Segurança
O Wal-Mart e as três grandes mentiras sobre o RFID
O gigante varejista levou seus principais fornecedores a investir em uma adaptação para o uso das etiquetas inteligentes, mas nenhum deles sabe quando terá o retorno.
Por COMPUTERWORLD
Entre as “lorotas” mais difundidas no mundo estão: minha mulher não me entende; estou aqui para te ajudar; e a terceira é “esqueci a terceira!”. Mas e em relação às ferramentas de identificação por radiofreqüência, quais são as maiores mentiras?
A última vez em que contei, mais de 65 companhias estavam comprometidas com a tecnologia RFID. Suponhamos que cada uma tenha realizado 20 milhões de dólares em investimentos já serão 1,3 bilhão de dólares aplicados em RFID. Cada companhia dessas submeteu um plano de negócios que essencialmente diz: RFID será o próximo mercado multibilionário (aqui está a mentira 1); todas as empresas que vendem para o Wal-Mart terão de usar etiquetas RFID (mentira 2) e a rede de supermercados está altamente atrasada em relação ao RFID (mentira 3).
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O RFID é uma tecnologia em busca de um problema. Ainda não existe um padrão de indústria, ninguém sabe quantos fornecedores existirão daqui cinco anos e as etiquetas RFID e os leitores estão longe de estarem testados. A tecnologia é jovem e os investimentos agora podem ser obsoletos ou de brincadeira. Os clientes não vêem os benefícios da identificação por radiofreqüência e talvez enxerguem algumas perdas de privacidade. Varejistas sentem que o RFID pode desencorajar os roubos, mas seu custo benefício efetivo ainda não foi provado. Em qual dessas situações se encaixa o Wal-Mart?
A companhia vai vender 350 bilhões de dólares em produtos neste ano. Cada atacadista do Wal-Mart vende 120 mil diferentes itens e existem mais de 2,2 mil desses atacadistas e mais de 3 mil lojas em todo o mundo. Para algumas empresas, como a Procter&Gamble, o Wal-Mart representa cerca de 15% de seus negócios.
Ela é a líder em vendas de roupas, brinquedos, e outras meias-dúzias de áreas, além de ser o maior empregador privado dos Estados Unidos e México. Entre as famílias norte-americanas, 93% vão até algum loja do Wal-Mart ao menos uma vez por ano e 100 milhões de norte-americanos fazem uma visita semanalmente. A rede de lojas é o monstro do Arkansas e companhias chamadas de “meras” mortais tremem quando ouvem dela alguma afirmação de que para onde a tecnologia está se movendo. O Wal-Mart convenceu seus fornecedores a migrar para o RFID com a promessa de boas economias que poderiam compartilhar.
O RFID estava previsto para substituir os códigos de barra, mas colocar um código de barras em uma embalagem não representa custo algum. Ao contrário, cada etiqueta RFID custa 15 centavos de dólar e depois você ainda precisa de uma tecnologia auxiliar e um software. O Wal-Mart fez seus 600 principais fornecedores implementarem o programa com a promessa de que nada o interromperia. O plano era ter todos os 120 centros de distribuição da empresa integrados ao novo sistema. Até agora, apenas cinco estão.
O que aconteceu? O Wal-Mart exagerou na tecnologia. Usou artifícios para conquistar os fornecedores, como: “Isto é do seu maior interesse" e "Não somos parceiros maravilhosos?”. A companhia nunca planejou na verdade “pagar” pelas etiquetas, o software ou o desenvolvimento. Convenceu os fornecedores que este custo deveria partir deles e que os tornaria mais rentáveis. O hype atraiu investimentos ao mercado e uma excessiva oferta de fornecedores – todos disputando participação de mercado e continuamente reduzindo seus preços e adiando sua lucratividade.
Você lembra no desenho do Snoopy quando a Lucy espera o Charlie Brown no jogo de futebol americano segurando a bola para ele chutar e depois ela tira o objeto do lugar na hora do golpe para que ele caia de costas? Na seqüência a Lucy diz: "See you here next year" (Vejo você aqui no próximo ano).
O Wal-Mart não foi a primeira empresa a jogar este jogo, mas, sim, a General Motors. Muitos anos atrás, a GM empurrou a adoção do seu Manufactoring Automation Protocol por todos os seus fornecedores de computadores e deixou claro que isso influenciaria todas as decisões futuras de compra de TI. Isso demandou toneladas de tempo e ainda muito dinheiro. Todos estavam no barco – exceto a GM, que não estave comprometida com o protocolo nem mesmo no nível de fabricação de carros.
Quando você é um fornecedor lidando com o Wal-Mart, ainda vai rolar muito sangue pelo chão – e certamente será o seu. Os fornecedores nunca vão criticar seu maior cliente, mas a maioria não espera ver um retorno dos seus investimentos em RFID e suspeitam que o Wal-Mart não atingiu suas expectativas de economia. Isso não significa que fornecedores não gastaram milhões adaptando suas fábricas para lidar com o RFID e ainda estão esperando para o Wal-Mart expandir o programa e mostrar a eles algumas dessas ilusórias economias.
Nesse meio tempo, você quer chutar a bola, Charlie Brown? Eu prometo, eu não vou tirar a bola desta vez.
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