Segurança
A teoria da colaboração
Apesar de antigo, o conceito supply chain se mantém mais na teoria do que na prática. A cultura é a maior barreira. Mas a Internet pode quebrar paradigmas, trazendo o B2B colaborativo para o País.
Por Ceila Santos
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Faça tudo com quase nada. A célebre frase, citada por dez entre dez analistas de gerenciamento de cadeia de suprimento, começa a sair do âmbito utópico com a chegada da Internet, as novas versões dos ERPs (Enterprise Resource Planning) e as ferramentas especializadas de APS (Advanced Planning System).
A Web diminuiu o tempo e o espaço entre as empresas, facilitando a regra de transformar o estoque em informação na cadeia de suprimentos da indústria, destaca Reinaldo Yocida, gerente de soluções da IBM. Há, no entanto, poucas implementações de supply chain via Web, mas estudos e projetos prometem uma autêntica explosão no mercado brasileiro.
Na trilha online está a Petrobras, que estuda a iniciativa de supply chain em conjunto com o projeto de e-commerce. A nossa visão é que um efetivo B2B influencia e depende muito da gestão integrada da cadeia de suprimento, principalmente no modelo colaborativo, como é o projeto Canal Cliente (portal de venda para os distribuidores), informa Rodolpho Sivieri, gerente de comércio eletrônico da companhia.
O executivo cita a Manugistics e a AspenTech como os potenciais fornecedores desse projeto. A idéia é eleger uma empresa para a implantação e a integração com outros sistemas, além de adotar a implantação por fases. Isso porque acreditamos que este modelo é mais efetivo do que comprar a ferramenta de um, contratar a integração de outro e depois deixar os problemas na mão do grupo interno de TI, explica Sivieri.
Mais adiantada, a Fiat do Brasil já implementou a solução. A conexão entre os parceiros pode ser feita via intranet ou extranets. No entanto, a montadora busca também a Internet para gerenciar toda a cadeia de suprimentos desde a especificação para os fornecedores e a logística do fornecimento até a gestão do relacionamento comercial e do pagamento. Virgílio Santos, diretor de arquitetura tecnológica da divisão ITS-LA da montadora, explica que a busca pela Web acontece devido à redução de custos um dos requisitos da gestão da cadeia de abastecimento.
Nova onda
Há também o movimento inverso: os portais independentes aproveitam a amplitude que envolve o conceito de supply chain para a oferta de serviços específicos via Web. É o caso do portal Multistrata, que aposta na venda da informação logística. Não importa se a carga é do fornecedor para a indústria, ou da indústria para o varejo. O diferencial é a informação.
Questões como qual é a melhor embalagem para uma determinada carga; o roteiro que traz melhor custo benefício naquela distância; quem deve pagar pelo transporte; e qual é o tipo de veículo que traz maior ganho para cadeia, se tornarão os ativos do Multistrata. Segundo a Accenture, apesar de incipiente, essa é a verdadeira vocação do B2B. Em algum estágio, o comércio eletrônico será menos negociação e mais colaboração. Só não temos como prever quando isso irá ocorrer, destaca um analista da Accenture.
Portais verticais como Genexis também seguem o caminho aproveitando o fluxo de informações sobre a demanda para oferecer à indústria um valor agregado do marketplace. No entanto, a integração entre a manufatura e seus fornecedores ainda está presa ao mundo físico.
Distribuidora e engarrafadora da Coca-Cola, que atua na região Centro-oeste, a Brasal segue o conceito colaborativo, pregado na gestão de suprimentos, por meio da Associação dos Fabricantes Brasileiros da Coca-Cola, que reune todas as filiais responsáveis pela produção das bebidas da fabricante e intermedia o volume total com diversos fornecedores. Cerca de 65% das compras que incluem latas, tampas de alumínio, tampas plásticas, garrafas, suco e açúcar são encaminhadas à entidade que negocia o preço e o volume. Assim, cada filial negocia o contrato e a entrega do produto.
João de Almeida Pires, diretor de suprimentos e logística da Brasal, informa que a entidade pretende automatizar este processo via Web, consolidando o portal já existente da associação. A Alcoa, que tem uma unidade de produção instalada dentro da Brasal para a montagem da pré-forma da garrafa, lança o portal myalcoa.com, o qual a distribuidora pretende utilizar para otimizar ainda mais a produção. Mesmo com a linha de montagem instalada na nossa unidade, a produção só é acionada após a aprovação da Alcoa, o que às vezes leva alguns dias. Já com o portal isto será automático, planeja Pires.
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