Segurança
O que está por trás da movimentação do Google em segurança
Gigante de buscas quer eliminar dúvidas das corporações sobre aplicações rodando na internet com a compra da Postini e da Green Border.
Por COMPUTERWORLD
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Não é novidade. O Google acredita que a sua suíte de aplicações de negócios pela web representa o futuro da TI na corporação. Mas enquanto o gigante de buscas é rápido para divulgar as funções inovadores das suas soluções, ele não o é para falar sobre segurança. Ou, pelo menos, não era.
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Na última segunda, dia 09 de setembro de 2007, o
Google anunciou a compra da empresa de segurança de mensagens Postini por 625 milhões
de dólares, um movimento que vai dar acesso aos 35 mil corporações clientes
e fornecer os primeiros produtos de segurança para o portfólio de Google Apps.
Os usuários do Google Apps vão poder usar os serviços da Postini
para escanear e fazer a criptografia de e-mail, além de arquivar mensagens para
objetivos legais ou de aderência à regulamentações, diz Dave Girouard, vice-presidente
e gerente geral de negócios para corporações do Google, em um conference call.
A compra representa o mais significativo investimento em segurança da informação já feito pelo Google. Nos últimos meses, Google iniciou seu próprio blog de segurança e também adquiriu outra start-up de segurança, a Green Border.
Hoje, o Google estima que mais de mil pequenas empresas utilizam o Google Apps diariamente, mas admite que as grandes corporações relutaram a adotar a solução por temores em temas como segurança e aderência às normas. O buscador espera que a compra ajude a eliminar essas dúvidas.
Mas com a decisão do gigante de se tornar um fornecedor de segurança, quão distante ele pode ir? A rival Microsoft já fez essa opção de comprar companhias de proteção e, recentemente, lançou a sua linha de antivírus. E quando o Google compra a Green Border, alguns especularam que o gigante de buscas estaria pronto a oferecer um navegador seguro com a tecnologia da start-up. Até agora, o Google negou-se a falar seus planos com produtos da Green Border, mas especialistas afirmam que a empresa poderia ter tecnologias para competir com empresas como Websense ou AE6 Technologies.
“Existe muito dinheiro a ser feito com a criação de uma lista negra de sites”, afirma Chenxi Wang, analista da Forrester Research. “Não surpreenderia se eles usassem a sua massiva infra-estrutura para transformar isso em uma lista proprietária e vendê-la com a sua linha de produtos corporativos”. Em maio passado, o COMPUTERBLOG já comentava a possibilidade da entrada do Google em segurança.
Recentemente, o Google deu permissão aos desenvolvedores web uma forma de acessar as informações da empresa gratuitamente, mas o buscador pode colocar serviços pagos para corporações sobre as soluções gratuitas para usuários finais. Da mesma maneira que fez com o Google Apps, diz Wang. “Se eles colocarem inteligência em tempo-real em um produto corporativo, existe a chance de ganhar dinheiro”, conta. Ele prevê que o Google pode tentar adquirir empresa de prevenção de vazamentos como a Vontu ou a Vericept.
Um dos maiores críticos do Google no front de segurança afirma que o cenário pode parecer mais interessante se a empresa decidir ir também para as estações de trabalho. “Se eles construírem um próprio sistema operacional e fizerem o Firefox como o navegador padrão... Eles vão precisar aumentar os controles, a segurança e as ferramentas para proteger esse ambiente”, ironiza Robert Hansen, CEO da consultoria SecTheory.
Quanto da Postini e da Green Border vai para os produtos do Google ainda está confuso. O Google confirmou que vai melhorar o Gmail com a tecnologia Postini, mas Hansen acha que vai levar tempo antes que o Google coloque segurança em seus produtos na fase de desenvolvimento.
Na pressa de entregar funcionalidades interessantes e chamativas, defende o consultor, a companhia deixou segurança para trás. E enquanto existir um problema de segurança em todo ambiente de tecnologia, o Google tem pouco incentivo para fazer da segurança uma prioridade em seus produtos existentes.
“Isso se reduz a um caso de negócios. Se eu quiser corrigir as brechas do Blogspot, preciso convencer alguns gerentes de produtos que isso vale o investimento. E os usuários vão odiar a mudança”, diz Hansen.
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