual é a melhor embalagem para uma determinada carga; o roteiro que traz melhor custo benefício naquela distância; quem deve pagar pelo transporte; e qual é o tipo de veículo que traz maior ganho para cadeia, se tornarão os ativos do Multistrata. Segundo a Accenture, apesar de incipiente, essa é a verdadeira vocação do B2B. “Em algum estágio, o comércio eletrônico será menos negociação e mais colaboração. Só não temos como prever quando isso irá ocorrer”, destaca um analista da Accenture.

Portais verticais como Genexis também seguem o caminho aproveitando o fluxo de informações sobre a demanda para oferecer à indústria um valor agregado do marketplace. No entanto, a integração entre a manufatura e seus fornecedores ainda está presa ao mundo físico.

Distribuidora e engarrafadora da Coca-Cola, que atua na região Centro-oeste, a Brasal segue o conceito colaborativo, pregado na gestão de suprimentos, por meio da Associação dos Fabricantes Brasileiros da Coca-Cola, que reune todas as filiais responsáveis pela produção das bebidas da fabricante e intermedia o volume total com diversos fornecedores. Cerca de 65% das compras – que incluem latas, tampas de alumínio, tampas plásticas, garrafas, suco e açúcar – são encaminhadas à entidade que negocia o preço e o volume. Assim, cada filial negocia o contrato e a entrega do produto.

João de Almeida Pires, diretor de suprimentos e logística da Brasal, informa que a entidade pretende automatizar este processo via Web, consolidando o portal já existente da associação. A Alcoa, que tem uma unidade de produção instalada dentro da Brasal para a montagem da pré-forma da garrafa, lança o portal myalcoa.com, o qual a distribuidora pretende utilizar para otimizar ainda mais a produção. “Mesmo com a linha de montagem instalada na nossa unidade, a produção só é acionada após a aprovação da Alcoa, o que às vezes leva alguns dias. Já com o portal isto será automático”, planeja Pires.

Participação

Estudo da IDC mostra o número de empresas que não utilizam supply chain na América do Sul:

Brasil 54,1%
Argentina 49,8%
México 44,9%

O ABC da contabilidade

Veja abaixo algumas premissas básicas para atingir o nível de custos praticados pelo gerenciamento da cadeia:

1) Contabilizar não só os gastos e as despesas, mas incluir também os custos da corporação dentro do planejamento anual
2) A análise de custos deve ser baseada na cadeia de valor, que é medida pela margem e pelas atividades de valor como, recursos humanos, logística, etc.
3) O valor não é medido pelo custo final, mas sim pela receita total, resultante do preço final em função do mercado e do volume de produção.
4) A cadeia de valor completa engloba a seqüência de valor da cadeia de suprimento, logística e de relacionamento
5) A integração da cadeia de valor completa, onde ocorre um fluxo sobre a contabilidade de custos, identifica os problemas e pontos críticos, que devem ser eliminados. Assim, a empresa terá flexibilidade para agir conforme a mutação do mercado
Fonte: as empresas entrevistadas

Lição de casa

   Mesmo com a promessa tecnológica de reduzir os custos ao extremo e ainda multiplicar a produtividade, o supply chain não conseguiu ultrapassar as barreiras culturais do mercado brasileiro. “O Brasil ainda se encontra no estágio inicial da gestão da cadeia porque falta massa crítica para estimular a adoção. Outra razão é que as empresas preferem finalizar a implementação do ERP (Enterprise Resource Planning) antes de atacar esse nicho”, observa Alfredo Ferraz, diretor presidente da i2 Technologies do Brasil.
    A São Paulo Alpargatas segue a premissa e só irá investir no projeto depois que finalizar a integração do sistema de gestão Baan, previsto para este ano. “A idéia é contratar o serviço de uma consultoria externa para colaborar na seleção da ferramenta de supply chain. Nossa única prioridade é desenvolver em ambiente Web, já que visamos a colaboração da nossa cadeia de abastecimento”, antecipa     Walter Benger, diretor de TI da empresa. Ele prevê que já em 2003, a implementação do supply chain seja iniciada.

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