Segurança
No combate a vírus e concorrentes
Íntegra de entrevista exclusiva com o presidente mundial da Symantec, John Thompson, abordando as tendências tecnológicas e estratégias frente à concorrência.
Por André Borges, do COMPUTERWORLD
Compartilhe:
As pragas do mundo digital estão longe de serem os únicos alvos da gigante de soluções de segurança Symantec. E para manter sua liderança no setor, a companhia terá que provar que é boa não só no combate às infinitas ameaças online, mas também no estratégico jogo de concorrência que envolve este mercado.
Em entrevista exclusiva ao COMPUTERWORLD, o presidente mundial da Symantec, John Thompson, fala sobre as tendências tecnológicas para a proteção de pessoas e empresas. E para se proteger, faz seus ataques às rivais McAfee e Microsoft.
COMPUTERWORLD – Quais são as razões de sua visita ao Brasil?
JOHN THOMPSON – Temos notado um potencial de crescimento muito forte no Brasil e acho importante vir até aqui para ter contato direto com a equipe local. Nossa matriz fica em Cupertino, Califórnia (EUA). Não acho que seja o melhor lugar para observarmos como os negócios estão evoluindo em todo o mundo. Aqui me encontrei com nosso time, clientes, parceiros. É preciso sair e ver tudo isso de perto.
CW – E qual foi a impressão que o senhor teve do mercado nacional de segurança da informação?
JT – Acho que não levarão mais cinco anos para que eu volte a visitar o Brasil. Os negócios estão aquecidos por aqui, nossa equipe local está muito empolgada com as novas possibilidades. O mercado de segurança em toda a América Latina está seguindo as tendências mundiais, evoluindo de uma percepção simples de proteção contra vírus para uma realidade mais preocupada com a segurança de experiências de integração. Pessoas e empresas estão se armando para eliminar novas formas de riscos, que envolvem desde questões como falsificação de identidade e engenharia social, até o uso de peles artificiais. O Brasil, por exemplo, tem muita gente com conhecimento para apontar e explorar falhas de segurança. Isso é maravilhoso, porque podemos aprender muito por aqui.
CW – Qual é a sua avaliação atual sobre a fusão com a Veritas?
JT – Estamos muito satisfeitos com o progresso de integração, principalmente em ações realizadas nos últimos nove meses. Ainda estamos trabalhando muito para integrar nossos sistemas de backoffice, equipes e procedimentos operacionais. Mas já mudamos nossa área de vendas, o que nos dará mais agilidade para explorar o mercado. Nossos colaboradores também estão mais preparados para explorar todo o nosso portfólio.
CW – Podemos dizer que este será o ano em que o mercado verá o potencial das soluções combinadas?
JT – Eu não diria isso. Mas talvez possa afirmar que este será o ano em que as empresas verão algumas das soluções integradas que traremos. É preciso tempo para que os times de engenheiros trabalhem em novas tecnologias. Quando nós anunciamos a aquisição, dissemos que levaria algo entre vinte a vinte e cinco meses para que as operações fluíssem. Entre julho deste ano e do ano que vem, muitas novidades vem por aí.
CW – Nos últimos dias, a Symantec reorganizou diversos cargos de diretoria. O processo de fusão com a Veritas ainda inclui novas demissões ou mudanças de comando?
JT – Eu não sei exatamente o que foi publicado pela imprensa a respeito disso, mas o fato é que não fizemos nenhuma grande mudança. São apenas alinhamentos normais para consigamos ampliar nossos negócios no varejo, entre pequenas e médias empresas e grandes contas. Não há mais grandes alterações sobre isso em minha mente.
CW – O senhor acredita que o mercado já absorveu a idéia de que armazenamento e segurança são parte de uma mesma solução?
JT – Eu acho que toda vez que você propõe algo novo no mercado as pessoas não absorvem isso imediatamente. Te dou um bom exemplo disso. Em 2002, nós lançamos o primeiro gateway de segurança integrado em um appliance. Alí colocamos firewall, detector de intrusão, filtro de conteúdo, rede virtual privada e uma série de funcionalidades para que o usuário pudesse ter um maior controle do que acontecia em sua rede. O mercado reagiu, dizendo que ninguém comprava segurança daquela maneira. E nós respondemos, afirmando que realmente aquilo não era uma prática tradicional, mas que certamente passaria a ser no futuro. Muitos nos chamaram de loucos. Mas agora todos vendem gateways integrados de segurança.
CW – A sua concorrente McAfee, acaba de lançar um produto que integra aplicações como antivírus, anti-spam, anti-spyware e firewall em um único software. A companhia também comprou a SiteAdvisor. Como o senhor analisa essa movimentação?
JT – A McAfee é uma boa empresa, a aquisição foi uma boa decisão. Mas acho que eles estão um pouco atrasados. O que está acontecendo é que a McAfee começa a enxergar que, na realidade, não há uma “única bala de prata” para salvar as empresas de todos os problemas de segurança. É por isso que nós da Symantec investimentos 15% de nossa receita em pesquisa e desenvolvimento e fazemos seis ou sete aquisições no mercado por ano. De repente, vemos que a McAfee começou a pensar que, “sim, provavelmente tudo isso faz sentido, vamos seguir esse caminho também”.
CW – Este processo de aquisições da Symantec deve se acelerar este ano?
JT – Nós já sabemos o que queremos adicionar ao nosso portfólio este ano. E vamos seguir com aquisições. Precisamos de melhor cobertura e capacidade de serviços em áreas como gestão de identidade, controle de acesso e autenticação. De maneira geral, eu acho que todo o mercado de software passa por um período de consolidação. Há muitos fornecedores no mercado, muitos produtos separados, que criam muita confusão entre clientes e parceiros, e custa muito dinheiro. A questão é saber quais são as fusões mais lógicas desse mercado.
CW – Como o senhor vê a movimentação da Microsoft em torno de soluções de segurança e sua estratégia de computação confiável?
JT – A Microsoft é um bom mercado para nós. E um dia ela poderá ser uma boa fornecedora de software também. A iniciativa Trustworthy Computing (TWC) é mais marketing que produtos. Há quantos anos eles lançaram a estratégia? Quatro a cinco anos. E quantos produtos de segurança eles colocaram no mercado? Hoje nós protegemos a maior quantidade de pessoas de ameaças online do que qualquer outro fornecedor no mundo. Acho que a Microsoft tem as suas razões para se preocupar com isso, mas até que ela consiga fazer como fazemos haverá muito trabalho pela frente.
CW – Quantos laboratórios de desenvolvimento a Symantec tem hoje em todo o mundo?
JT – Nós temos cerca de 4 mil pessoas trabalhando na área de engenharia. Nosso maior centro de engenharia hoje fica na Índia, com cerca de 600 profissionais. O segundo fica na Califórnia. Depois nós temos dúzias de outros laboratórios menores.
CW – Há uma possibilidade futura da Symantec vir a ter um laboratório de desenvolvimento no Brasil?
JT – Eu gostaria de ter menos, não mais. Nós sabemos que não é preciso ter desenvolvimento local para ter acesso a determinado mercado. Mas sempre estamos avaliando hipóteses. Talvez o Orlando (Barbieri, presidente da Symantec Brasil) e sua equipe me levem a tomar alguma decisão nesse sentido, mas eu ainda não estou convencido. De qualquer forma, vemos que o Brasil está entre os países onde mais crescemos. E é muito bom estar por aqui.
CW – Qual é a prioridade atual do mercado quando pensa em segurança da informação?
JT – Respeitar regulamentações e políticas de segurança. Essas são as primeiras coisas que vêm à mente da maior parte dos CIOs de grandes corporações em todo o mundo. Questões como Basiléia II e Sarbox têm feito muita pressão sobre a área de TI das empresas.
CW – Como o senhor vê o futuro da segurança da informação? Pessoas e empresas tendem a ficar cada vez mais vulneráveis?
JT – Está claro que teremos uma maior complexidade de processos para administrar. Hoje nós temos dúzias de diferentes sistemas ou sensores de segurança para administrar. O que precisamos é enxergar tudo isso de uma maneira mais holística, encontrar maneiras de integrar e facilitar a implementação de novas tecnologias. A segurança tende a se aproximar mais das aplicações e dos dados a elas relacionados. Isso significa colocar a proteção próxima às transações.
Conheça os 100 melhores CIOs do país
60 melhores empresas de TI e Telecom para trabalhar
A elite do RH de TI e Telecom no Brasil
Computerworld e Instituto GPTW apresentam as Melhores Empresas de TI e Telecom para Trabalhar 2009.
Veja o Especial


